Receita Federal aciona polícia contra avanço da cracolândia na avenida PacaembuPor Thiago Lemos
6 min de leitura
![]() |
A cracolândia na avenida Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, duplicou sua concentração de usuários de drogas em apenas uma semana, intensificando a crise social na região. No dia 1º de setembro de 2025, mais de 20 pessoas em situação de vulnerabilidade ocupavam a calçada próxima ao cruzamento com a avenida General Olímpio da Silveira, conforme constatado por equipes de reportagem. A situação alarmou funcionários da Receita Federal, que mantém um prédio com duas delegacias no local, levando o órgão a acionar as autoridades policiais para conter possíveis atividades ilícitas. A ausência de policiamento constante, somada à limpeza diária insuficiente, permite que o consumo de crack persista sem barreiras. As gestões municipal e estadual afirmam oferecer assistência social e combate ao tráfico, mas a falta de ações permanentes evidencia os desafios no enfrentamento da questão.
A cena urbana na Pacaembu reflete um problema crônico de São Paulo, com cobertores, sacos de lixo e barracas de camping espalhados pelo local. A iluminação clara do dia expõe a vulnerabilidade dos dependentes químicos, enquanto a noite intensifica a desordem, com entrega de drogas feita por bicicletas. O trecho, situado no limite entre as subprefeituras da Sé e da Lapa, tornou-se um ponto crítico, contrastando com áreas próximas, como a ciclovia do Minhocão, que não apresenta mais aglomerações.
- Principais características da cracolândia na Pacaembu:
- Concentração de mais de 20 pessoas em 1º de setembro, contra 10 na semana anterior.
- Presença de barracas e acúmulo de lixo, agravando a desordem urbana.
- Consumo de crack ocorre abertamente após a saída das equipes de limpeza.
- Proximidade com prédio da Receita Federal, que abriga delegacias.
Ação da Receita Federal e resposta das autoridades
A Receita Federal, ao perceber o avanço da cracolândia em frente ao seu edifício, acionou as forças policiais para investigar atividades ilícitas. O órgão, responsável por fiscalizações e atendimento a pessoas físicas no local, destacou a urgência de medidas para garantir a segurança. Apesar do alerta, as respostas das gestões municipal, liderada por Ricardo Nunes (MDB), e estadual, sob Tarcísio de Freitas (Republicanos), limitaram-se a declarações genéricas. Ambas afirmam monitorar os pontos de uso de drogas com ações de assistência social e combate ao tráfico, mas não detalharam planos específicos para a avenida Pacaembu.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que realiza operações conjuntas com as Polícias Civil, Militar e a Guarda Civil Metropolitana (GCM). No entanto, a ausência de viaturas permanentes no trecho permite que os usuários retornem logo após as ações de zeladoria, que ocorrem diariamente entre 15h e 16h. A prefeitura, por sua vez, destacou o trabalho de 1.600 agentes de saúde e assistência social, que fazem abordagens diárias para oferecer tratamento e acolhimento.
Dinâmica da cracolândia na capital paulista
A migração de usuários de drogas para a avenida Pacaembu reflete a mobilidade da cracolândia em São Paulo, um fenômeno que desafia as políticas públicas. Áreas como a avenida Rio Branco e a ciclovia do Minhocão, que já concentraram dependentes químicos, estão temporariamente livres de aglomerações. Essa mudança sugere que as operações de limpeza e policiamento apenas deslocam o problema, sem atacar suas raízes.
- Fatores que contribuem para a migração da cracolândia:
- Ausência de policiamento contínuo em áreas críticas.
- Limpeza urbana diária que não impede o retorno dos usuários.
- Falta de programas de reinserção social de longo prazo.
- Tráfico de drogas adaptável, com entregas por bicicleta.
A situação na Pacaembu expõe a complexidade do combate ao uso de drogas em espaços públicos. A proximidade com o prédio da Receita Federal, um ponto estratégico da administração pública, aumenta a pressão por soluções imediatas. Moradores e trabalhadores da região relatam insegurança, enquanto os dependentes químicos enfrentam condições precárias, sem acesso contínuo a suporte médico ou social.

Esforços de assistência e barreiras estruturais
A prefeitura de São Paulo afirma manter um trabalho contínuo de assistência, com equipes que percorrem a cidade para identificar e acolher pessoas em situação de rua. Segundo a administração municipal, as abordagens incluem oferta de tratamento para dependência química e encaminhamento para centros de acolhida. No entanto, a reincidência no consumo de drogas e a falta de vagas em programas de reabilitação limitam os resultados.
A SSP reforça que o combate ao tráfico é prioridade, com operações que visam desarticular redes criminosas. Dados recentes indicam que, em 2024, a Polícia Militar realizou mais de 2.500 prisões por tráfico de drogas na capital, mas a circulação de entorpecentes persiste. A ausência de uma abordagem integrada, que combine repressão ao crime, assistência social e políticas de moradia, dificulta a redução da cracolândia.
- Medidas atuais das autoridades:
- Abordagens diárias por agentes de saúde e assistência social.
- Operações policiais contra o tráfico de drogas.
- Zeladoria urbana com limpeza diária na Pacaembu.
- Monitoramento conjunto entre polícias e GCM.
Impacto na comunidade local
A concentração de usuários na avenida Pacaembu afeta diretamente a dinâmica da zona oeste. Comerciantes e moradores relatam receio de circular à noite, especialmente devido à entrega de drogas e à desordem no local. O contraste com a limpeza temporária realizada pela prefeitura evidencia a necessidade de ações mais robustas. A presença de barracas de camping e lixo acumulado também prejudica a estética urbana e a sensação de segurança.
A situação é agravada pela proximidade com o prédio da Receita Federal, que atrai grande fluxo de contribuintes. A falta de policiamento fixo, diferentemente de outros pontos da cidade, como a rua dos Protestantes, reforça a percepção de abandono. A comunidade local cobra medidas que vão além da limpeza diária, como a instalação de bases policiais e programas de reinserção social.
Caminhos para o enfrentamento
O avanço da cracolândia na Pacaembu exige uma abordagem multifacetada, que combine assistência social, segurança pública e políticas de longo prazo. Experiências anteriores, como a Operação Centro Legal, mostram que ações pontuais podem reduzir temporariamente as aglomerações, mas não resolvem o problema de forma definitiva. A integração entre saúde, assistência social e segurança é essencial para oferecer alternativas aos dependentes químicos e combater o tráfico.
- Possíveis estratégias para a região:
- Ampliação de centros de acolhida com vagas para tratamento.
- Policiamento fixo em pontos críticos como a Pacaembu.
- Programas de reinserção social com foco em emprego e moradia.
- Parcerias com ONGs para atendimento psicossocial.
A crise na avenida Pacaembu reflete um desafio maior para São Paulo: encontrar soluções sustentáveis para a cracolândia. Enquanto as autoridades não implementarem medidas integradas, a migração de usuários de drogas para novos pontos da cidade continuará, perpetuando um ciclo de vulnerabilidade e insegurança.







