Golpe da maquininha em táxis falsos gera perdas de R$ 4,8 bi em 12 mesesPor Jeronimo Santos
7 min de leitura
![]() |
Criminosos que se passam por taxistas estão aplicando o golpe da maquininha em todo o Brasil, causando prejuízos de R$ 4,8 bilhões em apenas um ano, segundo estimativas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O esquema, que explora a confiança de passageiros distraídos, utiliza maquininhas adulteradas para roubar senhas e cartões, permitindo compras de alto valor. Em 2024, o país registrou mais de dois milhões de casos de estelionato, um aumento de 400% em seis anos, com o golpe da maquininha se destacando como um dos mais comuns. As vítimas, que incluem desde aposentados até médicos, são enganadas em corridas de táxi aparentemente normais, mas conduzidas por falsos motoristas. O crime ocorre em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, mas já se espalha para outras regiões. A tática envolve distração, troca de cartões e máquinas manipuladas, explorando a pressa ou desatenção dos passageiros.
O crescimento alarmante dos estelionatos reflete a sofisticação dos criminosos, que adaptam técnicas para enganar vítimas em situações cotidianas. A nova modalidade do golpe da maquininha, agora associada a falsos táxis, preocupa autoridades pela facilidade de execução e pelo impacto financeiro. Casos como o da aposentada Nunzia Caruso, em São Paulo, e do médico Thales Bretas, no Rio de Janeiro, ilustram a audácia dos golpistas.
- Como funciona o golpe: Criminosos se passam por taxistas e oferecem corridas em veículos que imitam táxis oficiais.
- Tática de distração: Durante o pagamento, simulam problemas na maquininha para capturar senhas e trocar cartões.
- Prejuízo imediato: Vítimas descobrem compras não autorizadas, que chegam a R$ 17 mil, ao checar o extrato bancário.
Mecanismo do golpe e sua execução
O golpe da maquininha em falsos táxis segue um roteiro bem planejado. Criminosos estacionam veículos que parecem táxis legítimos, muitas vezes com adesivos falsificados, em pontos estratégicos de grandes cidades. A vítima, geralmente distraída ou com pressa, entra no carro sem desconfiar. Na hora do pagamento, o golpista alega que a maquininha não aceita PIX ou pagamento por aproximação, exigindo o cartão físico. A máquina, adulterada, registra a senha digitada, enquanto o criminoso simula problemas de conexão, como falta de sinal.

Durante esse processo, o golpista troca o cartão da vítima por outro, muitas vezes pertencente a terceiros. Com a senha e o cartão em mãos, ele realiza compras de alto valor, que variam de R$ 4 mil a R$ 17 mil. A vítima só percebe o golpe ao receber notificações de compras não autorizadas ou ao tentar usar o cartão trocado. Em São Paulo, Nunzia Caruso relatou que o golpista manipulou a maquininha e trocou seu cartão em poucos segundos, resultando em uma compra de R$ 4.900.
- Maquininha adulterada: Equipamentos com botões camuflados ou telas manipuladas registram senhas.
- Troca de cartões: O golpista devolve um cartão falso, mantendo o original da vítima.
- Velocidade do crime: A troca ocorre em momentos de distração, como ao descer do veículo.
- Locais comuns: Aeroportos, rodoviárias e áreas comerciais são alvos frequentes.
Perfil das vítimas e alvos preferenciais
Os alvos do golpe são variados, mas a tática explora situações de vulnerabilidade, como cansaço, pressa ou desconhecimento. Passageiros em grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, são os mais visados, especialmente em locais movimentados, como aeroportos e shoppings. Aposentados, como Nunzia Caruso, são alvos frequentes devido à menor familiaridade com tecnologia. No entanto, até pessoas públicas, como o médico Thales Bretas, já foram enganadas, mostrando que o golpe não discrimina classes sociais.
O caso de Thales, no Rio de Janeiro, revela a ousadia dos criminosos. Ele foi pressionado a descer do carro sob a falsa alegação de que o veículo “fervia” e poderia explodir. Durante a encenação, o golpista usou uma maquininha sem visor, exibindo a transação em um celular, e realizou uma compra de R$ 4.215. Casos como esse demonstram a capacidade dos criminosos de criar cenários convincentes para distrair as vítimas.
Resposta das autoridades e prevenção
As polícias de diversos estados intensificaram investigações para desmantelar quadrilhas especializadas no golpe da maquininha. Em São Paulo, a Delegacia de Crimes Eletrônicos identificou pelo menos 20 grupos atuando na capital em 2024. As autoridades recomendam que os passageiros verifiquem a legitimidade do táxi antes de entrar, utilizando aplicativos confiáveis ou pontos de táxi regulamentados. Além disso, orientam que as vítimas registrem boletim de ocorrência imediatamente e entrem em contato com o banco para bloquear o cartão.
- Verificação do táxi: Confirme a identificação do motorista e a licença do veículo.
- Uso de aplicativos: Prefira serviços de transporte regulamentados, como Uber ou 99.
- Atenção ao pagamento: Desconfie de maquininhas que exigem cartão físico ou apresentam erros.
- Ação rápida: Bloqueie o cartão assim que notar qualquer irregularidade no extrato.
Escala do problema e impacto econômico
O aumento de 400% nos casos de estelionato em seis anos reflete a crescente sofisticação dos criminosos e a dificuldade de prevenção. Em 2024, o Brasil registrou uma média de quatro vítimas por minuto, totalizando mais de dois milhões de casos. O golpe da maquininha, em particular, gerou perdas estimadas em R$ 4,8 bilhões em 12 meses, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Esses números alarmantes impactam não apenas as vítimas, mas também o sistema financeiro, que enfrenta custos com reembolsos e investigações.
O golpe se espalha rapidamente devido à facilidade de adulteração de maquininhas e à falta de regulamentação em alguns pontos de táxi. Cidades menores também começaram a registrar casos, indicando que o crime não está restrito aos grandes centros. A disseminação do golpe exige maior conscientização e medidas preventivas tanto por parte dos cidadãos quanto das autoridades.
Estratégias dos golpistas e evolução do crime
Os criminosos por trás do golpe da maquininha demonstram alta capacidade de adaptação. Além da troca de cartões, alguns utilizam maquininhas com telas falsas, que exibem valores diferentes dos registrados. Outros criam cenários de urgência, como simular problemas mecânicos no veículo, para pressionar as vítimas a agir rapidamente. A tática de usar falsos táxis é uma evolução de golpes anteriores, que se limitavam a maquininhas adulteradas em comércios.
- Novas táticas: Uso de veículos clonados ou adesivos falsos para imitar táxis oficiais.
- Sofisticação tecnológica: Maquininhas com softwares que capturam dados em tempo real.
- Exploração psicológica: Golpistas criam cenários de urgência para reduzir a cautela da vítima.
- Redes organizadas: Quadrilhas operam em grupos, dividindo tarefas como captação de vítimas e uso dos cartões roubados.
Medidas de proteção para os consumidores
A prevenção é a melhor ferramenta contra o golpe da maquininha. Especialistas recomendam que os consumidores fiquem atentos a sinais de irregularidades, como maquininhas sem visor ou motoristas que insistem em pagamentos com cartão físico. Além disso, é fundamental checar o extrato bancário regularmente e ativar notificações de transações em tempo real. Bancos também têm investido em tecnologias antifraude, como autenticação biométrica, mas a responsabilidade ainda recai sobre o consumidor.
- Uso de PIX: Prefira pagamentos digitais que não exigem cartão físico.
- Monitoramento constante: Ative alertas de transações no aplicativo do banco.
- Denúncia imediata: Registre o crime e contate o banco assim que identificar o golpe.
- Educação digital: Conheça os sinais de maquininhas adulteradas, como botões suspeitos ou telas opacas.







