Dicas de Saúde

Vapes liberam metais pesados e elevam risco de doenças, apontam estudos

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Foto: vape - Foto: iama_sing/Shutterstock.com

Cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, são mais nocivos do que se pensava, segundo estudos publicados em 2025, conduzidos por pesquisadores nos Estados Unidos e no Brasil, divulgados em 16 de julho. Apesar da venda ser proibida no Brasil desde 2009, o uso crescente, especialmente entre jovens, preocupa especialistas devido à presença de metais pesados, como cobre, níquel e zinco, detectados em níveis alarmantes em vapes descartáveis. Essas substâncias, liberadas durante o aquecimento do líquido, podem causar danos aos pulmões, coração e cérebro, além de aumentar o risco de câncer. Um estudo da PUC-Rio revelou que até 20 substâncias tóxicas, incluindo formaldeído, estão presentes no vapor inalado. No Brasil, 8,7% dos adolescentes de 14 a 17 anos usaram vapes em 2024, segundo o IBGE, cinco vezes mais que os 1,7% que fumaram cigarros tradicionais. A alta concentração de nicotina, até 57 mg/ml, intensifica a dependência, especialmente em jovens, enquanto a Anvisa mantém a proibição para conter o avanço do consumo.

A popularidade dos vapes, impulsionada por sabores frutados e designs atrativos, tem revertido conquistas na redução do tabagismo. Especialistas alertam para a necessidade de campanhas educativas e maior fiscalização do comércio ilegal, que movimenta R$ 7,5 bilhões anuais no Brasil.

O aumento de casos de doenças pulmonares, como a EVALI, reforça a urgência de medidas preventivas, enquanto o governo planeja intensificar ações contra o uso entre adolescentes.

  • Riscos identificados nos vapes:
    • Metais pesados como cobre, níquel e zinco no vapor.
    • Substâncias cancerígenas, como formaldeído e acetaldeído.
    • Alta concentração de nicotina, até 57 mg/ml.
    • Doenças pulmonares, como EVALI, e riscos cardiovasculares.

Danos à saúde confirmados por estudos

Pesquisas recentes, como a do Laboratório de Química Atmosférica da PUC-Rio, revelaram que vapes descartáveis contêm concentrações de metais pesados muito acima do seguro para inalação, mesmo antes do uso. Carlos Leonny Fragoso, doutorando em química, encontrou cobre, estanho e zinco em níveis que surpreenderam os cientistas, indicando contaminação já no líquido do dispositivo. Quando aquecidos a 350°C, esses líquidos liberam carcinógenos como formaldeído, que danificam vasos sanguíneos e causam inflamação crônica nos pulmões.

Irfan Rahman, da Universidade de Rochester, nos EUA, explica que o vapor penetra na corrente sanguínea, afetando o coração e aumentando o risco de infarto e AVC. Um estudo da Sociedade Radiológica da América do Norte, de 2025, mostrou que o uso de vapes reduz o nível de oxigênio no corpo, mesmo sem nicotina, em apenas uma sessão. A nicotina, presente em níveis até seis vezes superiores aos de fumantes de longo prazo, intensifica a dependência, especialmente em jovens com cérebros em desenvolvimento.

No Brasil, a pesquisa Covitel de 2024 indicou que 20% dos jovens de 18 a 24 anos já experimentaram vapes, contra 11,6% de fumantes adultos. A Anvisa, que proíbe a comercialização desde 2009, reforçou a norma em 2024, incluindo veto à produção e transporte, mas o comércio clandestino, como na Rua 25 de Março, em São Paulo, segue ativo.

Impacto nos jovens e dependência

A popularidade dos vapes entre adolescentes é alarmante. Dados do IBGE, de 2019, mostram que 16,8% dos jovens de 13 a 17 anos já experimentaram o dispositivo, contra 1,7% que usaram cigarros tradicionais. A pesquisa LENAD III, de 2024, revelou que 8,7% dos adolescentes usaram vapes no último ano, impulsionados por sabores como tutti-frutti e designs coloridos que remetem a doces. Esses atrativos, aliados à facilidade de compra no mercado ilegal, tornam o vape uma porta de entrada para o tabagismo.

Jaqueline Scholz, do Incor, alerta que usuários de vapes, mesmo após apenas um ano, apresentam níveis de nicotina no organismo comparáveis a fumantes de 25 anos. Um único vape descartável, com até 20 mil tragadas, equivale a 100 maços de cigarros, segundo especialistas. A dependência se instala rapidamente, com 80% dos usuários mais dependentes tentando, sem sucesso, abandonar o hábito. Sintomas de abstinência, como ansiedade e irritabilidade, são comuns, agravando problemas de saúde mental.

  • Efeitos nos jovens:
    • 16,8% dos adolescentes já experimentaram vapes.
    • 80% dos usuários dependentes tentam parar sem sucesso.
    • Sabores frutados atraem menores de idade.
    • Dependência se instala em menos de um ano.

Doenças associadas ao uso de vapes

O uso de vapes está ligado a doenças graves, como a EVALI, lesão pulmonar associada a cigarros eletrônicos, que causou 2.807 casos e 68 mortes nos EUA até 2024. No Brasil, um caso emblemático foi a morte de uma mulher na Bahia, em 2023, devido a complicações respiratórias ligadas ao vape. Estudos da USP mostram que o dispositivo aumenta em 81% o risco de chiado no peito e em 50% o de sintomas de bronquite, mesmo em jovens saudáveis após 30 dias de uso.

Além dos pulmões, o sistema cardiovascular é afetado. O vapor causa estresse oxidativo, danificando o endotélio dos vasos sanguíneos, o que eleva o risco de trombose, infarto e AVC. Um estudo da Universidade Columbia, de 2024, revelou que usuários de vapes têm até 20 vezes mais chance de consumir maconha ou álcool em excesso, indicando um padrão de comportamento de risco.

O câncer também é uma preocupação. Pesquisas da Unesp, apresentadas em 2023, detectaram formol nos líquidos dos vapes após aquecimento, uma substância classificada como carcinógena pela IARC. O risco de câncer de pulmão em usuários de vapes pode surgir 20 anos antes do que em fumantes tradicionais, segundo a Fundação do Câncer.

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vape – Foto: B..Robinson/Shutterstock.com

Proibição no Brasil e comércio ilegal

A Anvisa mantém a proibição de vapes no Brasil desde 2009, reforçada em 2024 com restrições à produção, transporte e propaganda. Apesar disso, o comércio ilegal movimenta R$ 7,5 bilhões anuais, com vendas em locais como a Rua 25 de Março e plataformas online. A Receita Federal apreendeu 1,2 milhão de vapes em 2024, mas a oferta segue alta, com preços entre R$ 60 e R$ 600.

A falta de fiscalização eficaz preocupa especialistas. Jaqueline Scholz, do Incor, destaca que a ausência de regulamentação permite a venda de produtos com substâncias perigosas, como octodrina, similar à anfetamina, encontrada em vapes apreendidos pela UFSC. A Anvisa planeja intensificar ações educativas, com campanhas voltadas para escolas e redes sociais, onde 70% dos jovens brasileiros acessam conteúdos sobre vapes.

  • Medidas contra o comércio ilegal:
    • Proibição da Anvisa desde 2009, reforçada em 2024.
    • Apreensão de 1,2 milhão de vapes em 2024.
    • Campanhas educativas em escolas e redes sociais.
    • Multas para comércio de vapes a menores de idade.

Debate sobre regulamentação

O debate sobre a legalização dos vapes divide opiniões. A indústria do tabaco, representada pela BAT Brasil, defende a regulamentação, argumentando que controlaria a qualidade e limitaria o acesso a menores. Lauro Anhezini Jr., da BAT, sugere que a proibição atual favorece o mercado clandestino, que não segue padrões de segurança.

Por outro lado, entidades como a SBPT e a Fundação do Câncer são contrárias, apontando que a liberação aumentaria o acesso dos jovens, como ocorreu no Reino Unido, onde o uso entre jovens de 16 a 24 anos subiu de 11,1% para 15,5% entre 2021 e 2022. A OMS não recomenda vapes como alternativa ao cigarro, reforçando que ambos causam danos semelhantes. Jaqueline Scholz alerta que a legalização seria uma “desgraça para a saúde pública”, dado o aumento de 600% no uso de vapes no Brasil entre 2018 e 2024.

A campanha VapeOFF, lançada pela Fundação do Câncer em 2024, busca conscientizar jovens com materiais educativos em escolas e universidades. O Ministério da Saúde planeja expandir o programa em 2025, com foco em adolescentes de 14 a 17 anos, que representam 90% dos novos tabagistas, segundo o Banco Mundial.

Prevenção e tratamento da dependência

A dependência de nicotina em usuários de vapes é um desafio crescente. Um estudo do Incor, de 2024, mostrou que 60% dos usuários são novos tabagistas, sem histórico de cigarros tradicionais, indicando que vapes atraem não-fumantes. Programas do SUS oferecem tratamento gratuito, com 1,5 milhão de atendimentos em 2024, incluindo terapia e medicamentos para cessação do tabagismo.

Gabriel Nogueira Souza, de 23 anos, é um exemplo dos impactos do vape. Após três meses de uso, ele foi internado com sequelas respiratórias e enfrenta falta de ar persistente. “Achava que era menos prejudicial, mas é pior”, relatou. Especialistas recomendam acompanhamento psicológico e atividades físicas para fortalecer os pulmões, mas alertam que a recuperação pode levar anos.

  • Medidas de prevenção:
    • Tratamento gratuito pelo SUS para dependência.
    • Campanhas educativas em escolas e redes sociais.
    • Acompanhamento psicológico para jovens.
    • Incentivo a atividades físicas para recuperação.

Impacto na saúde pública

O aumento do uso de vapes ameaça conquistas do Brasil no combate ao tabagismo, que reduziu a prevalência de fumantes de 34% em 1996 para 11% em 2023. O tabagismo é responsável por 174 mil mortes evitáveis por ano no Brasil, segundo o Inca, com doenças como DPOC, câncer e AVC entre as principais causas. O uso de vapes, especialmente por jovens, pode elevar esses números, com câncer de pulmão surgindo em idades mais precoces.

A OMS alerta que os vapes causam dependência mais rápida que cigarros tradicionais, devido à alta concentração de nicotina e à frequência de uso, com até 1.500 tragadas diárias. A exposição a metais pesados e substâncias como acroleína, encontrada em frituras e tóxica quando inalada, agrava os danos. A proibição no Brasil é vista como um acerto, mas a fiscalização insuficiente permite a continuidade do comércio clandestino.