Justiça argentina apura subornos com citação a Karina Milei em agência públicaPor Maria
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A Justiça argentina intensificou investigações sobre um suposto esquema de corrupção na Agência Nacional de Deficiência (ANDIS), envolvendo Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei, e o subsecretário de Gestão, Eduardo Menem. Nesta sexta-feira, 22 de agosto de 2025, policiais cumpriram 16 mandados de busca em Buenos Aires e outras regiões, após áudios vazados, atribuídos ao ex-chefe da agência Diego Spagnuolo, sugerirem práticas de suborno. As gravações, que ainda carecem de autenticação judicial, mencionam pagamentos ilícitos relacionados à compra de medicamentos, com impacto direto nos cofres públicos. O caso, liderado pelo juiz federal Sebastián Casanello, ocorre às vésperas das eleições legislativas de outubro, abalando a imagem do governo ultraliberal de Milei. Até o momento, não há prisões ou acusações formais, mas o sigilo judicial mantém a investigação em curso.
A operação policial apreendeu celulares, computadores e documentos em locais como uma grande drogaria, fornecedora de medicamentos à ANDIS, onde foram encontrados 266 mil dólares em envelopes. A denúncia, apresentada pelo advogado Gregorio Dalbón, ganhou força após Spagnuolo ser destituído do cargo na quinta-feira. Karina Milei, secretária da Presidência, e Menem, aliado próximo, ainda não se pronunciaram sobre as acusações.
Origem das denúncias e impacto político
O escândalo teve início com a divulgação de áudios que supostamente capturam Diego Spagnuolo relatando esquemas de propina. Nas gravações, ele menciona Karina Milei e Eduardo Menem, sugerindo que ambos participariam de negociações ilícitas envolvendo fornecedores de medicamentos. A denúncia abala o governo em um momento crítico, com as eleições legislativas marcadas para 26 de outubro de 2025, onde o partido de Milei, La Libertad Avanza, busca consolidar apoio.
- A denúncia foi formalizada pelo advogado Gregorio Dalbón, conhecido por atuar em casos de grande repercussão.
- A ANDIS é responsável por políticas públicas voltadas a pessoas com deficiência, com orçamento anual estimado em milhões de pesos argentinos.
- O Congresso argentino recentemente derrubou um veto presidencial de Milei a uma lei que amplia recursos para o setor de deficiência.
O timing do escândalo amplifica suas consequências, já que o governo enfrenta críticas por medidas impopulares, como o veto a aumentos para aposentados e pensionistas por invalidez.
Detalhes da operação policial
A Justiça argentina mobilizou agentes para cumprir mandados em 16 endereços, incluindo a drogaria citada nos áudios, que seria uma das principais fornecedoras da ANDIS. Durante as buscas, foram apreendidos:
- 266 mil dólares em envelopes, sugerindo transações em dinheiro vivo.
- Documentos relacionados a licitações e compras de medicamentos.
- Dispositivos eletrônicos, como celulares e computadores, para análise pericial.
- Registros de comunicações internas da agência, que podem esclarecer a rede de contatos.
O juiz Sebastián Casanello, responsável pelo caso, mantém sigilo sobre as investigações, mas fontes judiciais indicam que os materiais apreendidos serão cruciais para determinar a veracidade dos áudios e a extensão do esquema.
Repercussão no cenário eleitoral
A proximidade das eleições legislativas intensifica o impacto do escândalo. O governo de Milei, que assumiu em dezembro de 2023, enfrenta desafios para manter sua base de apoio em um contexto de medidas econômicas controversas, como a liberação de armas semiautomáticas por decreto e cortes em programas sociais. O caso envolvendo Karina Milei, figura central na campanha do presidente, pode minar a confiança de eleitores que viam no governo uma promessa de ruptura com práticas corruptas.
A oposição, liderada por partidos como a Unión por la Patria, já começou a explorar o caso politicamente, exigindo transparência. Enquanto isso, aliados de Milei tentam minimizar as acusações, destacando a ausência de provas formais contra Karina e Menem.
Áudios e a figura de Diego Spagnuolo
Diego Spagnuolo, ex-chefe da ANDIS e amigo pessoal de Javier Milei, é o pivô do escândalo. Nos áudios, ele teria expressado desconforto com as supostas práticas ilícitas, dizendo: “Eles estão roubando, você pode fingir que não vê, mas não joguem esse fardo pra mim.” A gravação, divulgada pelo programa DataClave, também menciona mensagens de WhatsApp que Spagnuolo alega ter recebido de Karina Milei, embora o conteúdo exato não tenha sido tornado público.
- Spagnuolo foi destituído do cargo na quinta-feira, 21 de agosto de 2025.
- Ele atuou como advogado pessoal de Milei durante a campanha eleitoral de 2023.
- A polícia localizou Spagnuolo e apreendeu seu celular para análise.
- Até o momento, ele não confirmou nem negou a autenticidade dos áudios.
A saída de Spagnuolo da ANDIS foi vista como uma tentativa do governo de conter os danos, mas a repercussão dos áudios já compromete a credibilidade da agência.
Contexto da agência de deficiência
A Agência Nacional de Deficiência é responsável por coordenar políticas públicas para pessoas com deficiência, incluindo a distribuição de medicamentos e equipamentos. O orçamento da agência, embora reduzido por cortes promovidos por Milei, ainda movimenta cifras significativas, o que torna o setor vulnerável a irregularidades. Nos últimos anos, a ANDIS enfrentou críticas por atrasos na entrega de benefícios e falta de transparência em licitações.
O escândalo atual reforça suspeitas de má gestão. A drogaria investigada, por exemplo, é uma das maiores fornecedoras de medicamentos para a agência, e os 266 mil dólares apreendidos sugerem transações fora dos registros oficiais.
Reações e próximos passos
A ausência de declarações oficiais de Karina Milei e Eduardo Menem mantém o caso envolto em incertezas. O governo de Javier Milei, por sua vez, enfrenta pressões para esclarecer as acusações sem prejudicar sua agenda legislativa. O juiz Casanello deve priorizar a análise dos materiais apreendidos, especialmente os dispositivos eletrônicos, para confirmar ou descartar as alegações de corrupção.
- A investigação pode levar meses, devido à complexidade das perícias.
- A oposição planeja convocar Karina Milei para prestar esclarecimentos no Congresso.
- Movimentos sociais ligados à causa da deficiência exigem auditorias na ANDIS.
- O sigilo judicial impede a divulgação de detalhes adicionais no momento.
O escândalo também reacende debates sobre a transparência no governo Milei, que se elegeu com a promessa de combater a “casta política” e a corrupção. A participação de Karina, uma figura próxima ao presidente, coloca em xeque essa narrativa, especialmente em um momento de fragilidade política.
Implicações para as eleições legislativas
As eleições de 26 de outubro de 2025 serão um teste crucial para o governo. Com a popularidade de Milei abalada por medidas como a desregulamentação do mercado de armas e cortes em benefícios sociais, o escândalo pode alienar eleitores indecisos. Partidos de oposição já começaram a associar o caso a uma suposta hipocrisia do governo, que critica a corrupção enquanto enfrenta denúncias internas.
O caso também pode influenciar a dinâmica interna do La Libertad Avanza, já que Karina Milei é uma das principais estrategistas políticas do presidente. Sua eventual implicação formal poderia fragilizar ainda mais a coalizão governista, que já enfrenta tensões com a vice-presidente Victoria Villarruel.







