Itaú, Banco do Brasil e BTG perdem R$ 41,3 bi com decisão de Dino sobre Magnitsky

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Banco Itaú Foto: Banco Itaú - Foto: Joa_Souza/ Istockphoto.com

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que limitou a aplicação automática de leis estrangeiras no Brasil, desencadeou uma onda de desvalorização nas ações de grandes bancos brasileiros, como Itaú, Banco do Brasil e BTG Pactual, na terça-feira, 19 de agosto de 2025, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). A medida, vista como uma resposta às sanções da Lei Magnitsky impostas pelos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes, gerou perdas de R$ 41,3 bilhões em valor de mercado para o setor financeiro. A tensão entre o STF e o governo americano, liderado por Donald Trump, colocou as instituições financeiras em uma encruzilhada, com receios de sanções internacionais afetando operações em dólar. O impacto foi sentido de forma mais intensa pelo Banco do Brasil, cujas ações despencaram 6,03%.

A reação do mercado reflete a incerteza sobre como os bancos brasileiros, que possuem operações nos Estados Unidos, devem proceder diante do conflito entre a legislação nacional e as exigências americanas. A decisão de Dino, anunciada na segunda-feira, 18 de agosto, reforça a soberania brasileira ao exigir que normas estrangeiras sejam validadas pelo Judiciário nacional. No entanto, o Departamento de Estado dos EUA respondeu que nenhum tribunal estrangeiro pode invalidar suas sanções, alertando que descumpri-las pode levar a graves consequências.

O embate elevou o risco percebido pelos investidores, que temem retaliações contra bancos com exposição internacional. A seguir, os principais impactos da decisão:

  • Queda expressiva na B3: Banco do Brasil liderou as perdas, com ações caindo 6,03%, seguido por Santander (-4,88%), Itaú (-3,63%), BTG Pactual (-3,48%) e Bradesco (-3,43%).
  • Perdas financeiras: Itaú perdeu R$ 14,71 bilhões, BTG R$ 10,747 bilhões e Banco do Brasil R$ 7,278 bilhões em valor de mercado.
  • Tensão diplomática: O comunicado dos EUA reforça a proibição de transações com sancionados, como Moraes, aumentando a pressão sobre bancos brasileiros.

Reação do mercado financeiro

A desvalorização das ações dos bancos brasileiros na B3 reflete o receio de investidores diante do conflito entre as determinações do STF e as sanções americanas. O Banco do Brasil, com forte presença estatal, foi o mais afetado, com suas ações (BBAS3) caindo para R$ 19,80, uma perda de 6,03% em um único dia. O Itaú, maior banco privado do país, viu suas ações (ITUB4) recuarem 3,63%, cotadas a R$ 36,31, enquanto o BTG Pactual (BPAC11) registrou queda de 3,48%, com papéis a R$ 43,50.

Analistas apontam que o impacto foi amplificado pela exposição internacional dessas instituições. Bancos como Itaú e Banco do Brasil possuem subsidiárias nos Estados Unidos, o que os torna vulneráveis a sanções secundárias caso descumpram a Lei Magnitsky. Além disso, o uso do sistema Swift, essencial para transações globais, pode ser comprometido se os bancos mantiverem relações com pessoas sancionadas.

Banco do Brasil
Banco do Brasil – Foto: Roberto Resston Fo / Shutterstock.com

O economista Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, destacou que a decisão de Dino eleva o risco-país, afastando investimentos e pressionando o câmbio. O dólar comercial subiu 1,19%, fechando a R$ 5,4993, enquanto a curva de juros para 2026-2031 também apresentou alta, indicando pessimismo sobre o futuro econômico.

O que está por trás da decisão de Dino

Na segunda-feira, Flávio Dino determinou que ordens judiciais ou administrativas estrangeiras não têm validade automática no Brasil, exigindo homologação pelo Judiciário nacional. A medida foi interpretada como uma tentativa de proteger a soberania brasileira frente às sanções da Lei Magnitsky, aplicada contra Alexandre de Moraes em 30 de julho de 2025. A legislação americana, criada em 2012 e ampliada em 2016, permite o congelamento de bens e a proibição de transações com indivíduos acusados de violações de direitos humanos ou corrupção.

A decisão de Dino colocou os bancos brasileiros em uma posição delicada. Caso sigam a orientação do STF, podem enfrentar sanções dos EUA, como multas ou exclusão do sistema financeiro americano. Por outro lado, descumprir ordens do STF pode resultar em penalidades no Brasil, como multas ou até revogação de licenças pelo Banco Central.

  • Risco de sanções secundárias: Bancos que mantiverem contas de sancionados podem perder acesso ao sistema financeiro americano.
  • Impacto em transações em dólar: A maioria das operações globais passa por bancos americanos, o que aumenta a pressão sobre instituições brasileiras.
  • Conflito jurídico: A decisão de Dino cria um impasse entre cumprir leis brasileiras ou evitar penalidades internacionais.

Resposta dos Estados Unidos

O Departamento de Estado americano reagiu rapidamente à decisão de Dino, afirmando que as sanções da Lei Magnitsky são inegociáveis e que nenhum tribunal estrangeiro pode invalidá-las. O comunicado destacou que cidadãos e empresas americanas estão proibidos de realizar transações com Moraes, e que outras instituições, incluindo bancos brasileiros, devem agir com cautela para evitar penalidades.

A Embaixada dos EUA no Brasil reforçou a mensagem, alertando que violações podem levar a multas significativas ou exclusão do sistema Swift, essencial para transações internacionais. Em 2022, bancos russos como o VTB sofreram bloqueios de até US$ 100 milhões por descumprirem sanções semelhantes, servindo como exemplo do impacto potencial para instituições brasileiras.

O governo americano também sugeriu que as sanções podem se estender a familiares e aliados de Moraes, ampliando o alcance da medida. Essa possibilidade tem gerado preocupação entre bancos brasileiros, que temem represálias caso mantenham contas de pessoas associadas ao ministro.

Estratégias dos bancos para lidar com a crise

Diante do impasse, bancos como Itaú, Banco do Brasil e BTG Pactual começaram a avaliar medidas para minimizar riscos. Uma estratégia mencionada por analistas do BTG Pactual é o encerramento preventivo de contas de possíveis alvos da Lei Magnitsky, antes mesmo de comunicações oficiais. Essa medida, segundo o banco, reduz o risco de questionamentos no Brasil e de sanções nos EUA.

No entanto, tal abordagem pode gerar conflitos com o Código de Defesa do Consumidor, que proíbe a recusa de serviços a clientes dispostos a pagar. Bancos estrangeiros com operações no Brasil, como Santander e HSBC, também enfrentam dilemas, pois descumprir as sanções americanas pode comprometer suas operações globais.

  • Encerramento de contas: Bancos podem optar por fechar contas de sancionados para evitar sanções internacionais.
  • Consultas ao STF: Algumas instituições planejam pedir esclarecimentos ao Supremo para definir como agir.
  • Operações em reais: Bancos brasileiros podem priorizar transações em moeda local para reduzir a exposição ao dólar.
  • Revisão de compliance: Departamentos internos estão reforçando políticas para evitar conflitos com os EUA.

Cenário econômico e tensões diplomáticas

A desvalorização dos bancos brasileiros reflete um cenário mais amplo de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. A aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes, anunciada em 30 de julho, foi justificada pelo governo Trump como resposta a supostas violações de direitos humanos e perseguição política. A medida marcou a primeira vez que um ministro do STF foi alvo de sanções dessa magnitude, elevando o atrito entre os dois países.

O Ibovespa, principal índice da B3, caiu 2,1% na terça-feira, atingindo 133.997 pontos, a maior baixa diária desde 4 de abril. Além dos bancos, setores como exportação, que dependem de linhas de crédito em dólar, também sentiram o impacto. A alta do dólar comercial e o aumento dos juros futuros indicam que o mercado antecipa um período de instabilidade.

Rodrigo Marcatti, da Veedha Investimentos, alerta que os bancos brasileiros podem enfrentar um dilema sem precedentes: cumprir ordens do STF ou arriscar sanções que comprometam suas operações internacionais. Ele destaca que a exclusão do sistema Swift seria “devastadora” para instituições com forte presença global, como Itaú e Banco do Brasil.

Como os bancos estão se preparando

Os bancos brasileiros já iniciaram consultas a escritórios de advocacia nos Estados Unidos para avaliar os riscos de sanções. Segundo Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, algumas instituições consideram cancelar unilateralmente contas de alvos da Lei Magnitsky para evitar conflitos com os EUA. No entanto, essa medida pode gerar processos judiciais no Brasil, caso contrarie ordens do STF.

O Banco do Brasil, por sua subsidiária em Nova York, enfrenta um risco particular, já que operações em dólar são cruciais para suas atividades internacionais. O Itaú, com forte presença no mercado americano, também avalia estratégias para manter suas operações sem violar as sanções. O BTG Pactual, por sua vez, busca reforçar seu compliance para evitar penalidades.

  • Consultoria jurídica: Bancos contratam especialistas nos EUA para avaliar riscos.
  • Redução de exposição: Instituições avaliam limitar operações em dólar.
  • Diálogo com o STF: Bancos planejam buscar orientação do Supremo para evitar impasses.

O que esperar do futuro

A tensão entre o STF e os Estados Unidos deve continuar afetando o mercado financeiro brasileiro. Analistas preveem que, enquanto o conflito não for resolvido, os bancos permanecerão sob pressão, com risco de novas quedas na B3. A possibilidade de sanções secundárias contra instituições que descumprirem a Lei Magnitsky mantém os investidores cautelosos.

O cenário também pode impactar outros setores, como tecnologia e exportação, que dependem de serviços financeiros internacionais. A decisão de Dino, embora reforce a soberania nacional, criou um ambiente de incerteza que pode afastar investimentos estrangeiros. O diálogo diplomático entre Brasil e EUA será crucial para evitar uma escalada ainda maior.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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