Marcello Giovanni, médico de ‘Quilos Mortais Brasil’ detalha uso de canetas emagrecedoras para obesidade crônica e defende tratamento multidisciplinarPor Maria
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O médico Marcello Giovanni, conhecido por sua atuação como consultor em “Quilos Mortais Brasil”, abordou o crescente uso de canetas emagrecedoras no tratamento da obesidade. Ele explicou à CNN Brasil como esses medicamentos são empregados no reality show e destacou as limitações de uma abordagem que não considere a complexidade da doença. Giovanni enfatizou a necessidade de um suporte multidisciplinar para tratar integralmente os pacientes, ressaltando que a obesidade é uma condição crônica e multifatorial.
Apesar de reconhecer o avanço que as canetas representam, Giovanni expressou preocupação com a simplificação do tratamento. Ele alertou que a obesidade, por ser uma enfermidade complexa e crônica, dificilmente terá sua solução encontrada em um único tipo de medicamento. Essa visão ressalta a importância de uma compreensão aprofundada da doença e de estratégias terapêuticas que vão além do controle do apetite.
Mecanismo e Diferenciais no Tratamento
As canetas emagrecedoras atuam fornecendo ao corpo humano dois hormônios específicos. Este mecanismo difere da cirurgia bariátrica, que libera cerca de 36 peptídeos variados, oferecendo uma gama mais ampla de intervenções biológicas. A disparidade na quantidade de substâncias envolvidas indica a complexidade dos processos metabólicos afetados e a amplitude das mudanças que o corpo sofre após uma cirurgia bariátrica.
O doutor Giovanni defendeu a imperatividade de um atendimento multidisciplinar para todos os pacientes. Este tipo de acompanhamento visa tratar as diversas esferas da vida que são impactadas pela obesidade, incluindo aspectos físicos, psicológicos, sociais e nutricionais. Apenas essa abordagem integrada pode proporcionar resultados sustentáveis e promover uma melhora significativa na qualidade de vida dos indivíduos afetados pela condição crônica.
Medicamentos como Olire e Lirux, da EMS, são formulados com liraglutida, uma molécula que pertence à mesma classe da semaglutida, encontrada em Ozempic e Wegovy. No entanto, a liraglutida possui uma potência considerada menor em comparação à semaglutida. Internautas que utilizam essas substâncias relatam sintomas como alterações no ciclo menstrual, sensação de fadiga persistente e diversas queixas relacionadas à temperatura corporal, indicando a necessidade de acompanhamento médico rigoroso.
Desafios na Abordagem Simplificada
Com três décadas de experiência no manejo da obesidade, Marcello Giovanni testemunhou o surgimento e o eventual declínio de vários tratamentos farmacológicos ao longo do tempo. Segundo ele, a perda de eficácia desses medicamentos frequentemente decorre da tentativa de converter um problema intrincado em uma solução simplista, que não corresponde à realidade da doença. A obesidade não pode ser reduzida a uma única causa ou tratada por um método isolado.
Mesmo a cirurgia bariátrica, que é um procedimento mais invasivo e complexo, registra uma taxa de sucesso de aproximadamente 15% dos pacientes a longo prazo. Este dado evidencia que, mesmo com a reposição contínua de hormônios e peptídeos essenciais para o resto da vida, os fatores psicológicos representam um desafio significativo. As questões mentais e emocionais podem, de fato, contribuir para o reganho de peso, mesmo após uma intervenção cirúrgica bem-sucedida, sublinhando a importância da saúde mental no processo de emagrecimento.
Giovanni destacou que as canetas emagrecedoras, apesar das observações, representam um passo adiante na busca por soluções para a obesidade. Contudo, é fundamental que seu uso seja feito com plena consciência dos riscos e benefícios, além de ser empregado por um período prolongado para que os efeitos desejados possam ser sustentados. A utilização intermitente ou sem a devida orientação pode comprometer a eficácia do tratamento e a saúde do paciente.
Aplicação no ‘Quilos Mortais Brasil’ e Alerta Nacional
No contexto do reality show “Quilos Mortais Brasil”, as canetas emagrecedoras são integradas como uma tática estratégica para os pacientes. O objetivo principal é facilitar um emagrecimento inicial que maximize as chances de sucesso na cirurgia bariátrica subsequente. O medicamento age como um facilitador, preparando o corpo do paciente para um procedimento de grande porte e minimizando os riscos operatórios.
Contudo, o médico expressou grande preocupação com o que descreveu como a utilização “sem procedência” e “sem indicação clínica” das canetas no Brasil. Essa prática endêmica, segundo Giovanni, reflete uma crença equivocada de que apenas o controle do apetite pode solucionar a questão multifacetada da obesidade.
Os problemas associados ao uso indevido e indiscriminado incluem:
- Ausência de acompanhamento médico especializado.
- Falta de diagnóstico preciso das causas da obesidade.
- Ignorância das condições de saúde preexistentes do paciente.
- Desconsideração dos aspectos psicológicos e emocionais.
- Potencial para efeitos colaterais adversos não monitorados.
Giovanni explicou que o apetite é apenas uma das pontas do problema da obesidade, havendo outras vertentes cruciais, como a constituição corporal de cada indivíduo e, primordialmente, as questões psíquicas. O tratamento eficaz deve abordar todas essas dimensões, em vez de focar exclusivamente na supressão da fome. A educação dos pacientes e a conscientização sobre a complexidade da doença são passos essenciais para combater o uso inadequado desses medicamentos.







