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Mix Vale

Na noite de 21 de julho de 2025, o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, se viu no centro de uma operação policial no bairro do Joá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, que resultou em sua prisão preventiva. A ação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), visava cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente de 17 anos, identificado como Menor Piu, suspeito de roubo de veículos e ligado ao tráfico. Durante a operação, Oruam e amigos teriam atacado policiais, frustrando a apreensão do menor, que fugiu. O rapper, acusado de sete crimes, incluindo tráfico de drogas e lesão corporal, se entregou à polícia no dia 22 de julho, na Cidade da Polícia, acompanhado da mãe e da namorada. O caso reacende debates sobre a relação entre artistas do funk e do rap com o crime organizado.

A operação no Joá marcou mais um capítulo polêmico na trajetória de Oruam, filho de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, líder preso do Comando Vermelho. Após a confusão, o rapper fugiu para o Complexo da Penha, onde postou vídeos desafiando a polícia, o que intensificou as acusações contra ele. Horas depois, ele anunciou que se entregaria, pedindo desculpas aos fãs e afirmando que provaria sua inocência por meio de sua música.

Oruam
Oruam – Foto: X.com
  • Crimes imputados: Tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal.
  • Local da operação: Bairro do Joá, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
  • Contexto: Tentativa de apreensão de um menor suspeito de crimes graves.

Contexto da operação policial

A ação da DRE no Joá foi planejada após informações de que Menor Piu, um adolescente apontado como segurança do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, estava na residência de Oruam. A polícia aguardou o menor sair da casa para abordá-lo, respeitando restrições legais de entrada noturna em domicílios. Quando os agentes colocaram o jovem em uma viatura, Oruam, da varanda de sua casa, teria incitado ataques, atirando pedras contra os policiais, segundo a Polícia Civil. Um agente ficou ferido, e a viatura sofreu danos.

No tumulto, Menor Piu conseguiu escapar, e Oruam fugiu para o Complexo da Penha, um reduto do Comando Vermelho. Em vídeos postados nas redes sociais, ele desafiou as autoridades: “Quero ver vocês me pegarem aqui dentro do complexo!”. A atitude foi interpretada pela polícia como uma confissão de sua ligação com a facção.

O delegado Felipe Curi, secretário da Polícia Civil, classificou Oruam como um “criminoso faccionado” e destacou que a residência do rapper já havia sido alvo de operações anteriores, com a presença de outros foragidos. A DRE aponta que a casa de Oruam no Joá tornou-se um ponto de encontro para criminosos, reforçando as acusações de associação ao tráfico.

Acusações e prisão preventiva

A Justiça do Rio de Janeiro, por meio da juíza Ane Cristine Scheele Santos, determinou a prisão preventiva de Oruam com base no artigo 312 do Código de Processo Penal, que prevê a medida para garantir a ordem pública e a instrução criminal. A decisão foi motivada pelo indiciamento do rapper por sete crimes, detalhados abaixo:

  • Tráfico de drogas: Pena de 5 a 15 anos, com possível aumento por envolvimento com facções.
  • Associação ao tráfico: Previsto no artigo 35 da Lei de Drogas, com penas de 3 a 10 anos.
  • Lesão corporal leve: Por atingir um policial com pedradas, com pena de 3 meses a 1 ano, agravada por ser contra agente público.
  • Resistência qualificada: Oposição à ação policial com violência, com pena de 2 a 8 anos.
  • Desacato, dano e ameaça: Incluem xingamentos ao delegado e danos à viatura, com penas que variam de 6 meses a 3 anos.

A defesa de Oruam alega que não foram encontradas drogas ou itens ilícitos na residência durante a operação e que a resistência ocorreu devido a supostos abusos policiais. O rapper também negou envolvimento direto com o tráfico, afirmando que suas conquistas vieram da música.

Histórico de polêmicas de Oruam

Oruam, cujo nome artístico é o inverso de Mauro, já enfrentou outras controvérsias com a polícia. Em fevereiro de 2025, ele foi preso por abrigar Yuri Pereira Gonçalves, um foragido da Justiça, em sua mansão no Joá. Durante a operação, a polícia encontrou uma pistola 9mm com kit-rajada, mas Oruam foi liberado após assinar um termo circunstanciado. No mesmo mês, ele foi detido na Barra da Tijuca por direção perigosa, pagando fiança de R$ 60 mil.

  • Fevereiro 2025: Preso por abrigar foragido e por direção perigosa.
  • Dezembro 2024: Investigado por disparos em um condomínio em São Paulo.
  • Julho 2025: Alvo de operação no Joá, com fuga e posterior entrega à polícia.

Esses episódios reforçam a narrativa policial de que Oruam mantém laços com o Comando Vermelho, especialmente por ser filho de Marcinho VP, preso desde 1996, e por suas tatuagens em homenagem ao pai e ao traficante Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.

Repercussão nas redes sociais

A prisão preventiva de Oruam gerou intensa repercussão nas redes sociais, com divisões entre fãs e críticos. Alguns defendem o rapper, apontando perseguição policial contra artistas periféricos, enquanto outros condenam sua suposta ligação com o crime organizado. Seus 9,1 milhões de seguidores no Instagram e 13 milhões de ouvintes mensais no Spotify amplificam o impacto de suas ações e declarações.

Fernanda Valença, noiva de Oruam, usou as redes para relatar a operação policial, descrevendo-a como abusiva: “Entraram com fuzis, apontaram para nossa cachorra e reviraram a casa sem mandado”. O rapper, em vídeos, reforçou sua identidade periférica e negou ser criminoso, destacando que suas conquistas vieram da música.

  • Apoio dos fãs: Muitos destacam o talento de Oruam e questionam a criminalização do funk.
  • Críticas: Setores da sociedade condenam a exaltação de figuras ligadas ao crime.
  • Debate cultural: O caso reacende discussões sobre a relação entre música e crime.

Implicações legais e culturais

O caso de Oruam reacende o debate sobre a criminalização de artistas do funk e do rap no Brasil. Projetos de lei, apelidados de “Anti-Oruam”, tramitam em cidades como São Paulo, buscando proibir shows que façam apologia ao crime. Críticos dessas propostas argumentam que elas reforçam o preconceito contra a cultura periférica, enquanto defensores apontam a necessidade de coibir a glorificação do tráfico.

A prisão preventiva, sem prazo definido, coloca Oruam em uma situação delicada. A juíza responsável destacou que a medida visa proteger a ordem pública, considerando os indícios de ligação com o Comando Vermelho. A defesa do rapper ainda não teve acesso ao inquérito, mas promete contestar as acusações.

Caminho à frente para Oruam

Após se entregar à polícia, Oruam pediu desculpas aos fãs e prometeu “dar a volta por cima”. Acompanhado da mãe e da noiva, ele se apresentou na Cidade da Polícia, onde foi recebido por apoiadores. Sua trajetória, marcada por sucessos musicais como a faixa “Invejoso”, contrasta com as acusações criminais, criando um cenário de polarização.

  • Próximos passos legais: A defesa deve acessar o inquérito e preparar a estratégia de contestação.
  • Impacto na carreira: Shows e lançamentos podem ser afetados pela prisão.
  • Resposta dos fãs: A base de apoio segue mobilizada nas redes sociais.

O futuro de Oruam dependerá do desenrolar do processo judicial e de sua capacidade de se desvincular das acusações. Enquanto isso, o caso mantém o Rio de Janeiro no centro das discussões sobre segurança, cultura e justiça.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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