Guarani pede anulação de jogo da Série C por erro arbitral com 12 jogadores em campoPor Jeronimo Santos
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O Guarani protocolou, em 23 de julho de 2025, um pedido formal no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para anular a partida contra o Anápolis, disputada no dia 21, pela 13ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, no Estádio Jonas Duarte, em Anápolis (GO). A equipe campineira alega erro de direito da arbitragem, liderada por Marcello Ruda Neves, do Distrito Federal, por permitir que o Anápolis atuasse com 12 jogadores em campo durante cerca de três minutos no segundo tempo. O jogo terminou com vitória do time goiano por 2 a 0, mas o Bugre sustenta que a infração comprometeu a lisura da competição, justificando a remarcação do confronto. A ação, encabeçada pelo advogado João Chiminazzo, inclui imagens e vídeos como provas e solicita a suspensão do resultado até o julgamento, para evitar impactos na tabela da competição.
A controvérsia ganhou destaque no futebol brasileiro, reacendendo debates sobre a qualidade da arbitragem e a aplicação das regras. O caso, que envolve uma infração clara – a presença de um jogador a mais em campo – pode marcar a Série C e levantar questões sobre a gestão arbitral em competições nacionais. O pedido do Guarani aguarda avaliação do presidente do STJD, Luís Otávio Veríssimo, que decidirá se o caso será levado a julgamento. A seguir, detalhes do lance polêmico e suas implicações.
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O incidente ocorreu aos 25 minutos do segundo tempo, durante uma cobrança de escanteio a favor do Guarani. Imagens anexadas pelo clube mostram o Anápolis com 11 jogadores de linha, além do goleiro, na área defensiva, configurando uma infração às regras do futebol.
- O atacante João Celeri, que deveria ter saído após ser substituído por Igor Cássio, permaneceu em campo.
- Celeri participou ativamente, cabeceando a bola em um lance defensivo.
- A arbitragem só percebeu a irregularidade após reclamações do Guarani, quando Celeri já estava no banco.
- O jogador recebeu cartão amarelo aos 28 minutos por “retornar ao campo sem autorização”.
Detalhes do lance polêmico
O momento crucial aconteceu em um escanteio a favor do Guarani, quando o placar já marcava 2 a 0 para o Anápolis, com gols de Kadu e André no primeiro tempo. O Bugre pressionava em busca de um gol que pudesse mudar o rumo da partida. Durante a cobrança, João Celeri, que deveria ter deixado o campo após a entrada de Igor Cássio, permaneceu na área e afastou a bola com uma cabeçada, neutralizando a jogada ofensiva. Após a bola sair pela linha de fundo, jogadores do Guarani alertaram o quarto árbitro, Osimar Moreira da Silva Júnior, que comunicou o árbitro principal. Celeri, já no banco, foi advertido com cartão amarelo, mas a súmula da partida não esclarece se ele saiu e retornou ao gramado ou permaneceu durante a substituição. A transmissão oficial também não capturou o momento exato da saída do jogador, reforçando a tese de falha arbitral. O advogado João Chiminazzo destacou que a infração comprometeu a integridade do jogo, apoiando-se no artigo 259, parágrafo 1º, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que prevê anulação em casos de erro de direito relevante.
Elenco bugrino seguiu para Sorocaba, nesta tarde, dando continuidade à preparação com concentração total no Dérbi 210. 🇳🇬
— Guarani Futebol Clube (@guaranifc) July 29, 2025
📸 Raphael Silvestre/GuaraniFC pic.twitter.com/HzhqPS68e5
Base jurídica do pedido
A argumentação do Guarani se fundamenta em uma interpretação rigorosa das regras do futebol e do CBJD. O erro de direito, conforme definido no artigo 259, ocorre quando a arbitragem aplica incorretamente as normas do jogo, diferentemente do erro de fato, que envolve falhas de percepção sem impacto direto nas regras. No caso, a presença de 12 jogadores em campo é considerada uma violação grave, com potencial de alterar o resultado da partida.
- O artigo 259, parágrafo 1º, do CBJD estabelece: “A partida poderá ser anulada se ocorrer, comprovadamente, erro de direito relevante o suficiente para alterar seu resultado”.
- O Guarani alega que a participação de Celeri em um lance defensivo pode ter evitado um gol.
- Imagens e vídeos apresentados pelo clube comprovam a presença de 12 jogadores na área.
- A súmula do árbitro confirma a advertência a Celeri, mas não detalha a dinâmica da substituição.
Apesar da clareza da infração, especialistas apontam que o CBJD valoriza o princípio da pró-competição, que busca evitar anulações para preservar a continuidade dos campeonatos. O advogado Carlos Henrique Ramos, em entrevista à imprensa, reconheceu o erro de direito, mas ponderou que a anulação depende da comprovação de impacto direto no placar. O Guarani insiste que a vantagem numérica do Anápolis comprometeu suas chances de reação no jogo.
Reações e posicionamento do Anápolis
O Anápolis, por meio de sua assessoria de imprensa, emitiu nota afirmando que não há motivos para a anulação da partida. O clube goiano confia na decisão do STJD e argumenta que os gols foram marcados no primeiro tempo, antes da irregularidade, o que reduziria o impacto do erro no resultado final. A vitória por 2 a 0 tirou o Anápolis da lanterna da Série C, elevando-o à 16ª posição, com 13 pontos, mesma pontuação do Confiança, mas atrás no número de vitórias. Já o Guarani, com 16 pontos, estacionou na 12ª colocação, dois pontos atrás do G-8, perdendo a chance de se aproximar da zona de classificação.
A diretoria do Anápolis reforçou que a substituição foi um erro pontual e que a arbitragem agiu ao advertir o jogador. No entanto, o clube não detalhou como Celeri permaneceu em campo, limitando-se a defender a validade do resultado. A CBF, responsável pela organização da Série C, ainda não se pronunciou oficialmente, mas a expectativa é que o STJD emita uma posição preliminar nos próximos dias.
Histórico de anulações no futebol brasileiro
Casos de anulação de partidas por erros de arbitragem são raros no Brasil, mas existem precedentes que alimentam a esperança do Guarani. Em 2016, uma partida da Série C entre Aparecidense e Tupi foi anulada devido à interferência externa na decisão arbitral. Outro caso, em 2019, envolveu Vasco e Flamengo no Campeonato Carioca, mas o pedido de anulação por situação semelhante não prosperou por falta de provas conclusivas.
- Em 2016, a anulação de Aparecidense x Tupi foi baseada em interferência de um gandula.
- No Carioca de 2019, o Vasco alegou erro em substituição, mas o STJD negou o pedido.
- O Guarani aposta na clareza das imagens e na participação ativa de Celeri no lance.
- A decisão do STJD pode estabelecer um precedente para casos futuros na Série C.
O histórico mostra que anulações dependem de evidências robustas e da comprovação de que o erro alterou diretamente o resultado. O Guarani, ciente disso, reforçou sua petição com vídeos e imagens, buscando demonstrar a relevância do erro para o desenrolar do jogo.
Próximos passos no STJD
O pedido do Guarani foi protocolado com um requerimento liminar para suspender a homologação do resultado, evitando impactos na tabela até o julgamento. O presidente do STJD, Luís Otávio Veríssimo, analisará o caso para decidir se ele será levado a plenário. O processo pode levar semanas, dependendo da complexidade e da agenda do tribunal. Enquanto isso, o Guarani se prepara para enfrentar o Náutico, no dia 26 de julho, às 17h, no Estádio Brinco de Ouro, em Campinas, pela 14ª rodada da Série C. O Anápolis, por sua vez, encara o Figueirense, no dia 27, às 16h30, no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis.
A decisão do STJD será crucial não apenas para as equipes envolvidas, mas também para a credibilidade da arbitragem brasileira. O caso expõe fragilidades na condução de substituições e no controle arbitral, reacendendo o debate sobre a profissionalização dos árbitros e o uso de tecnologias como o VAR, ainda ausente na Série C.
Outras polêmicas na partida
Além do erro com os 12 jogadores, o Guarani incluiu no pedido outras falhas da arbitragem que, segundo o clube, configuram erros de direito. No primeiro minuto de jogo, o volante André, do Anápolis, cometeu uma entrada dura no atacante Bruno Santos, mas não foi expulso. O mesmo jogador marcou o segundo gol do time goiano, em um chute de fora da área. Outro lance questionado foi o pênalti que resultou no primeiro gol do Anápolis, em que Kadu invadiu a área antes da cobrança, mas a penalidade não foi revisada.
- Entrada de André em Bruno Santos, no início do jogo, foi considerada faltosa, mas sem expulsão.
- Kadu invadiu a área no pênalti, mas o árbitro validou o gol após rebote.
- A súmula da partida não menciona revisão de lances polêmicos pelo árbitro.
Esses incidentes aumentam a indignação do Guarani, que considera a atuação de Marcello Ruda Neves determinante para o resultado adverso. A combinação de erros reforça a narrativa do clube de que a arbitragem comprometeu a competitividade do jogo.
Implicações para a Série C
O desfecho do caso pode alterar a dinâmica da Série C, especialmente na luta contra o rebaixamento e pela classificação ao G-8. O Guarani, com 16 pontos, busca se aproximar da zona de playoffs, enquanto o Anápolis luta para deixar o Z-4. Uma eventual anulação do jogo forçaria a remarcação da partida, com possíveis mudanças na tabela e no calendário da competição. A CBF, pressionada por críticas à arbitragem, pode enfrentar novos questionamentos sobre a gestão da Série C, que não conta com VAR, ao contrário das Séries A e B.
O caso também destaca a importância de maior rigor na fiscalização de substituições, um procedimento que, embora simples, pode gerar impactos significativos. A decisão do STJD será acompanhada de perto por clubes, torcedores e especialistas, que aguardam um desfecho que equilibre justiça esportiva e a continuidade da competição.















