O Morro dos Ventos Uivantes de Fennell: por que a internet rejeita a nova visão do clássico?Por Carolina Costa
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A nova adaptação cinematográfica de O Morro dos Ventos Uivantes, clássico romance de Emily Brontë publicado em 1847, provocou uma onda de reações intensas nas redes sociais após a divulgação do primeiro teaser pela Warner Bros. Dirigido por Emerald Fennell, conhecida por obras como Bela Vingança e Saltburn, o filme traz Margot Robbie no papel de Catherine Earnshaw e Jacob Elordi como Heathcliff, com estreia marcada para 12 de fevereiro de 2026 nos cinemas brasileiros. A produção, que promete uma visão contemporânea e ousada da história ambientada nos páramos de Yorkshire, na Inglaterra, destaca um relacionamento marcado por obsessão, vingança e tragédia, mas o tom sensual e erótico apresentado no vídeo promocional diverge significativamente do livro original, que enfatiza violência emocional e abusos sem elementos explícitos de sedução física. Internautas criticaram a aparente transformação da narrativa em um romance dark moderno, questionando se a essência gótica e sombria da obra foi preservada ou diluída para atrair um público mais amplo.
A escolha do elenco também gerou debates, especialmente quanto à representação de Heathcliff, descrito no romance como um órfão de origem possivelmente cigana ou racializada, o que não se alinha ao perfil do ator australiano. Enquanto isso, Robbie aparece caracterizada de forma glamourosa, afastando-se da imagem mais rústica e morena da personagem literária. O teaser, embalado por uma trilha sonora de Charli XCX, exibe cenas viscerais e paisagens dramáticas, capturadas pela cinematografia de Linus Sandgren, mas muitos fãs argumentam que o foco em erotismo sensual ignora os temas centrais de classe social, preconceito e destruição familiar. A produção envolve a LuckyChap Entertainment, de Robbie, e a MRC, com Fennell assinando o roteiro, direção e produção, o que reforça sua assinatura autoral em narrativas provocativas.
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A trama acompanha o inquilino Sr. Lockwood, que aluga Thrushcross Grange e descobre, através da governanta Nelly Dean, a história turbulenta entre Heathcliff e Catherine, envolvendo famílias Earnshaw e Linton em um ciclo de paixão e retaliação. Esse enredo, repleto de elementos sobrenaturais e psicológicos, já inspirou diversas adaptações ao longo dos anos.
O elenco ainda inclui nomes como Hong Chau como Nelly Dean, Shazad Latif como Edgar Linton e Alison Oliver como Isabella Linton, adicionando camadas a personagens secundários que sustentam o conflito principal.
Escolha do elenco e representações
A seleção de Jacob Elordi para Heathcliff tem sido o epicentro das discussões, pois estudiosos da obra de Brontë frequentemente interpretam o personagem como alguém marcado por exclusão étnica e social, o que contrasta com a imagem do ator. Críticos apontam que adaptações anteriores, como a de 1939 com Laurence Olivier ou a de 1992 com Ralph Fiennes, também optaram por intérpretes brancos, mas a versão de 2011, dirigida por Andrea Arnold, inovou ao escalar James Howson, um ator negro, aproximando-se mais da ambiguidade racial sugerida no texto original. Fennell, no entanto, defende uma abordagem livre, priorizando a visão artística sobre fidelidade literal, o que divide opiniões entre puristas e defensores de releituras modernas.
Margot Robbie, por sua vez, traz sua experiência em papéis complexos, como em Barbie, para encarnar Catherine, uma mulher dividida entre amor e convenções sociais. Sua caracterização loira e sofisticada gerou comparações com descrições literárias que a retratam de forma menos polida.
- Heathcliff como anti-herói: Personagem central, adotado pelos Earnshaw, mas tratado com desprezo, impulsionando sua busca por vingança.
- Catherine Earnshaw: Filha da família, cuja paixão por Heathcliff leva a escolhas trágicas, incluindo casamento com Edgar Linton.
- Temas de classe: A narrativa explora barreiras sociais que separam os amantes, refletindo a sociedade vitoriana.
- Elementos góticos: Fantasmas e obsessões permeiam a história, criando uma atmosfera de mistério e tormento.
O teaser sugere uma ênfase em diálogos intensos e imagens provocativas, como toques sensuais e olhares carregados, que não aparecem explicitamente no romance.
História das adaptações anteriores
O romance de Emily Brontë já foi levado às telas múltiplas vezes, cada versão capturando aspectos distintos da obra. A adaptação de 1939, dirigida por William Wyler, com Laurence Olivier e Merle Oberon, recebeu indicações ao Oscar e focou no romance central, omitindo partes da segunda geração. Em 1970, Robert Fuest dirigiu Timothy Dalton em uma versão mais fiel, destacando a violência emocional. A minissérie de 2009, com Tom Hardy, explorou nuances psicológicas para o público televisivo.
A produção de 1992, estrelada por Juliette Binoche e Ralph Fiennes, incorporou elementos sobrenaturais de forma mais explícita. Já a de 2011, sob direção de Andrea Arnold, adotou um estilo cru e minimalista, com filmagens em locações reais nos páramos, enfatizando o isolamento e a brutalidade da natureza.
- Versão de 1939: Indicada a melhor filme, com foco romântico.
- Adaptação de 1970: Ênfase em vingança e obsessão.
- Minissérie 2009: Exploração de traumas familiares.
- Filme de 2011: Abordagem racial inovadora com ator negro.
- Outras influências: Inspirações em música, como a canção de Kate Bush, e em séries modernas.
Essas variações mostram como o texto de Brontë permite interpretações diversas, mas a atual gera debates sobre limites da criatividade.
Reações ao teaser e marketing
O vídeo promocional, lançado em 3 de setembro, acumulou visualizações rápidas, mas também comentários negativos em plataformas digitais. Usuários expressaram frustração com a aparente sexualização da trama, comparando-a a romances eróticos contemporâneos, distante da tragédia gótica original. A estratégia de marketing, com estreia no Dia dos Namorados, posiciona o filme como uma opção romântica, o que contrasta com o tom sombrio do livro.
A diretora de elenco Kharmel Cochrane defendeu as escolhas, argumentando que adaptações não precisam ser fiéis à realidade, já que se trata de arte fictícia. No entanto, isso não aplacou as críticas, que incluem acusações de branqueamento cultural.
O trailer destaca a cinematografia impecável, com cenas de paisagens ventosas e figurinos elaborados, sugerindo um orçamento robusto da Warner Bros.
- Pontos positivos: Visual deslumbrante e elenco carismático.
- Críticas principais: Desvio do tom original e representação étnica.
- Estratégia de lançamento: Alinhada a datas comerciais para maximizar audiência.
- Impacto nas redes: Debates sobre fidelidade literária versus inovação.
A produção promete dividir opiniões, mas atrair curiosos pelo histórico de Fennell em narrativas provocativas.
Produção e equipe técnica
Emerald Fennell assume múltiplos papéis, escrevendo e dirigindo, com produção ao lado de Robbie e Josey McNamara. A parceria com a LuckyChap, responsável por sucessos como Bela Vingança, garante um selo de qualidade em projetos femininos fortes. A MRC, envolvida em Saltburn, reforça o tom ousado.
A trilha sonora inclui canções originais de Charli XCX, adicionando um elemento pop contemporâneo à ambientação histórica. A fotografia de Linus Sandgren, premiado por La La Land, captura a essência selvagem dos páramos.
Personagens secundários, como o Sr. Lockwood e os membros das famílias Linton e Earnshaw, ganham espaço para aprofundar o enredo.
Expectativas para a estreia
Com filmagens concluídas e pós-produção em andamento, o filme visa equilibrar tradição e modernidade. A data de lançamento, próxima ao Carnaval no Brasil, pode impulsionar bilheterias em um período de férias. Analistas preveem um desempenho sólido, impulsionado pelo apelo de Robbie e Elordi, estrelas em ascensão.
A narrativa explora temas eternos como amor proibido e consequências de escolhas, ressonando com audiências atuais. A versão de Fennell pode atrair novos leitores para o clássico, apesar das controvérsias.
- Público-alvo: Fãs de romances góticos e dramas intensos.
- Potencial de prêmios: Possíveis indicações em categorias técnicas.
- Comparações: Semelhanças com Saltburn em estilo visual.
- Divulgação futura: Esperam-se mais trailers e entrevistas.
O projeto reforça o interesse hollywoodiano em clássicos literários, adaptados para sensibilidades contemporâneas.
















