As vacinas contra gripe, Covid-19, pneumococo e herpes zoster, disponíveis ou em processo de incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS), reduzem significativamente o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e agravamento de insuficiência cardíaca, segundo uma diretriz publicada em 30 de junho de 2025 pela Sociedade Europeia de Cardiologia no European Heart Journal. O documento, baseado em estudos observacionais e ensaios clínicos, destaca que essas imunizações vão além da prevenção de infecções, atuando como uma ferramenta essencial na proteção cardiovascular, especialmente para idosos e pessoas com doenças crônicas. A vacinação se consolida como um pilar na prevenção de eventos graves, com benefícios que incluem menor mortalidade e hospitalizações.
Os dados apresentados na diretriz mostram que a vacina contra a gripe pode reduzir em até 60% o risco de infecção e em 30% os eventos cardiovasculares graves. Para pacientes que já sofreram infarto, o estudo IAMI revelou que a imunização contra influenza diminui a mortalidade cardiovascular em até 41%. Esses números reforçam a importância da vacinação na saúde pública, especialmente em um contexto de envelhecimento populacional e aumento de doenças crônicas.
- Impacto cardiovascular: Infecções respiratórias aumentam o risco de infarto e AVC.
- Prevenção secundária: Vacinas evitam descompensação de doenças cardíacas preexistentes.
- Eficácia comprovada: Estudos mostram redução significativa em internações e mortes.
- Público-alvo: Idosos, cardiopatas e imunossuprimidos se beneficiam mais.
Benefícios cardiovasculares das vacinas
A diretriz europeia consolida evidências de que infecções respiratórias, como as causadas por influenza, pneumococo e Covid-19, desencadeiam respostas inflamatórias que podem agravar condições cardiovasculares. Quando o sistema imune é ativado por essas infecções, há liberação de citocinas e fatores pró-trombóticos, que desestabilizam placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC. Em pacientes com aterosclerose, essa inflamação pode ser particularmente perigosa, levando a eventos graves.
A vacinação contra a gripe, por exemplo, reduz em até 60% o risco de infecção pelo vírus influenza, o que, por sua vez, diminui em 30% a probabilidade de eventos cardiovasculares graves, como infarto agudo do miocárdio. O estudo IAMI, conduzido com pacientes que sofreram infarto recente, mostrou que a imunização contra a gripe resultou em uma queda de 41% na mortalidade cardiovascular, destacando seu papel na prevenção secundária. A vacina contra o pneumococo, também disponível no SUS, reduz em até 10% o risco de complicações cardiovasculares, sendo uma estratégia custo-efetiva.
Além disso, a vacina contra herpes zoster, em processo de incorporação ao SUS, demonstrou eficácia superior a 90% na prevenção da doença e redução de mais de 50% no risco de eventos cardiovasculares. Esses dados são corroborados por metanálises que reforçam o impacto positivo da imunização na saúde do coração.
Impacto da Covid-19 no coração
A pandemia de Covid-19 trouxe à tona a relação entre infecções respiratórias e complicações cardiovasculares. Pacientes com doenças cardíacas preexistentes têm 30% mais chances de desenvolver Covid longa, caracterizada por sintomas como fadiga, dispneia e dor torácica. A vacinação contra a Covid-19, amplamente disponível no SUS, reduz esse risco em até 43%, além de diminuir a incidência de eventos graves, como arritmias e insuficiência cardíaca.
Estudos apontam que a infecção por SARS-CoV-2 aumenta significativamente o risco de infarto, AVC e morte, especialmente nos primeiros meses após a contaminação. A imunização, com alta cobertura no Brasil (86,78% da população com duas doses, segundo o Ministério da Saúde), tem sido crucial para mitigar esses impactos. No entanto, a adesão à terceira e quarta doses permanece baixa, com apenas 56,67% e 19,83% da população vacinada, respectivamente.
- Covid longa: Pacientes cardíacos têm maior risco de sintomas prolongados.
- Redução de risco: Vacinas diminuem em 43% complicações de longo prazo.
- Cobertura vacinal: Apenas 19,83% receberam a quarta dose contra Covid-19.
- Proteção cardiovascular: Imunização reduz arritmias e insuficiência cardíaca.
Outras vacinas e seus benefícios
Além das vacinas contra gripe e Covid-19, outros imunizantes disponíveis ou em estudo mostram impacto positivo na saúde cardiovascular. A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), indicada para idosos, apresenta 89% de eficácia na prevenção de infecções pulmonares, que podem agravar condições cardíacas. Já a vacina contra o HPV, tradicionalmente associada à prevenção do câncer do colo do útero, reduz em até quatro vezes o risco de doença arterial coronariana e AVC em mulheres imunizadas, com eficácia próxima de 100%.
Esses benefícios são particularmente relevantes para grupos de risco, como idosos, pacientes com insuficiência cardíaca, transplantados e imunossuprimidos. A vacinação contra herpes zoster, por exemplo, além de prevenir a doença, reduz complicações como neuralgia pós-herpética, que podem desencadear estresse cardiovascular.
- VSR: 89% de eficácia na prevenção de infecções pulmonares em idosos.
- HPV: Reduz risco de AVC e doença coronariana em mulheres.
- Herpes zoster: Eficácia de 90% e redução de 50% em eventos cardiovasculares.
- Grupos de risco: Idosos e cardiopatas se beneficiam significativamente.
Baixa adesão à vacinação no Brasil
Apesar dos benefícios comprovados, a cobertura vacinal no Brasil permanece abaixo das metas. Dados do Ministério da Saúde, atualizados em 18 de julho de 2025, mostram que apenas 44,79% do público prioritário contra a influenza foi imunizado, longe da meta de 90%. Esse grupo inclui idosos, crianças de seis meses a menores de seis anos e gestantes. A cobertura contra a Covid-19 também enfrenta desafios, com quedas significativas na adesão às doses de reforço.
A baixa adesão é um problema global, agravado após a pandemia. Doenças como sarampo e coqueluche, antes controladas, voltaram a circular devido à hesitação vacinal. No Brasil, a falta de recomendação médica e a desinformação contribuem para a resistência, especialmente entre cardiopatas, que deveriam priorizar a imunização.
Estratégias para aumentar a cobertura
Aumentar a adesão à vacinação exige esforços conjuntos entre governo, profissionais de saúde e sociedade. Campanhas sazonais, como as de vacinação contra a gripe, precisam ser intensificadas, com foco em grupos de risco. A orientação médica durante consultas e internações é essencial para esclarecer os benefícios cardiovasculares das vacinas.
- Campanhas públicas: Reforçar a importância da vacinação para o coração.
- Educação médica: Incentivar médicos a recomendar vacinas a cardiopatas.
- Acesso facilitado: Ampliar a disponibilidade de vacinas no SUS.
- Combate à desinformação: Esclarecer mitos sobre efeitos adversos.
A integração da vacinação como um pilar da prevenção cardiovascular, ao lado do controle de hipertensão, diabetes e colesterol, é uma estratégia promissora. Cardiologistas recomendam que pacientes com doenças crônicas questionem seus médicos sobre a indicação de vacinas, garantindo uma abordagem proativa na proteção da saúde.
Perspectiva global e desafios futuros
A diretriz da Sociedade Europeia de Cardiologia reforça a vacinação como uma ferramenta global de saúde pública. Em países com sistemas de saúde robustos, como o Brasil, o acesso gratuito às vacinas contra gripe, Covid-19 e pneumococo é uma vantagem significativa. No entanto, a baixa adesão e a desinformação continuam sendo obstáculos a superar.
A vacinação não beneficia apenas os idosos. Jovens com doenças cardiovasculares, gestantes e imunossuprimidos também devem ser priorizados. A incorporação de novas vacinas, como a contra herpes zoster, pode ampliar ainda mais os benefícios cardiovasculares, reduzindo internações e mortes.

