Muller dispara contra futebol atual: “Jogadores de hoje têm cérebro de passarinho”Por Thiago Lemos
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Luís Antônio Corrêa da Costa, conhecido como Muller, ex-atacante do São Paulo, Palmeiras e seleção brasileira, afirmou em entrevista que o futebol moderno prioriza força física em detrimento da inteligência e do talento individual. Aos 59 anos, o comentarista da TV Gazeta, que brilhou nas décadas de 1980 e 1990, criticou a nova geração de jogadores, chamando-os de “cérebro de passarinho” por pensarem pouco em campo. A declaração foi feita em São Paulo, no programa Abre Aspas, da Globo, no dia 1º de agosto de 2025. Muller, que conquistou a Copa do Mundo de 1994 e dois Mundiais de Clubes, atribui a queda de qualidade no futebol brasileiro à obsessão por táticas e à influência de treinadores estrangeiros. Ele também negou o caso da “água batizada” na Copa de 1990 e explicou por que não seguiu carreira como técnico. O ex-jogador defende que os reservas da seleção de 1994 seriam mais competitivos que os titulares atuais, reacendendo o debate sobre a evolução do futebol.
O ex-atacante, que jogou em clubes como São Paulo, Palmeiras, Torino e Corinthians, destacou a diferença entre o futebol de sua época e o atual. Segundo ele, a individualidade, marca do jogador brasileiro, foi substituída por esquemas táticos rígidos. “Antigamente, a gente pensava antes de jogar. Hoje, corre muito e pensa depois”, afirmou. Muller também relembrou momentos marcantes de sua carreira, como o gol decisivo no Mundial de 1993 contra o Milan, e revelou detalhes de sua relação com técnicos históricos, como Telê Santana e Vanderlei Luxemburgo.
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- Principais críticas de Muller ao futebol atual:
- Excesso de força física e pouca inteligência em campo.
- Perda da essência do drible e da individualidade brasileira.
- Influência negativa de táticas modernas e treinadores estrangeiros.
Muller acredita que, se jogasse hoje, poderia disputar o título de melhor do mundo, desde que atuasse na Europa. “Vários contemporâneos meus brigariam pelo prêmio todo ano”, disse, citando a necessidade de jogar em grandes ligas para ganhar visibilidade.
Individualidade x tática: O que mudou no futebol
Muller aponta que o futebol brasileiro perdeu sua essência ao priorizar esquemas táticos em vez do talento individual. Ele exemplifica com a seleção de 1994, onde reservas como Ronaldo, Cafu e ele próprio tinham qualidade para superar os titulares atuais. “A individualidade sempre venceu Copas. Hoje, falta isso na seleção”, analisou. O ex-jogador critica a formação de base, onde jovens são orientados a evitar dribles e tocar a bola para trás, o que, para ele, contraria a tradição brasileira.
O impacto de treinadores estrangeiros também é alvo de Muller. Ele elogia Abel Ferreira, do Palmeiras, por se adaptar à cultura brasileira, mas critica nomes como Sampaoli e Vitor Pereira, que, segundo ele, não deixaram legado. “O Abel entende o nosso futebol, mas outros vêm, recebem pompa e não entregam nada”, disparou. Para Muller, a presença de técnicos estrangeiros em mais da metade dos clubes da Série A reflete uma crise na formação de treinadores brasileiros.
- Fatores que prejudicam o futebol brasileiro, segundo Muller:
- Excesso de técnicos estrangeiros sem resultados expressivos.
- Falta de valorização da base e dos jovens talentos.
- Prioridade a esquemas táticos em vez de criatividade.
- Pouca paciência com jogadores em formação.
O ex-atacante também destacou a qualidade dos times em que jogou, como o São Paulo de 1986 e o Palmeiras de 1996, que considera superiores tecnicamente a muitos elencos atuais. “O Palmeiras de 96 era insaciável, fazia gols sem se acomodar”, relembrou.
Carreira multifuncional e momentos marcantes
Muller se define como um jogador versátil, capaz de atuar em quatro posições no ataque com alto desempenho. Ele atribui seu sucesso à capacidade de improvisar, algo que, segundo ele, está em falta no futebol atual. “Na minha época, era 90% improviso na frente. Hoje, é o contrário”, explicou. Entre os momentos mais marcantes de sua carreira, ele cita o gol contra o Milan no Mundial de 1993, que resultou de um lance fortuito, quando a bola bateu em seu calcanhar após rebote do goleiro Rossi.
O ex-jogador também relembrou sua passagem pelo Torino, na Itália, onde foi o segundo estrangeiro mais bem pago, atrás apenas de Maradona. Apesar de não ter atingido o mesmo brilho que no Brasil, Muller justifica sua escolha de permanecer no clube por questões pessoais e pelo ambiente favorável que encontrou. “Não quis ir para Milan ou Barcelona. Criei raízes no Torino”, revelou.
- Conquistas mais marcantes de Muller:
- Copa do Mundo de 1994 com a seleção brasileira.
- Mundiais de Clubes de 1992 e 1993 pelo São Paulo.
- Campeonato Brasileiro de 1986 e 1991 pelo São Paulo.
- Campeonato Paulista de 1996 pelo Palmeiras.
Muller também negou que sua vida extracampo, marcada por noites agitadas, tenha prejudicado seu desempenho. “Eu era jovem, o metabolismo ajudava. Chegava virado da noite e fazia dois gols no domingo”, contou, destacando que o talento compensava a falta de disciplina em alguns momentos.
Bastidores do futebol e polêmicas
O ex-atacante não poupou críticas aos bastidores do futebol, que considera “sujos” por questões extracampo, embora não tenha detalhado exemplos específicos. “O campo é imaculado, mas o que acontece fora dele é complicado”, afirmou. Muller também abordou o famoso caso da “água batizada” na Copa de 1990, quando a Argentina teria oferecido água com tranquilizantes ao lateral Branco. Ele classificou a história como “mito” e “folclore criado por Maradona”, garantindo que nada aconteceu.
Sobre sua relação com Telê Santana, Muller revelou uma mágoa antiga. Após a derrota para o Vélez na Libertadores de 1994, o técnico teria dito à diretoria que ele e Palhinha estavam “acabados”. “Fiquei chateado, porque conquistamos muito juntos. Depois provei que ainda tinha muito a oferecer”, desabafou. Apesar disso, ele reconhece a importância de Telê em sua carreira, mas destaca Vanderlei Luxemburgo como o treinador mais completo com quem trabalhou.
- Declarações polêmicas de Muller:
- Nega o caso da “água batizada” na Copa de 1990.
- Critica Telê Santana por comentário após derrota em 1994.
- Chama bastidores do futebol de “sujos” sem citar exemplos.
Por que Muller não virou treinador
Muller explicou que nunca quis ser técnico devido à falta de paciência com jogadores de baixo desempenho. “Hoje, se você chama a atenção de um jogador, ele te processa por assédio moral. Na minha época, o treinador gritava, e era normal”, comparou. Ele também criticou a mentalidade dos jogadores atuais, que, segundo ele, são influenciados por redes sociais e empresários antes de ouvir os treinadores. “O jogador olha o celular no intervalo do jogo. Isso não é bom”, lamentou.
O ex-atacante elogiou a liberdade que tem como comentarista na TV Gazeta, onde trabalha desde 2006. Ele admite que, no início, tinha dificuldade com as câmeras, mas hoje se sente à vontade. “No começo, a câmera me engolia. Hoje, eu engulo a câmera”, brincou. Muller também revelou que evita ler comentários nas redes sociais, sejam positivos ou negativos, para não se tornar “refém” da opinião pública.
- Motivos para Muller não ser treinador:
- Falta de paciência com jogadores menos talentosos.
- Mudança na mentalidade dos atletas atuais.
- Rejeição a táticas modernas que limitam a criatividade.
Neymar e a seleção brasileira
Sobre a seleção brasileira, Muller acredita que Neymar ainda pode ser decisivo, mas apenas se estiver em boa forma física. “Se ele jogar perto da área, pode ser protagonista. Mas o Neymar de hoje não é mais o que driblava do meio-campo”, analisou. Ele também defendeu que a chegada de Carlo Ancelotti pode ajudar, mas destacou que o técnico dependerá da individualidade dos jogadores, já que o tempo de treino é curto. “Ancelotti vai ter que fechar a defesa e contar com o talento de Vini Jr., Raphinha e Neymar”, afirmou.
Muller comparou o jejum atual de títulos mundiais com o de 1994, quando o Brasil encerrou 24 anos sem Copa. Para ele, a solução está em recuperar a essência do futebol brasileiro. “Sempre vencemos com individualidade. Hoje, falta isso na seleção”, reiterou.
- Sugestões de Muller para a seleção:
- Valorizar a individualidade de jogadores como Neymar e Vini Jr.
- Reforçar a defesa para liberar o ataque.
- Resgatar a essência do drible e da criatividade.
O ex-jogador também destacou a importância de treinadores que entendam a cultura brasileira, como Abel Ferreira, e criticou a falta de oportunidades para técnicos nacionais. “Metade dos clubes da Série A tem treinador estrangeiro. Isso é uma vergonha para os brasileiros”, disparou.















