Andréa Beltrão brilha em nova temporada de ‘Lady Tempestade’ no Teatro FAAP em SP

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Andrea Beltrão Foto: Andrea Beltrão - Foto: Instagram

Andréa Beltrão protagoniza a nova temporada de ‘Lady Tempestade’, que estreou em 8 de agosto de 2025 no Teatro FAAP, em São Paulo, e segue até 5 de outubro. O monólogo, dirigido por Yara de Novaes, retrata a trajetória da advogada pernambucana Mércia Albuquerque, que defendeu presos políticos durante a ditadura militar brasileira. Com ingressos esgotados na temporada anterior no Sesc Consolação, a peça promete emocionar o público com sessões às sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 17h. A narrativa começa com uma mulher recebendo os diários de Mércia, revelando histórias de coragem e resistência. Os ingressos custam entre R$ 80 e R$ 200, disponíveis no site do teatro. A classificação é 12 anos, e a entrada após o início do espetáculo não é permitida.

A peça, que já atingiu a marca de 100 apresentações, destaca-se pela potência cênica e pela reflexão sobre justiça e memória. O espetáculo, com dramaturgia de Sílvia Gomez, mistura ficção e realidade, conectando passado e presente. Andréa Beltrão, em atuação solo, é acompanhada pela trilha sonora criada por seu filho, Chico Beltrão.

  • História inspirada nos diários de Mércia Albuquerque, defensora de presos políticos.
  • Temporada de 8 de agosto a 5 de outubro de 2025, no Teatro FAAP.
  • Ingressos variam de R$ 80 (meia-entrada) a R$ 200 (inteira, cadeiras no palco).
  • Direção de Yara de Novaes e cenografia de Dina Salem Levy.

Uma história de resistência no palco

O monólogo ‘Lady Tempestade’ mergulha na vida de Mércia Albuquerque, uma advogada pernambucana que enfrentou a repressão da ditadura militar entre 1973 e 1974. A personagem de Andréa Beltrão, chamada A., recebe os diários de Mércia e se vê confrontada por relatos que expõem a brutalidade do regime. A peça, que já teve sessões esgotadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, usa elementos visuais como uma caixa de correios e xícaras para simbolizar as noites insones da advogada. O texto de Sílvia Gomez, inspirado nos diários publicados pela editora Potiguariana, cria um diálogo entre o passado e o presente, questionando a persistência de ciclos de violência.
A narrativa não se limita a um relato histórico. A montagem propõe uma reflexão sobre a importância da memória coletiva em um país que, segundo a produção, muitas vezes opta pelo silêncio. A atuação de Andréa Beltrão, indicada ao Prêmio Shell, é descrita como visceral, capturando a força e a angústia de Mércia. A peça, com 70 minutos de duração, mantém o público preso do início ao fim, com uma cenografia que reforça a intimidade da história.

Detalhes da temporada no Teatro FAAP

A nova temporada no Teatro FAAP, localizado na Rua Alagoas, 903, em Higienópolis, começou com grande expectativa após o sucesso no Sesc Consolação. As apresentações ocorrem em horários acessíveis, com ingressos disponíveis tanto online quanto na bilheteria do teatro. A procura tem sido alta, refletindo o impacto do espetáculo.

  • Sessões: sextas e sábados às 20h, domingos às 17h.
  • Ingressos online: disponíveis no site www.faap.br/teatro.
  • Bilheteria: aberta de quarta a sábado, das 14h às 20h, e domingo, das 14h às 17h.
  • Preços: plateia e mezanino a R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia); cadeiras no palco a R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia).
    A produção, assinada pela Quintal Produções, destaca a qualidade técnica, com cenografia de Dina Salem Levy e trilha sonora de Chico Beltrão, que também participa em cena. A direção de Yara de Novaes, premiada por outros trabalhos, como ‘Prima Facie’, agrega camadas emocionais à montagem.

O impacto cultural de ‘Lady Tempestade’

A peça não é apenas um retrato histórico, mas um convite à reflexão sobre justiça e memória. Andréa Beltrão, em entrevistas, enfatizou a relevância de abordar temas difíceis sem cair no silêncio, que, segundo ela, perpetua a impunidade. A montagem, que já passou por Belo Horizonte e Rio de Janeiro, conquistou plateias pelo equilíbrio entre densidade temática e beleza artística.
O espetáculo também marca os 20 anos do Teatro Poeira, fundado por Andréa Beltrão e Marieta Severo no Rio de Janeiro. Apesar de desafios financeiros, como a falta de patrocínio, o espaço segue sendo um polo de resistência cultural. A peça, que terá uma adaptação para o cinema dirigida por Maurício Farias, reforça o compromisso de Beltrão com projetos que unem arte e reflexão social.
A história de Mércia Albuquerque ganha vida por meio de elementos cênicos marcantes, como o sofá com a frase “Há muitas formas de acreditar na vida”. A produção utiliza luz, som e figurinos para criar uma atmosfera que conecta o público à luta da advogada.

Andréa Beltrão e a força do monólogo

Andréa Beltrão, com uma carreira que abrange teatro, cinema e TV desde os anos 1980, entrega uma performance que combina intensidade e delicadeza. Sua interpretação de A., a mulher que recebe os diários, é elogiada por críticos e público. A presença de Chico Beltrão, seu filho, na trilha sonora e em cena, adiciona uma camada pessoal ao espetáculo.

  • Indicação ao Prêmio Shell: Andréa Beltrão, Yara de Novaes e Sílvia Gomez.
  • Participação de Chico Beltrão: trilha sonora e atuação em cena.
  • Texto publicado: pela editora Cobogó, na coleção “Dramaturgia”.
  • Adaptação cinematográfica: prevista com direção de Maurício Farias.
    A peça destaca a habilidade de Beltrão em transitar entre a ficção e a realidade, trazendo à tona a dor e a coragem de Mércia. A dramaturgia de Sílvia Gomez, inspirada por entrevistas com figuras como Eliane Aquino, prima de Mércia, enriquece o texto com detalhes históricos e emocionais.

O legado de Mércia Albuquerque

Mércia Albuquerque, nascida em 1934 e falecida em 2003, defendeu cerca de 500 presos políticos durante a ditadura. Sua trajetória, marcada por coragem e resistência, é pouco conhecida, mas ganha destaque em ‘Lady Tempestade’. A advogada, descrita como tendo um “olhar de relâmpago”, enfrentou um dos períodos mais sombrios do Brasil.
O espetáculo utiliza os diários de Mércia, publicados em 2023, para construir uma narrativa que vai além da biografia. A peça explora a tensão entre o passado e o presente, questionando como a memória histórica pode influenciar o futuro. A frase “Tenho uma falésia no meu peito que não para de doer”, escrita por Sílvia Gomez, resume a angústia de Mércia e ressoa com o público.

  • Período de atuação: 1973-1974, auge da repressão militar.
  • Publicação dos diários: editora Potiguariana, em 2023.
  • Impacto: defesa de centenas de presos políticos no Nordeste.
  • Símbolos cênicos: caixa de correios, xícaras e sofá com frase marcante.
    A peça reforça a importância de lembrar figuras como Mércia, cuja luta por justiça permanece relevante. A montagem, com sua abordagem sensível e impactante, é um marco no teatro brasileiro contemporâneo.

Repercussão e expectativas do público

A temporada no Teatro FAAP já desperta grande interesse, com ingressos sendo disputados. A reação do público nas redes sociais destaca a força da atuação de Andréa Beltrão e a relevância do tema. Em Belo Horizonte, a peça mobilizou a plateia, que gritou “Sem anistia” ao final de uma apresentação, mostrando o impacto emocional do espetáculo.
A montagem, que já passou por diversas capitais, planeja uma turnê pelo Nordeste após São Paulo, aproximando a história de Mércia de sua terra natal. A adaptação para o cinema, com filmagens realizadas em janeiro e fevereiro de 2025, promete ampliar o alcance da narrativa. A produção mantém o compromisso com a qualidade, com uma equipe técnica de peso e uma abordagem que valoriza a arte como ferramenta de reflexão.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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