Campeão mundial de vôlei, Everton Boi, é morto em sequestro violento em CuiabáPor Luís Henrique Costa
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Na noite de 10 de julho de 2025, a capital mato-grossense foi palco de um crime brutal que chocou o Brasil. Everton Pereira Fagundes da Conceição, conhecido como Everton Boi, ex-jogador da seleção brasileira de vôlei e campeão mundial sub-19, foi assassinado a tiros dentro de sua caminhonete no bairro República do Líbano, em Cuiabá. Aos 46 anos, o atleta foi vítima de três disparos, em um caso que a polícia investiga como possível crime passional. O principal suspeito, identificado como Idirlei Alves Pacheco, de 40 anos, permanece foragido. Imagens de câmeras de segurança capturaram o momento do crime, revelando a violência do ataque e a fuga do atirador, que estava no mesmo veículo que a vítima. A morte de Boi, uma figura icônica do esporte, gerou comoção nacional e reacendeu debates sobre segurança pública em Cuiabá.
O assassinato ocorreu por volta das 23h30, quando a caminhonete Amarok conduzida por Everton colidiu com outro veículo após os disparos. Testemunhas relataram que o atirador, que estava dentro do carro com o ex-atleta, fugiu a pé após o crime. A Polícia Militar, inicialmente acionada por suspeita de acidente de trânsito, encontrou Everton sem vida, com marcas de tiros no corpo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou o óbito no local. A investigação, conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), aponta que o ex-jogador foi sequestrado momentos antes do homicídio, o que intensifica a gravidade do caso.
A trajetória de Everton Boi no esporte é marcada por conquistas e talento. Nascido em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, ele começou no vôlei ainda na adolescência, destacando-se pelo porte físico imponente – com 1,97 metro de altura – e pela potência ofensiva como oposto. Sua carreira inclui passagens por clubes renomados no Brasil, como Fiat/Minas, Suzano, São Caetano e Vôlei Futuro, além de atuações internacionais na Espanha, Argentina e Japão, onde brilhou pelo NEC Blue Rockets.
- Principais conquistas de Everton Boi:
- Campeão Mundial Sub-19 em 1995, em Porto Rico.
- Campeão Sul-Americano Juvenil em 1996, no Paraguai.
- Destaque como um dos maiores pontuadores da liga japonesa.
- Títulos nacionais com clubes brasileiros, como a Liga Nacional.
A morte do ex-atleta abalou a comunidade esportiva, com manifestações de pesar de federações, ex-companheiros e torcedores. A Federação Mato-Grossense de Voleibol emitiu nota lamentando a perda e destacando o legado de Boi no esporte.
Investigação aponta para crime passional
A Polícia Civil, sob o comando do delegado Rogério Gomes, trabalha com a hipótese de crime passional como principal linha de investigação. Uma mulher, cuja identidade não foi revelada, procurou a delegacia na noite do crime para relatar que seu ex-marido, Idirlei Alves Pacheco, havia sequestrado Everton pouco antes do homicídio. Segundo ela, o suspeito usou a mesma caminhonete onde o corpo foi encontrado. A denúncia reforça a suspeita de que o crime tenha relação com um conflito amoroso, embora os detalhes ainda estejam sob apuração.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pela polícia mostram o momento exato do assassinato. No vídeo, a caminhonete de Everton se aproxima de um posto de combustíveis na Avenida Dr. Hélio Ribeiro, no bairro Residencial Paiaguás. Após a colisão com uma Ford F-350 verde, o suspeito é visto saindo do veículo e fugindo calmamente. As imagens, descritas como “chocantes” por investigadores, são peça-chave para identificar e localizar o foragido.
A violência do crime e a ousadia do atirador, que agiu em uma área urbana movimentada, levantaram questionamentos sobre a segurança em Cuiabá. A DHPP segue analisando outras câmeras da região e coletando depoimentos para esclarecer as circunstâncias do sequestro e do homicídio. Até o momento, Pacheco não foi localizado, e a polícia intensificou as buscas na capital e em cidades próximas.
Trajetória de um ícone do vôlei
Everton Boi deixou um legado indelével no voleibol brasileiro. Criado nos bairros Cristo Rei e Jardim Glória, em Várzea Grande, ele começou a jogar vôlei aos 11 anos no Colégio Adventista. Aos 14, mudou-se para Belo Horizonte para integrar o Fiat/Minas, onde seu talento começou a chamar atenção. Com 16 anos, foi convocado para a seleção brasileira infanto-juvenil, conquistando o Mundial de 1995 em Porto Rico e o Sul-Americano de 1996 no Paraguai.
No exterior, Boi consolidou sua carreira com atuações marcantes. No Japão, pelo NEC Blue Rockets, foi um dos principais pontuadores da liga, ganhando reconhecimento internacional. Na Espanha, defendeu o Numancia Soria, e na Argentina, também deixou sua marca em clubes locais. De volta ao Brasil, encerrou a carreira no Cuiabá Vôlei Clube, onde se dedicou a projetos de formação de jovens atletas, inspirando novas gerações.
Apesar de uma passagem por falsidade ideológica no passado, Everton era amplamente respeitado no meio esportivo. Sua história de superação, vindo de uma família tradicional – filho do ex-goleiro João Fagundes da Conceição, o “Fagundão” – e alcançando o sucesso internacional, tornou-o uma referência em Mato Grosso.
Repercussão e luto no esporte brasileiro
A notícia da morte de Everton Boi reverberou rapidamente pelo Brasil. Clubes como Fiat/Minas e Vôlei Futuro publicaram homenagens nas redes sociais, relembrando a energia e o talento do ex-jogador. Torcedores e ex-companheiros compartilharam mensagens de choque e tristeza, destacando o carisma e a dedicação de Boi às quadras.
- Reações ao assassinato de Everton Boi:
- A Federação Mato-Grossense de Voleibol expressou “profundo pesar” e solidariedade à família.
- Ex-jogadores como Giba e André Heller lamentaram a perda de um “grande talento”.
- Torcedores organizaram vigílias em Cuiabá e Várzea Grande para homenagear o atleta.
- A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) planeja tributo em competições nacionais.
A comoção também atingiu a população local. Em Várzea Grande, onde Everton cresceu, moradores organizaram atos para cobrar justiça e mais segurança. A violência do crime, somada ao perfil da vítima, intensificou a pressão sobre as autoridades para uma resposta rápida.
Segurança em Cuiabá sob escrutínio
O assassinato de Everton Boi trouxe à tona preocupações com a segurança pública em Cuiabá. A capital mato-grossense, embora conhecida por seu crescimento econômico, enfrenta desafios relacionados à criminalidade. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 mostram que Mato Grosso registrou um aumento de 8% nos homicídios dolosos em relação a 2023, com Cuiabá concentrando boa parte dos casos.
O crime contra Boi, ocorrido em uma área urbana e registrado por câmeras, expôs a audácia de criminosos e a necessidade de medidas mais eficazes. Líderes comunitários e organizações locais têm se mobilizado para exigir reforço no policiamento e políticas de prevenção à violência. O caso também reacendeu debates sobre a impunidade, já que o suspeito permanece foragido.
A prefeitura de Cuiabá anunciou que está colaborando com a Polícia Civil, fornecendo imagens de câmeras municipais e apoio logístico. Enquanto isso, a população espera por respostas que tragam justiça à família de Everton e segurança à cidade.
Legado de Everton Boi
Mesmo após encerrar a carreira, Everton permaneceu ativo no esporte, especialmente em projetos sociais no Cuiabá Vôlei Clube. Sua dedicação a formar jovens atletas reflete o compromisso com a comunidade que o acolheu desde a infância. Escolas de Várzea Grande, onde estudou, planejam homenagens póstumas, como a nomeação de quadras esportivas em sua memória.
A história de Boi é um lembrete de como o esporte pode transformar vidas, mas também de como a violência pode interromper trajetórias brilhantes. Sua morte deixa um vazio no voleibol brasileiro e um apelo por justiça que ecoa em todo o país.







