Etanol reciclado da Ambipar transforma resíduos em energia sustentável

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Gasolina Combustível

Combustível - Manuel Milan/Shutterstock.com

A Ambipar, multinacional brasileira de soluções ambientais, lançou o Ambiálcool, um etanol produzido a partir de resíduos alimentícios como balas, chocolates e sucos, em Nova Odessa (SP), desde 2021. Testado em um Citroën Basalt, o combustível reciclado apresentou desempenho similar ao etanol tradicional, com até 95% de pureza, aprovado pela ANP. A iniciativa, impulsionada pela escassez de etanol durante a pandemia, converte 500 toneladas de resíduos em até 300 mil litros de combustível, superando a produtividade da cana-de-açúcar. O projeto reduz desperdícios e emissões, reforçando a economia circular. Parcerias com empresas como a Mondelēz viabilizam a produção, que abastece uma frota experimental de 22 veículos, apontando para uma matriz energética mais limpa.

O Ambiálcool surge em um momento de crescente demanda por combustíveis renováveis, com o Brasil consolidado como líder global em biocombustíveis. A tecnologia flex, presente em 90% dos veículos leves do país, facilita a adoção de inovações como essa. A Ambipar planeja dobrar sua capacidade produtiva até o final de 2025, mas enfrenta desafios logísticos e regulatórios para escalar a comercialização.

Foto Governo do Brasil
  • Características principais do projeto:
    • Uso de resíduos descartados por validade ou padronização.
    • Produção de etanol hidratado com alta pureza.
    • Redução de resíduos enviados a aterros.
    • Compatibilidade com motores flex.

Processo de produção inovador

A fabricação do Ambiálcool começa com a coleta de resíduos alimentícios ricos em açúcar e amido, como sobras de balas, chocolates e sucos, descartados por indústrias devido a prazos de validade ou falhas de padronização. Esses materiais passam por fermentação biológica em usinas parceiras, seguida de destilação para alcançar até 95% de pureza. O processo, segundo Gabriel Estevam, diretor de pesquisa da Ambipar, aproveita a alta concentração de sacarose em resíduos como balas refrescantes, gerando maior rendimento que o etanol de cana em alguns casos. O combustível resultante atende às normas da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e é compatível com qualquer veículo flex ou movido a álcool.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos, como soluções de limpeza a 46% e 70% de concentração, usados para higienização. A Ambipar já processou mais de 500 mil litros de álcool desde 2021, com 500 toneladas de resíduos convertidas mensalmente. A empresa mantém parcerias com gigantes como a Mondelēz e busca novos acordos para expandir a produção.

  • Etapas do processo:
    • Coleta de resíduos alimentícios com alto teor de açúcar.
    • Fermentação para extrair açúcares.
    • Destilação para obter etanol hidratado.
    • Controle de qualidade rigoroso.

Desempenho comprovado em testes

Testes realizados pela Autoesporte com um Citroën Basalt 1.0 flex manual compararam o Ambiálcool ao etanol de posto em circuitos urbanos, rodoviários e em pista de provas. Rogério Gonçalves, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), analisou os resultados, que indicaram diferenças mínimas. No trajeto urbano, o consumo foi de 9,3 km/l com Ambiálcool, contra 10,1 km/l comഗ

System: com etanol comum. Na rodovia, o Ambiálcool registrou 11,9 km/l, enquanto o etanol de posto alcançou 12,5 km/l, ambos superando as médias do Inmetro. A aceleração de 0 a 100 km/h foi de 15,7 segundos com Ambiálcool, contra 15,2 segundos com etanol tradicional, uma diferença de apenas 3,8%.

O piloto de testes Alexandre Silvestre destacou que o comportamento dinâmico do veículo permaneceu praticamente idêntico, sem alterações significativas em torque ou resposta. Esses resultados reforçam a viabilidade do Ambiálcool como alternativa sustentável ao etanol convencional, mantendo a eficiência dos motores flex.

  • Resultados dos testes:
    • Consumo urbano: 9,3 km/l (Ambiálcool) vs. 10,1 km/l (etanol de posto).
    • Consumo rodoviário: 11,9 km/l (Ambiálcool) vs. 12,5 km/l (etanol de posto).
    • Aceleração 0-100 km/h: 15,7 s (Ambiálcool) vs. 15,2 s (etanol de posto).
    • Diferença máxima de desempenho: 3,8%.

Sustentabilidade como diferencial

A principal vantagem do Ambiálcool é sua contribuição para a sustentabilidade. O Brasil gerou cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos em 2024, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos da Abrelpe, com grande parte destinada a aterros. O Ambiálcool reaproveita toneladas de resíduos alimentícios, reduzindo a pegada de carbono da indústria, que movimentou R$ 1,3 trilhão no mesmo ano. Ao transformar lixo em combustível, o projeto diminui a dependência de monoculturas como cana-de-açúcar e milho, que consomem grandes quantidades de água e terra.

Economicamente, o Ambiálcool tem custo competitivo, com preço médio de R$ 4,27 por litro, similar ao etanol de posto, conforme dados da ANP. A ausência de processos complexos, como os da produção agrícola, equilibra os custos de coleta e processamento. A possibilidade de comercializar créditos de carbono, incentivada pelo programa RenovaBio, pode reduzir ainda mais os preços no futuro.

  • Benefícios ambientais e econômicos:
    • Redução de resíduos em aterros e incineração.
    • Menor uso de recursos agrícolas.
    • Potencial de créditos de carbono.
    • Custo equiparável ao etanol tradicional.

Barreiras para expansão

Apesar dos avanços, o Ambiálcool enfrenta obstáculos para alcançar o mercado. Atualmente, o combustível é usado apenas na frota experimental de 22 veículos da Ambipar em Nova Odessa. A escalabilidade depende de parcerias com mais indústrias alimentícias e usinas, além de incentivos governamentais, que ainda não foram implementados. O odor característico do Ambiálcool, semelhante ao álcool hospitalar devido à sua pureza, também exige ajustes na percepção do consumidor.

A logística de coleta de resíduos é outro desafio, pois o transporte de materiais de regiões distantes, como o Sul do Brasil, pode encarecer a produção. A Ambipar estuda instalar usinas próximas às fontes de resíduos para otimizar custos. Especialistas da AEA sugerem que o Ambiálcool pode inspirar inovações, como o uso em tecnologias híbridas, ampliando seu impacto no setor automotivo.

  • Principais barreiras:
    • Falta de incentivos governamentais.
    • Logística complexa de coleta de resíduos.
    • Percepção do consumidor sobre o odor.
    • Necessidade de maior infraestrutura de produção.

Inovações e horizontes futuros

O Ambiálcool marca um avanço na história dos biocombustíveis no Brasil, que começou com o Proálcool na década de 1970. O país, segundo maior produtor de etanol do mundo, processou 660 milhões de toneladas de cana em 2020, produzindo 34 bilhões de litros de etanol, segundo o Ministério de Minas e Energia. O Ambiálcool, ao usar resíduos, complementa essa tradição, alinhando-se à economia circular global.

Pesquisas na USP exploram o uso do etanol em reatores de hidrogênio, indicando novas aplicações. A Ambipar também testa subprodutos, como soluções de limpeza, e planeja expandir parcerias com indústrias alimentícias. A comercialização em larga escala, porém, depende de avanços regulatórios e logísticos, mas o projeto já recebeu prêmios internacionais, como o Green Product Awards 2025, em Berlim, com mais de 50 mil votos.

  • Inovações em desenvolvimento:
    • Uso de etanol em células de hidrogênio.
    • Ampliação de parcerias industriais.
    • Testes para escalar a produção.
    • Subprodutos como soluções de limpeza.
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