Ex-goleiro de base com Neymar e Alisson abandona futebol e vira psicólogo no Fluminense sonhando com seleçãoPor Maria
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Ex-goleiro titular da seleção brasileira de base na geração de 1992, ao lado de nomes como Neymar, Philippe Coutinho, Casemiro, Alex Sandro e Dudu, Luis Guilherme decidiu encerrar sua carreira no futebol profissional em 2019, após defender o São Gonçalo na segunda divisão do Campeonato Carioca, e migrou para a psicologia, atuando hoje como profissional no Fluminense, no Rio de Janeiro, onde atende jovens atletas das categorias inferiores. Nascido em 4 de junho de 1992, no Rio, ele se formou em 2017 pela faculdade na Barra da Tijuca, conciliando estudos com treinos durante anos, e agora sonha em integrar a comissão técnica da seleção brasileira principal como psicólogo, ajudando jogadores a lidar com pressões que ele mesmo enfrentou. Essa transição ocorreu após uma trajetória promissora nas bases do Botafogo, onde passou mais de uma década, e convocações para torneios internacionais como o Sul-Americano sub-17 de 2009 e o Mundial da categoria, mas sem alcançar o nível profissional esperado. O porquê dessa mudança reside na busca por estabilidade e paixão pela mente humana, influenciada por uma lesão aos 18 anos que o levou a refletir sobre o futuro além dos gramados, em um momento em que o esporte exige cada vez mais suporte psicológico para lidar com lesões, críticas e expectativas.
A rotina intensa de Luis Guilherme na época misturava deslocamentos longos entre a Pavuna, onde morava, e os campi da faculdade em Botafogo e depois na Barra, somados a mais de três horas diárias no trânsito, além dos treinamentos no Botafogo. Ele enfrentou empréstimos a clubes menores como Boavista, Bangu e Bonsucesso, sem se firmar no profissional alvinegro, e testes em gigantes europeus como Arsenal, Manchester City e Lyon, que não resultaram em contratos. Apesar de Alisson, seu reserva nas bases, explodir no Internacional, Roma e Liverpool, com 75 jogos pela seleção principal e duas Copas do Mundo, Luis Guilherme não guarda ressentimentos, elogiando o talento do conterrâneo e destacando que o futebol reserva surpresas para todos.
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Sua entrada na psicologia veio de uma vocação precoce, impulsionada pela necessidade de entender o comportamento humano em meio às incertezas do esporte.
- Ele começou os estudos aos 18 anos, logo após uma lesão no pé que o fez questionar a longevidade na carreira atlética.
- Durante a graduação, atendeu pacientes em consultório na Zona Sul do Rio, incluindo atletas que viam nele um profissional empático por sua vivência nos gramados.
- Formado em 2017, ele equilibrou os últimos anos como jogador com atendimentos, priorizando a nova profissão a partir de 2019.
Essa fase de transição revelou como o esporte pode ser instável, com muitos atletas precisando de planos alternativos para se sustentar.
Trajetória nas categorias de base do Botafogo e da seleção
Luis Guilherme ingressou nas categorias de base do Botafogo ainda criança, tornando-se uma das principais promessas do clube carioca no início dos anos 2000. Aos 14 anos, em 2006, ele já foi convocado para um amistoso da seleção sub-14, marcando o início de uma série de chamadas para equipes nacionais. Sua estatura de 1,85 metro e reflexos rápidos o destacaram rapidamente, levando-o a disputar torneios internacionais e atrair olhares de olheiros europeus. No Botafogo, ele treinou ao lado de Jefferson, ídolo alvinegro, e participou de peneiras que o levaram a períodos de observação em clubes como o Arsenal, em 2007, embora a família tenha barrado uma ida precoce à Europa por ser muito jovem.
Em 2009, aos 17 anos, ele se consolidou como titular da seleção sub-17 no Sul-Americano da categoria, realizado na Argentina, onde o Brasil conquistou o título na disputa de pênaltis contra o país anfitrião, com Luis Guilherme defendendo cobranças decisivas. Nesse torneio, ele deixou Alisson no banco, mas o futuro ídolo do Liverpool logo assumiu a posição, “passando o trator”, como o próprio ex-colega descreve com admiração. O Mundial sub-17 do mesmo ano, na Nigéria, viu o Brasil eliminado pela Suíça nas oitavas de final, mas a experiência fortaleceu o grupo da geração 1992, que incluía talentos como Neymar, que brilhou com dribles e gols, e Coutinho, já mostrando visão de jogo.
A convivência com esses nomes moldou sua visão do esporte profissional.
No Botafogo, apesar de 12 anos de dedicação, ele não subiu ao profissional principal, o que o levou a empréstimos e uma sensação de frustração acumulada. Ele relembra treinos intensos e a pressão de ser visto como joia, mas enfatiza a gratidão pelo aprendizado. Em entrevistas passadas, ele alertava jovens jogadores: “Pensem além das quatro linhas”, destacando a dificuldade de se sustentar apenas com o futebol, especialmente após 2015, quando deixou o clube sem chances no time de cima.
Transição para a psicologia e desafios conciliados
A decisão de estudar psicologia surgiu de uma lesão no pé aos 18 anos, que o obrigou a pausar os treinos e refletir sobre o que viria após o esporte. Ele optou por uma faculdade particular na Barra da Tijuca para conciliar com o futebol, mas a rotina era exaustiva: aulas presenciais, deslocamentos e sessões de treinamento. Em 2017, formado, ele ainda jogou por mais dois anos, atuando no São Gonçalo, onde foi eleito o melhor goleiro da Copa Rio e destaque na Série B1 carioca. No entanto, sem propostas de clubes maiores, pendurou as chuteiras em 2019, aos 27 anos, focando na nova carreira.
Como psicólogo, ele atende em consultório na Zona Sul do Rio, com ênfase em jovens atletas, usando sua experiência para ajudar com ansiedade pré-jogo, recuperação de lesões e pressão familiar. Pacientes o procuram pela empatia: “Ele entende o que é falhar em uma cobrança de pênalti ou ser reserva de um craque”, diz um ex-jogador atendido. A pandemia acelerou a adaptação ao online, permitindo mais flexibilidade. Ele planeja escrever um livro intitulado “Entre luvas e livros”, registrando sua jornada, e sonha em lecionar em universidade.
Essa virada profissional o levou de volta ao futebol de forma indireta em 2023, quando o Fluminense o contratou para atuar nas categorias de base, integrando a equipe de psicologia do clube tricolor. Ali, ele trabalha com meninos de 14 a 20 anos, ajudando a gerir o estresse de competições como a Copinha e o Brasileiro sub-20, onde o Flu tem tradição.
- Atendimentos incluem técnicas de mindfulness para foco durante jogos.
- Ele enfatiza a importância de planos B, citando estatísticas de que apenas 1% dos jogadores de base chegam ao profissional.
- No Fluminense, colabora com preparadores físicos para um suporte holístico.
Sua rotina agora equilibra sessões matinais com estudos contínuos, como especializações em psicologia esportiva.
Sonhos renovados e o desejo pela seleção brasileira
Com a formação, Luis Guilherme sente que “o estudo abriu portas novamente”, permitindo sonhar alto como antes nos gramados. Seu maior objetivo é se tornar o psicólogo oficial da seleção brasileira principal, sob o comando de Carlo Ancelotti, ajudando atletas como Neymar e Alisson a lidar com a pressão de Copas do Mundo e Eliminatórias. Ele imagina sessões para gerenciar o estresse pós-derrota ou a motivação em altitudes como La Paz, onde o Brasil joga contra a Bolívia em setembro de 2025. “Sonho em ser professor universitário e escrever um livro”, revela, vendo na psicologia uma forma de contribuir para o esporte que o moldou.
No Fluminense, seu trabalho já impacta: jovens evitam lesões mentais comuns, como burnout, e melhoram o desempenho em torneios. Ele compara sua transição à de outros ex-atletas que viram terapeutas, como o ex-jogador do Internacional que atende vôlei. Sem mágoas pelo passado, ele elogia Alisson: “Ele merece tudo, disputou duas Copas e vai para a terceira, como Taffarel”. Essa gratidão impulsiona sua ambição, acreditando que sua vivência única o qualifica para a seleção.
A CBF tem aumentado o foco em saúde mental, com treinadores como Tite usando suporte psicológico esporádico, mas sem profissional fixo em Copas recentes. Luis Guilherme vê oportunidade aí, propondo abordagens personalizadas para cada jogador.
Contribuições atuais no Fluminense e visão para jovens atletas
No Fluminense, contratado em 2023, Luis Guilherme integra a equipe multidisciplinar das bases, trabalhando com psicólogos, nutricionistas e treinadores para formar atletas completos. Ele realiza palestras sobre resiliência, usando exemplos de sua carreira, e sessões individuais para lidar com rejeições em peneiras ou derrotas em finais. No sub-17, por exemplo, ajudou um goleiro a superar falhas em pênaltis, aplicando técnicas de visualização. O clube, que revelou nomes como Marcelo e Thiago Silva, valoriza esse suporte, especialmente após campanhas recentes no Brasileiro sub-20.
Ele alerta para os riscos do futebol: “É difícil se sustentar só com isso”, citando que muitos ex-jogadores enfrentam depressão pós-aposentadoria. Em atendimentos, foca em construir autoestima, ensinando que erros, como os dele em empréstimos, são lições. Futuramente, planeja expandir para o profissional do Flu, onde a pressão é maior.
Sua história inspira: de promessa frustrada a mentor, provando que o esporte vai além da bola.
- Técnicas usadas incluem respiração diafragmática para calmar antes de jogos.
- Ele incentiva estudos paralelos, como ele fez, para evitar dependência total do esporte.
- No Fluminense, monitora o bem-estar de 200 jovens por ano, reduzindo desistências por motivos mentais.
- Visão para a seleção: integrar desde as bases, criando continuidade no suporte psicológico.
Com isso, Luis Guilherme transforma sua jornada em ferramenta para o futuro do futebol brasileiro.















