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O Botafogo enviou uma notificação formal ao Olympique Lyonnais, cobrando R$ 770 milhões por dívidas relacionadas a transferências de jogadores como Thiago Almada, Igor Jesus, Jair e Jefferson Savarino. A ação, liderada pelo CEO da SAF alvinegra, Thairo Arruda, foi formalizada em 18 de julho de 2025, em resposta a prejuízos financeiros causados por acordos não cumpridos pelo clube francês. O documento aponta que o Lyon, integrante da rede Eagle Football, não pagou valores devidos por negociações, forçando o Botafogo a arcar com juros de bancos que adiantaram pagamentos. A disputa, que envolve quatro instituições financeiras e contratos assinados entre 2024 e 2025, expõe tensões na gestão multiclubes de John Textor. A cobrança ocorre após o Lyon enfrentar sanções da DNCG, órgão regulador do futebol francês, que impediu o clube de registrar novos atletas.

A notificação detalha que o Botafogo realizou transações para apoiar o Lyon em sua crise financeira, mas acabou prejudicado por vendas abaixo do valor de mercado. O clube carioca alega que as negociações foram feitas para ajudar o fluxo de caixa do time francês, mas resultaram em perdas significativas. A situação ganhou destaque após a imprensa brasileira revelar o conteúdo da carta enviada ao Lyon.

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  • Principais jogadores envolvidos: Thiago Almada, Igor Jesus, Jair e Jefferson Savarino.
  • Motivo da cobrança: Não pagamento de transferências e juros de financiamentos.
  • Prazo estipulado: 30 dias a partir de 18 de julho de 2025.
  • Instituições financeiras: Macquarie Bank, GCS Funding, PRPF LLC e EMSO Private Credit Fund.

Detalhes das negociações frustradas

O Botafogo detalhou na carta as transações que geraram o conflito financeiro com o Lyon. As negociações envolviam quatro jogadores, mas apenas Thiago Almada chegou a atuar pelo clube francês, em um empréstimo sem custos para o Lyon, com o Botafogo arcando com os salários. As vendas de Igor Jesus, Jair e Savarino, acordadas em 2024 e 2025, não foram concretizadas com o Lyon devido ao transferban imposto pela DNCG, que proibiu o clube francês de registrar novos atletas por problemas financeiros.

Thiago Almada, por exemplo, teve sua transferência para o Lyon acertada por € 27 milhões em outubro de 2024, mas o clube carioca não recebeu o valor devido à proibição. Seis meses depois, Almada foi vendido ao Atlético de Madrid por € 23 milhões, gerando um prejuízo de € 4 milhões. Para cobrir o valor, o Botafogo negociou com o Macquarie Bank e a GCS Funding, que adiantaram € 27,18 milhões e € 9,18 milhões, respectivamente. Esses acordos, assinados em janeiro e fevereiro de 2025, agora são cobrados do Lyon.

Igor Jesus, outro destaque, foi negociado com o Lyon por US$ 43,13 milhões, mas acabou transferido ao Nottingham Forest por um valor menor, após o Botafogo firmar um contrato com a PRPF LLC, que adiantou US$ 31,76 milhões. O caso de Jair seguiu padrão semelhante, com a EMSO Private Credit Fund adquirindo recebíveis de € 16,19 milhões, enquanto Savarino, cuja venda foi acordada por € 7,6 milhões, permaneceu no elenco alvinegro por decisão pessoal.

Papel dos bancos no financiamento

Os acordos com instituições financeiras foram cruciais para o Botafogo manter sua operação durante o período em que o Lyon não honrou os pagamentos. A carta enviada por Thairo Arruda destaca quatro bancos envolvidos nas transações:

  • Macquarie Bank: Adiantou € 27,18 milhões para a venda de Thiago Almada, com contrato assinado em 17 de janeiro de 2025.
  • GCS Funding: Forneceu € 9,18 milhões adicionais para a mesma negociação, em 5 de fevereiro de 2025.
  • PRPF LLC: Adquiriu recebíveis de US$ 31,76 milhões para a transferência de Igor Jesus, em 21 de dezembro de 2024.
  • EMSO Private Credit Fund: Comprou € 16,19 milhões para Jair e € 5,58 milhões para Savarino, em 19 de março de 2025.

Esses financiamentos permitiram que o Botafogo recebesse os valores antecipadamente, mas a carta enfatiza que o Lyon é responsável por ressarcir os bancos. A falta de pagamento gerou juros elevados, que o clube carioca alega ter arcado injustamente, reforçando a cobrança de R$ 770 milhões.

Impacto da crise do Lyon no Botafogo

A crise financeira do Lyon, que acumula dívidas de cerca de € 500 milhões, afetou diretamente a gestão do Botafogo. Em novembro de 2024, a DNCG impôs sanções ao clube francês, incluindo a proibição de contratar novos jogadores e a ameaça de rebaixamento à Ligue 2. Para evitar a punição, o Botafogo repassou parte das premiações do Mundial de Clubes e aceitou negociar jogadores em condições desfavoráveis, segundo a carta de Thairo Arruda.

As negociações foram feitas com base no conceito de “família Eagle”, no qual os clubes da holding de John Textor deveriam operar como uma única empresa, ajudando-se mutuamente. No entanto, o Botafogo alega que os esforços para apoiar o Lyon resultaram em perdas significativas, especialmente por aceitar valores abaixo do mercado para jogadores como Igor Jesus e Jair, transferidos para o Nottingham Forest.

A tensão financeira também gerou atritos com a Eagle Football Holdings. Executivos da holding processaram John Textor na Justiça do Rio, acusando-o de tomar medidas unilaterais, como a criação de uma empresa nas Ilhas Cayman para transferir ativos do Botafogo. A Justiça brasileira, no entanto, congelou as ações da Eagle na SAF alvinegra, garantindo a permanência de Textor no comando do clube carioca.

Multas por falhas no TMS

Além dos valores devidos pelas transferências, o Botafogo cobra multas do Lyon por descumprimento de cláusulas contratuais. A carta aponta que o clube francês falhou ao não registrar os dados das transferências de Thiago Almada e Igor Jesus no Transfer Matching System (TMS) dentro do prazo estipulado. Essa falha, segundo o documento, aciona uma cláusula que prevê o pagamento integral dos valores acordados:

  • Thiago Almada: Multa de € 27,75 milhões, referente ao contrato de € 27,07 milhões.
  • Igor Jesus: Multa de US$ 43,13 milhões, correspondente ao valor total do contrato.
  • Prazo de pagamento: 30 dias, contados a partir de 18 de julho de 2025.
  • Justificativa: O Lyon era responsável por iniciar o processo no TMS, mas não cumpriu o prazo.

Essas multas, que totalizam mais de R$ 410 milhões, são parte central da cobrança do Botafogo, que busca recuperar os prejuízos causados pela inadimplência do Lyon.

Repercussão no futebol brasileiro e francês

A disputa entre Botafogo e Lyon ganhou destaque na imprensa brasileira e internacional, evidenciando os desafios de gestões multiclubes. O Botafogo, atual campeão da Libertadores e do Brasileirão, enfrenta questionamentos sobre sua transparência financeira, já que a SAF alvinegra ainda não publicou o balanço de 2025, cujo prazo venceu em abril. John Textor justificou o atraso citando a análise de documentos para uma possível abertura de capital na Bolsa de Nova York.

No Lyon, a crise levou à saída de Textor da presidência, com Michele Kang assumindo o cargo e Michael Gerlinger como CEO. A injeção de € 100 milhões por acionistas, sem apoio de Textor, evitou o rebaixamento do clube francês. A situação expõe fragilidades no modelo de gestão da Eagle Football, que prometia integração financeira entre seus clubes, mas agora enfrenta disputas judiciais e cobranças públicas.

Próximos passos da disputa

O Botafogo estipulou um prazo de 30 dias, a partir de 18 de julho, para que o Lyon regularize os pagamentos, sob risco de ações judiciais. A carta de Thairo Arruda reforça que o clube carioca busca uma solução amigável, mas está preparado para recorrer à Justiça caso o Lyon não cumpra as obrigações. A SAF alvinegra também planeja medidas corporativas, como novos aportes de capital, para garantir sua estabilidade financeira, caso o reembolso não seja viabilizado.

  • Ações possíveis do Botafogo: Acionar a Justiça brasileira e internacional para cobrança.
  • Envolvimento da Eagle: A holding pode mediar a disputa, mas enfrenta seus próprios conflitos com Textor.
  • Impacto no elenco: A saída de jogadores como Almada e Igor Jesus já enfraqueceu o time para 2025.
  • Resposta do Lyon: O clube francês contesta o valor total da dívida, alegando ser menor.

A disputa financeira entre Botafogo e Lyon marca um momento crítico para a gestão de John Textor, que busca equilibrar os interesses de seus clubes em meio a tensões financeiras e jurídicas. O desfecho do caso pode redefinir as relações dentro da Eagle Football e impactar o planejamento do Botafogo para a próxima temporada.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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