Médica relata últimos momentos de Preta Gil e sua luta incansável contra o câncer

7 min de leitura
Carolina Dieckmmann fala sobre últimos momentos de Preta Gil Foto: Carolina Dieckmmann fala sobre últimos momentos de Preta Gil - Foto: Instagram

Preta Gil, uma das vozes mais vibrantes da música brasileira, faleceu em agosto de 2025, aos 50 anos, após uma luta de dois anos e meio contra um câncer de intestino. Acompanhada pela cardiologista Roberta Saretta, do Hospital Sírio-Libanês, a artista buscou tratamento experimental nos Estados Unidos, mas não resistiu à progressão da doença. Em entrevista exclusiva, a médica detalhou os últimos momentos de Preta na ambulância, em Nova York, quando a cantora, já debilitada, expressou seu desejo de voltar ao Brasil, mas disse: “Não dou conta”. O drama ocorreu dias antes do seu 51º aniversário, em 8 de agosto, data marcada por homenagens de fãs e amigos. A trajetória de Preta, cheia de amor e energia, deixou um legado de alegria e força para milhares de pessoas.

A batalha de Preta contra o câncer começou em janeiro de 2023, com um diagnóstico de tumor intestinal, após um sangramento que a levou à internação no Rio de Janeiro. Acompanhada de perto pela família e amigos, ela enfrentou quimioterapia, cirurgias e momentos de remissão, sempre com uma energia contagiante. Sua história, contada por Saretta, reflete não apenas a luta contra a doença, mas também a essência de uma mulher que viveu intensamente até o fim.

Preta Gil
Preta Gil – Foto: Instagram
  • Momentos marcantes: Preta organizava festas no quarto do hospital, com amigos como Ivete Sangalo.
  • Apoio familiar: Flora e Gilberto Gil foram fundamentais no suporte emocional e logístico.
  • Tratamento experimental: A busca por novas terapias nos EUA foi uma tentativa de prolongar a vida.

A médica, que criou um vínculo profundo com a família Gil, descreveu a convivência com Preta como uma experiência de aprendizado e emoção.

Início da jornada contra o câncer

O diagnóstico de câncer de intestino de Preta Gil veio em um momento conturbado, em janeiro de 2023, quando ela enfrentava uma separação amorosa e complicações de saúde. Internada na Clínica São Vicente, no Rio, ela iniciou quimioterapia, mas respondeu mal ao tratamento inicial. Roberta Saretta, cardiologista do Sírio-Libanês, já próxima da família Gil desde 2016, assumiu um papel central no acompanhamento. “Eu sabia que seria difícil convencê-la a fazer exames, então armei uma estratégia com Flora e Gilberto para trazê-la a São Paulo”, contou a médica.

No hospital, Preta foi submetida a uma bateria de exames que confirmaram a gravidade do quadro. Apesar das dificuldades, ela enfrentou o tratamento com otimismo, mantendo o quarto sempre cheio de amigos e familiares. Após um ano de remissão, a doença voltou de forma agressiva, com metástases em linfonodos pélvicos, fígado e pulmões.

  • Primeira internação: Janeiro de 2023, após sangramento intestinal.
  • Remissão temporária: Um ano sem sinais da doença, com exames de controle.
  • Recaída: PET-Scan de 2024 revelou retorno do câncer em estágio avançado.
  • Cirurgia complexa: Dezembro de 2024, retirada de partes do aparelho digestivo.

A progressão rápida do câncer exigiu decisões difíceis, incluindo a busca por tratamentos experimentais fora do Brasil.

Tratamento experimental nos Estados Unidos

Em março de 2025, um novo exame revelou que o câncer havia se espalhado para outros órgãos, reduzindo a expectativa de vida de Preta para seis a oito meses. Determiada a lutar, ela optou por um protocolo experimental em um centro médico na Virgínia, nos EUA. A médica Roberta Saretta acompanhou a cantora nas primeiras consultas, enquanto amigos próximos, como a empresária Marina Morena, ajudaram a viabilizar o acesso ao tratamento.

A terapia-alvo, uma quimioterapia intravenosa voltada para mutações específicas do tumor, trouxe esperança inicial. No entanto, complicações como uma infecção e o enfraquecimento dos rins interromperam o protocolo. “Após cinco sessões, a doença progrediu, e os rins dela não aguentaram”, explicou Saretta. A decisão de voltar ao Brasil foi tomada às pressas, mas Preta não resistiu ao trajeto até o aeroporto.

  • Dificuldade de acesso: Muitos centros nos EUA negaram a participação de Preta em estudos.
  • Terapia-alvo: Focada em mutações genéticas, mas ineficaz contra o tumor viloso.
  • Complicações: Infecção e falência renal interromperam o tratamento.

A busca por tratamentos experimentais reflete a determinação de Preta em viver além do prognóstico.

Legado de alegria e conexão

Preta Gil era conhecida por sua energia festiva, mesmo nos momentos mais difíceis. Durante internações, seu quarto no Sírio-Libanês era um ponto de encontro para amigos, artistas e familiares. “Era uma festa constante, com até 20 pessoas às vezes”, lembrou Saretta. Ivete Sangalo, por exemplo, chegou a visitar Preta após um show, esperando em silêncio até a cantora acordar.

Essa capacidade de unir pessoas foi um traço marcante de Preta. Mesmo em tratamento, ela planejava festas, como a celebração de 50 anos que pediu para adiar um exame importante. Sua conexão com a família, especialmente com Flora e Gilberto Gil, foi essencial para enfrentar a doença.

  • Quarto de hospital: Sempre cheio de amigos, com momentos de risadas e música.
  • Vínculo familiar: Flora e Gilberto Gil apoiaram Preta em todas as etapas.
  • Personalidade vibrante: Preta mantinha o bom humor, mesmo em dias difíceis.

O legado de Preta Gil vai além da música, inspirando milhares com sua coragem e amor pela vida.

Últimos momentos em Nova York

Os últimos dias de Preta Gil foram marcados por tentativas de retornar ao Brasil. Após a interrupção do tratamento experimental, Saretta e Flora chegaram a Nova York para organizar a volta em um avião UTI. Na ambulância, a caminho do aeroporto, Preta permaneceu consciente, mas debilitada. “Eu repetia que a levaria para casa, mas ela disse que não dava conta”, relatou a médica, emocionada.

No trajeto, Preta passou mal e foi levada a um hospital próximo, onde faleceu minutos depois. A equipe médica tentou reanimá-la, mas não houve sucesso. Após a morte, amigos e familiares celebraram sua vida em Nova York, visitando lugares que ela amava, como o restaurante Balthazar, onde Preta havia comido com Flora semanas antes.

  • Tentativa de retorno: Avião UTI foi preparado para trazer Preta ao Brasil.
  • Momento crítico: Preta passou mal na ambulância, a poucos minutos do aeroporto.
  • Celebração póstuma: Amigos homenagearam Preta com pratos e memórias em Nova York.
  • Local especial: O restaurante Balthazar foi palco de uma das últimas alegrias de Preta.

A partida de Preta deixou um vazio, mas também um exemplo de força e amor.

Herança de luta e amor

Preta Gil enfrentou o câncer com uma determinação que ia além da sobrevivência. Sua decisão de buscar tratamentos experimentais reflete o desejo de viver plenamente, mesmo diante de um prognóstico sombrio. “Ela não queria apenas mais seis meses, queria 15 anos”, destacou Saretta. Essa postura inspirou médicos, amigos e fãs, que continuam a celebrar sua trajetória.

A doença de Preta, agravada por mutações genéticas, também levanta questões sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Hábitos alimentares e fatores genéticos são apontados como influenciadores do câncer de intestino, que tem crescido em incidência no Brasil. A história de Preta reforça a necessidade de atenção à saúde e de apoio emocional no enfrentamento de doenças graves.

  • Prevenção: Exames regulares podem detectar o câncer em estágios iniciais.
  • Fatores de risco: Alimentação e genética desempenham papéis cruciais.
  • Apoio emocional: A presença de amigos e família foi essencial para Preta.

O impacto de Preta Gil permanece vivo em sua música, em suas ações e na memória de quem a conheceu.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas