Caso no Rio: turista argentino vítima de possível ‘Boa Noite, Cinderela’Por Luís Henrique Costa
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Um turista argentino de 54 anos, Alejandro Mario Ainsworth, foi encontrado morto no Rio de Janeiro na quinta-feira, 12 de setembro de 2025, após desaparecer no domingo, 8 de setembro. O corpo, localizado na Estrada da Grota Funda, Zona Oeste da cidade, não apresentava sinais de violência, levantando suspeitas de que ele foi vítima do golpe conhecido como “Boa Noite, Cinderela”. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso, enquanto a família relata saques de US$ 3.500 e um empréstimo de 4 milhões de pesos em suas contas bancárias. Ainsworth, gerente administrativo de uma rede de laboratórios, estava de férias em Copacabana, onde foi visto pela última vez às 23h44 de domingo, saindo do hotel em que estava hospedado. A polícia busca imagens de câmeras e aguarda exames periciais para determinar a causa da morte.
A investigação começou com a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), que foi acionada após o hotel informar que Alejandro não realizou o check-out. A família, ao perceber movimentações suspeitas em suas contas, contatou o Consulado Argentino, que colaborou nas buscas. Um dos filhos de Ainsworth viajou ao Rio para acompanhar o caso, reconhecendo o corpo na quinta-feira.
- Movimentações financeiras suspeitas: Saques e empréstimos foram registrados horas após o desaparecimento.
- Última imagem: Uma foto de uma camioneta em uma área de mata foi enviada ao Google Fotos na segunda-feira.
- Hipótese policial: O golpe “Boa Noite, Cinderela” é a principal linha de investigação.
Detalhes do desaparecimento
O caso de Alejandro Ainsworth começou a chamar atenção na noite de domingo, 8 de setembro, quando ele foi visto pela última vez em uma câmera de segurança do hotel em Copacabana. As imagens mostram o turista entrando no elevador às 23h44, sem sinais de comportamento anormal. Na madrugada de segunda-feira, movimentações financeiras começaram a surgir em suas contas. A família relatou que criminosos retiraram US$ 3.500, equivalente a cerca de R$ 18 mil, e solicitaram um empréstimo de 4 milhões de pesos argentinos, aproximadamente R$ 14 mil.
Outra tentativa de crédito foi bloqueada após a intervenção dos filhos, que monitoravam as contas. Além disso, uma fotografia misteriosa, tirada com o celular de Ainsworth e enviada ao Google Fotos às 7h de segunda-feira, mostrava uma camioneta estacionada em um terreno com vegetação, sugerindo uma área periférica do Rio. O celular permaneceu ativo até as 21h de segunda-feira, mas sua localização não foi rastreada.
A ausência de check-out no hotel levou os funcionários a contatarem a família, que imediatamente acionou as autoridades. O Consulado Argentino no Rio de Janeiro colaborou com a Deat, que inicialmente tratou o caso como desaparecimento. Após a localização do corpo, a investigação foi transferida para a DHC, que agora busca esclarecer as circunstâncias do crime.
Perfil de Alejandro Ainsworth
Alejandro, conhecido entre amigos e familiares como Alex, era um profissional respeitado na Argentina. Nascido em Campana, na província de Buenos Aires, ele vivia no bairro de Villa Urquiza, na capital argentina. Formado em Administração de Empresas com especialização em Saúde, ele dedicou mais de duas décadas à gestão administrativa em laboratórios e à auditoria no setor de saúde.
- Carreira diversificada: Atuava também como técnico em eletrocardiogramas, realizando atendimentos médicos a domicílio.
- Vida acadêmica: Lecionava aulas particulares de administração e saúde há mais de 20 anos.
- Vida pessoal: Pai de dois filhos, de 22 e 24 anos, era descrito como carinhoso e dedicado.
- Redes sociais: Compartilhava momentos com amigos e familiares, como um reencontro com ex-colegas em 2023.
Sua última publicação no Facebook, em fevereiro de 2023, mostrava a emoção de um reencontro com amigos de escola, destacando sua personalidade afetuosa. A nora de Alejandro publicou uma homenagem nas redes sociais, lamentando a perda e destacando sua generosidade.
Investigação e o golpe “Boa Noite, Cinderela”
A principal linha de investigação da DHC é que Ainsworth foi vítima do golpe “Boa Noite, Cinderela”, uma prática criminosa em que substâncias químicas são misturadas em bebidas para dopar as vítimas, facilitando roubos. O corpo, encontrado sem sinais de violência, reforça essa hipótese. Exames toxicológicos no Instituto Médico-Legal (IML) do Rio estão sendo realizados para confirmar se substâncias sedativas foram usadas.
Casos semelhantes já ocorreram na cidade. Em agosto de 2023, um turista jamaicano com cidadania americana foi encontrado morto em Copacabana, também sem sinais de violência. Em outubro do mesmo ano, um colombiano faleceu após um mal súbito, com suspeitas de doping. Mais recentemente, em agosto de 2024, dois universitários britânicos foram dopados em Ipanema, perdendo celulares e cerca de R$ 15 mil.
- Modus operandi: Criminosos oferecem bebidas com sedativos em bares ou festas.
- Alvos frequentes: Turistas, especialmente estrangeiros, são visados por sua vulnerabilidade.
- Roubos financeiros: Saques e transferências são realizados enquanto a vítima está inconsciente.
- Riscos fatais: Altas doses de sedativos podem levar a overdoses acidentais.
A polícia também investiga se o caso de Ainsworth está ligado a uma rede criminosa. No mesmo dia de seu desaparecimento, uma mulher foi presa em Bangu, Zona Oeste, suspeita de dopar um turista francês em dezembro de 2024.
Reações da família e do consulado
Os dois filhos de Alejandro, de 22 e 24 anos, viajaram ao Rio na terça-feira, 9 de setembro, para acompanhar as buscas. Um deles, Alan Ainsworth, relatou à imprensa argentina a suspeita de sequestro, devido às movimentações financeiras e ao uso do celular do pai para transações. “Eles usaram a validação facial para acessar as contas”, disse Alan, sugerindo que os criminosos mantiveram Alejandro vivo por algumas horas para realizar os saques.
O Consulado Argentino no Rio de Janeiro atuou rapidamente, coordenando esforços com a Deat e a DHC. Após a identificação do corpo, o consulado iniciou os procedimentos legais para a liberação e repatriação, incluindo exames de impressões digitais. A família, abalada, aguarda os resultados periciais para entender as circunstâncias da morte.
Impacto em Copacabana e segurança para turistas
A morte de Alejandro Ainsworth reacende o debate sobre a segurança de turistas no Rio de Janeiro, especialmente em áreas turísticas como Copacabana. O bairro, conhecido por sua beleza e vida noturna, também atrai criminosos que exploram a vulnerabilidade de visitantes. Casos de “Boa Noite, Cinderela” têm crescido, com pelo menos três mortes ligadas ao golpe em pouco mais de um ano.
A polícia intensificou patrulhas na região e trabalha na identificação de suspeitos por meio de câmeras de segurança. Autoridades recomendam que turistas evitem aceitar bebidas de desconhecidos e fiquem atentos a movimentações suspeitas em bares e festas.
- Dicas de segurança: Não deixar bebidas desacompanhadas em bares ou festas.
- Acompanhamento: Preferir sair em grupos ou com pessoas de confiança.
- Atenção financeira: Monitorar contas bancárias durante viagens.
- Denúncias rápidas: Contatar a Deat ou o consulado em caso de emergências.
Avanço das investigações
A DHC continua analisando imagens de câmeras de segurança de Copacabana e da Zona Oeste, onde o corpo foi encontrado. A polícia busca traçar o trajeto de Ainsworth após deixar o hotel e identificar possíveis suspeitos. A análise do celular, que permaneceu ativo até a noite de segunda-feira, pode fornecer pistas cruciais.
Enquanto isso, a família planeja a repatriação do corpo para a Argentina, aguardando a conclusão dos exames periciais. O caso, que chocou a comunidade argentina e os moradores do Rio, destaca a necessidade de maior vigilância em áreas turísticas e de medidas preventivas contra golpes sofisticados.







