PM enfrenta tráfico no Morro do Dendê com 12 ônibus sequestrados e um incendiado no Rio de JaneiroPor Luís Henrique Costa
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Criminosos sequestraram 12 ônibus e incendiaram um na manhã desta segunda-feira, 18 de agosto de 2025, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro, em retaliação a uma operação da Polícia Militar no Morro do Dendê. A ação, coordenada pelo 17º BPM (Ilha do Governador), com apoio do 22º BPM (Maré) e do 3º BPM (Méier), resultou na prisão de quatro suspeitos e na apreensão de quatro fuzis. Vias como a Avenida Paranapuã e a Estrada da Cacuia foram bloqueadas, causando caos no trânsito e impactando a rotina de moradores. O objetivo era desarticular o tráfico e remover barricadas, mas a resposta violenta dos criminosos intensificou a tensão na região. A operação expõe a complexidade do combate ao crime organizado em comunidades cariocas.
A resposta dos criminosos foi imediata e violenta. Após o início da operação policial, por volta das 9h, moradores relataram tiroteios intensos e barricadas improvisadas. Além dos ônibus, caçambas de lixo foram reviradas e incendiadas, dificultando o acesso às principais vias.
- Impacto imediato: 10 linhas de ônibus foram desviadas, afetando milhares de passageiros.
- Segurança pública: Quatro unidades de saúde suspenderam atividades externas.
- Resposta policial: A PM intensificou a presença para liberar as vias bloqueadas.

Reação dos criminosos
A tomada de 12 ônibus, com um deles incendiado, marcou a resposta dos traficantes à operação policial. Segundo o sindicato Rio Ônibus, o veículo destruído operava a linha 921 (Ribeira x Bancários). Os coletivos foram posicionados como barricadas em vias estratégicas, como a Avenida Paranapuã e a Estrada da Cacuia, bloqueando acessos ao Morro do Dendê. A ação criminosa buscava dificultar a movimentação policial e pressionar as autoridades. Moradores relataram pânico durante os confrontos, com relatos de objetos queimados nas ruas e barricadas reforçadas por criminosos. A Polícia Militar confirmou que a operação visava desarticular pontos de tráfico, mas a resistência armada complicou a atuação dos agentes.
O uso de ônibus como barricadas não é novidade no Rio. A prática, comum em comunidades dominadas por facções, reflete a tentativa de criminosos de controlar territórios e desafiar a presença policial. A queima de veículos e objetos intensifica o clima de tensão, afetando diretamente a população local.
A operação policial
A ação no Morro do Dendê foi planejada para coibir a atuação do tráfico, focando na prisão de suspeitos e na apreensão de armas. Até o início da manhã, quatro homens foram detidos, e os policiais apreenderam quatro fuzis, além de granadas, carregadores, rádios transmissores e coletes balísticos. A operação envolveu um grande contingente, com agentes do 17º BPM liderando as ações, reforçados por equipes do 22º BPM e do 3º BPM.
- Objetivo principal: Desarticular o tráfico e remover barricadas nas vias de acesso.
- Resultados iniciais: Quatro prisões e apreensão de armamento pesado.
- Apoio logístico: Uso de blindados para garantir a segurança dos agentes.
- Horário crítico: Confrontos começaram por volta das 9h, segundo relatos.
A Polícia Militar informou que a operação foi motivada por denúncias de atividades criminosas intensas na região, incluindo extorsão e controle territorial pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A presença de barricadas, muitas vezes montadas com veículos e objetos incendiados, é uma estratégia recorrente para dificultar incursões policiais.
Impactos na mobilidade urbana
A tomada de ônibus e o bloqueio de vias geraram transtornos significativos para a população da Ilha do Governador. Dez linhas de ônibus foram desviadas, impactando diretamente o transporte público. As linhas afetadas incluem trajetos importantes, como Bananal x Castelo e Ribeira x Candelária, essenciais para trabalhadores e estudantes. A Rio Ônibus informou que os coletivos sequestrados pertenciam a diferentes empresas, e os prejuízos ainda estão sendo calculados.
O Centro de Operações do Rio (COR) confirmou a interdição da Avenida Paranapuã às 9h50, com reflexos no tráfego de toda a região. Moradores precisaram buscar rotas alternativas, e motoristas relataram dificuldades para acessar bairros próximos, como Tauá e Cacuia. A interrupção no transporte público também gerou atrasos e superlotação em outros modais, como vans e aplicativos de transporte.
- Linhas desviadas: 323, 327, 328, 634, 635, 901, SV901, 910, 326 e 696.
- Áreas afetadas: Avenida Paranapuã, Estrada da Cacuia e vias próximas.
- Impacto econômico: Prejuízo às empresas de ônibus e comércio local.
- Duração estimada: Bloqueios persistiram até o início da tarde.
Repercussões na comunidade
A operação e a resposta dos criminosos geraram um clima de tensão entre os moradores do Morro do Dendê e bairros adjacentes. Escolas da região, embora mantidas em funcionamento, enfrentaram dificuldades com a chegada de alunos e professores. Quatro unidades de saúde, incluindo clínicas da família, suspenderam atividades externas, como visitas domiciliares, priorizando atendimentos presenciais. A Secretaria Municipal de Saúde informou que a medida foi tomada para garantir a segurança de funcionários e pacientes.
Moradores relataram medo e insegurança durante os confrontos. Muitos evitaram sair de casa, e o comércio local foi impactado, com lojas fechando temporariamente por ordem de traficantes, conforme denúncias publicadas em redes sociais. A interrupção de vias e serviços essenciais reforça os desafios enfrentados por comunidades próximas a áreas dominadas pelo tráfico.
Histórico de operações no Morro do Dendê
O Morro do Dendê, localizado na parte central da Ilha do Governador, é um complexo de favelas conhecido por abrigar atividades do tráfico de drogas, especialmente do Terceiro Comando Puro. Operações policiais na região são frequentes, muitas vezes motivadas por denúncias de extorsão, sequestros e controle territorial. Em junho de 2024, uma ação semelhante resultou na prisão de dois suspeitos e na recuperação de carros roubados, após denúncias de ameaças a motoristas de aplicativo.
- Junho de 2024: PM prendeu dois suspeitos e recuperou veículos roubados.
- Maio de 2024: Motoristas de aplicativo foram feitos reféns por traficantes.
- 2019: Morte de líderes criminosos em operação policial na região.
- Denúncias recorrentes: Extorsão e controle de transporte alternativo.
A repetição de episódios violentos reflete a complexidade do combate ao crime organizado na Ilha do Governador. A presença de barricadas e a resistência armada dificultam ações policiais, enquanto a população enfrenta os impactos diretos dos confrontos.
Medidas das autoridades
A Polícia Militar informou que a operação no Morro do Dendê será mantida até a liberação completa das vias e a garantia da segurança na região. Equipes adicionais foram enviadas para reforçar a presença policial, e blindados foram utilizados para proteger os agentes durante os confrontos. O comando do 17º BPM destacou que a ação faz parte de um esforço contínuo para desarticular o tráfico e reduzir a influência de facções na Ilha do Governador.
As autoridades também estão investigando a origem dos armamentos apreendidos e a possível conexão dos suspeitos detidos com outros crimes na região. A Secretaria de Segurança Pública do Rio reforçou a importância de operações coordenadas para enfrentar o crime organizado, mas evitou comentar sobre os impactos sociais da ação.
Mobilização comunitária e segurança
A tensão gerada pela operação expôs a fragilidade da segurança pública em áreas dominadas por facções. Moradores da Ilha do Governador relatam a convivência constante com o medo, especialmente durante operações policiais. A interrupção de serviços essenciais, como transporte e saúde, reforça a sensação de vulnerabilidade.
- Reivindicações locais: Moradores pedem mais segurança e diálogo com autoridades.
- Impacto psicológico: Confrontos afetam a rotina de crianças e idosos.
- Alternativas propostas: Reforço de policiamento comunitário na região.
A situação no Morro do Dendê reflete um problema estrutural no combate ao tráfico no Rio de Janeiro. Apesar dos esforços policiais, a resistência armada e as táticas de intimidação dos criminosos continuam desafiando as autoridades e impactando a vida da população local.







