Empate tenso entre Coritiba e Goiás na Série B termina em briga generalizada com seis expulsões no Couto PereiraPor Jeronimo Santos
12 min de leitura
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No Estádio Couto Pereira, em Curitiba, o Coritiba recebeu o Goiás na noite de sexta-feira, 12 de setembro de 2025, pela 26ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, em um confronto direto pela liderança que prometia emoções intensas. O time paranaense, treinado por Mozart Santos, entrou em campo com Pedro Morisco no gol, Zeca, Maicon, Jacy e João Almeida na defesa, Wallisson, Sebá Gómez e Vini Paulista no meio-campo, e Lucas Ronier, Clayson e Rodrigo Rodrigues no ataque. Já o Goiás, comandado por Vagner Mancini, optou por Thiago Rodrigues na meta, com lateral-direito Apodi, zagueiros Pedrão e Wanderson, lateral-esquerdo Breno Hares, volantes Marcão e Benítez, meias Luiz Gustavo e Juninho, e atacantes Anselmo Ramon, Pedrinho e Paulo Baya. O apito inicial soou sob os olhares de cerca de 25 mil torcedores alviverdes, ansiosos por uma vitória que consolidasse a ponta da tabela.
A partida começou com o Coritiba impondo seu ritmo habitual em casa, pressionando alto e buscando espaços pelas laterais. Logo aos cinco minutos, Lucas Ronier recebeu lançamento longo e avançou pela direita, cruzando rasteiro para a área, mas a defesa esmeraldina afastou o perigo in extremis. O Goiás, por sua vez, adotou uma postura mais cautelosa, priorizando a marcação no meio-campo e explorando contra-ataques rápidos com a velocidade de Pedrinho. Apesar da intensidade, o placar permaneceu zerado nos primeiros 15 minutos, com o domínio territorial do Coxa contrastando com a solidez defensiva do time goiano.
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- Principais ações do primeiro tempo:
- Cruzamento de Zeca aos 8 minutos interceptado por Pedrão;
- Chute de fora da área de Sebá Gómez aos 12, defendido por Thiago Rodrigues;
- Falta sofrida por Clayson aos 18, resultando em cobrança perigosa de Vini Paulista;
- Contra-ataque do Goiás aos 22, com Anselmo Ramon finalizando por cima do gol.
O jogo ganhou em trancamento conforme o relógio avançava, com faltas duras no meio-campo que interrompiam o fluxo. O árbitro Alex Gomes Stefano, do Rio de Janeiro, precisou intervir várias vezes para acalmar os ânimos, distribuindo cartões amarelos iniciais para Wallisson, do Coritiba, e Marcão, do Goiás. Ainda assim, o Coxa criou a chance mais clara aos 28 minutos, quando Rodrigo Rodrigues cabeceou uma bola aérea de João Almeida, mas a finalização saiu fraca nas mãos do goleiro adversário.
Pressão alviverde e defesas decisivas de Thiago Rodrigues
A segunda etapa iniciou com substituições táticas que alteraram o equilíbrio. No Coritiba, Felipe Guimarães entrou no lugar de Zeca para reforçar a defesa, enquanto o Goiás apostou em Iury Castilho por Paulo Baya, buscando mais presença ofensiva. O Coxa retomou a pressão logo aos 48 minutos, com Gustavo Coutinho, que substituíra Rodrigo Rodrigues, cabeceando uma bola desviada na defesa que explodiu no travessão, levantando a torcida em um misto de euforia e frustração. Esse lance exemplificou o domínio paranaense, que acumulou 62% de posse de bola ao longo da partida e finalizou 14 vezes, contra apenas sete do Goiás.

Thiago Rodrigues emergiu como o grande destaque esmeraldino, realizando pelo menos três defesas difíceis que frustraram as investidas do adversário. Aos 65 minutos, ele voou para espalmar um chute colocado de Lucas Ronier, que vinha em noite inspirada e foi eleito o melhor em campo por muitos observadores. O goleiro goiano, aliás, acumulou reclamações por suposta perda de tempo, o que irritou os jogadores locais e plantou as sementes da tensão que explodiria mais adiante. O técnico Mozart Santos gesticulava intensamente na beira do campo, cobrando mais precisão nos passes finais de seus atacantes.
O Goiás, apesar da retranca, teve momentos de perigo em bolas paradas. Aos 72 minutos, uma falta cobrada por Luiz Gustavo passou perto da trave esquerda de Pedro Morisco, forçando o goleiro coxa-branca a uma defesa segura. A partida seguiu truncada, com o meio-campo disputado em duelos físicos que renderam mais quatro amarelos, para Benítez e Juninho, do lado visitante, e Sebá Gómez e Jacy, pelos donos da casa. Nenhuma das equipes logrou êxito em converter suas oportunidades em gol, mantendo o zero no marcador até os acréscimos.
- Momentos chave da etapa final:
- Cabeçada de Gustavo Coutinho no travessão aos 48 minutos;
- Defesa milagrosa de Thiago Rodrigues em chute de Ronier aos 65;
- Falta perigosa de Luiz Gustavo aos 72, quase um gol olímpico;
- Substituição de De Pena por Vini Paulista aos 78, alterando o ataque coxa.
Gol anulado nos acréscimos e o estopim da revolta
Aos 47 minutos do segundo tempo, o Coritiba vibrou com o que parecia ser a vitória merecida. Após uma jogada coletiva pela esquerda, Sebá Gómez recebeu na área e tocou para o fundo das redes, mas o árbitro interrompeu a comemoração ao sinalizar impedimento e toque no braço do meio-campista argentino. A revisão no VAR confirmou a anulação, o que gerou um vaivém de protestos entre os jogadores alviverdes e a torcida, que vaiou a decisão. Esse episódio, somado à percepção de antijogo por parte do goleiro Thiago Rodrigues, elevou a temperatura do duelo para níveis críticos.
O apito final soou logo em seguida, selando o empate em 0 a 0, mas o que veio a seguir transformou o jogo em um dos mais polêmicos da Série B 2025. Thiago Rodrigues, visivelmente exaltado, atravessou o campo em direção aos adversários para confrontar De Pena, iniciando uma discussão acalorada que rapidamente escalou para empurrões generalizados. Jogadores de ambos os lados se envolveram, com trocas de agressões que incluíram tentativas de socos e chutes, estendendo-se até o túnel de acesso aos vestiários.
O árbitro Alex Gomes Stefano, assessorado pela equipe de arbitragem, precisou de minutos para separar os envolvidos, com auxiliares e até grades do estádio sendo usadas para conter o tumulto. Membros das comissões técnicas também entraram na briga, embora sem receber punições formais. A calmaria relativa permitiu que o juiz recorresse ao VAR para analisar as imagens, identificando os principais agressores e distribuindo cartões vermelhos de forma equilibrada.
Seis expulsões e as punições imediatas
A revisão das imagens revelou um quadro de indisciplina coletiva que resultou em três expulsões por equipe. Pelo Coritiba, o goleiro reserva Pedro Rangel, o volante Felipe Machado e o atacante Clayson receberam os vermelhos por participação ativa na confusão, com imagens mostrando empurrões e xingamentos. Do lado do Goiás, o volante Marcão, o meia Benítez e o centroavante Anselmo Ramon foram punidos pelos mesmos motivos, com o último visto em uma troca de chutes perto do túnel. Thiago Rodrigues, epicentro das reclamações por cera, saiu ileso de punições adicionais, o que gerou mais controvérsias entre os torcedores locais.
Essas suspensões automáticas, válidas para a próxima rodada, representam um baque logístico para ambos os treinadores. O Coritiba perde profundidade no meio-campo sem Machado, peça chave na marcação, enquanto o Goiás terá que rearranjar sua defesa sem Benítez, que acumula versatilidade em várias posições. A CBF, por meio de seu protocolo disciplinar, notificou os clubes sobre as sanções na manhã seguinte, reforçando a proibição de contato entre os envolvidos até a apuração final.
- Jogadores expulsos e motivos principais:
- Pedro Rangel (Coritiba): Empurrão em Anselmo Ramon;
- Felipe Machado (Coritiba): Tentativa de soco em Marcão;
- Clayson (Coritiba): Xingamentos e agressão verbal;
- Marcão (Goiás): Chute em direção a Clayson;
- Benítez (Goiás): Empurrão coletivo na área central;
- Anselmo Ramon (Goiás): Participação em tumulto no túnel.
A Federação Paranaense de Futebol emitiu nota lamentando o episódio, mas elogiou a atuação da arbitragem em manter o controle. Analistas apontam que a anulação do gol contribuiu para o estresse acumulado, mas a rivalidade entre líderes da Série B sempre carrega faíscas prontas para explodir.
Histórico de confrontos e a rivalidade acirrada
Os embates entre Coritiba e Goiás remontam a décadas, com mais de 40 jogos disputados em competições nacionais, equilibrados em vitórias – 18 para o Coxa, 15 para o Esmeraldino e sete empates. Na Série B atual, esse foi o primeiro encontro direto, mas a proximidade na tabela transformou o duelo em um marco da temporada. Historicamente, partidas entre times da parte alta da Segundona costumam gerar mais cartões, com uma média de 5,2 amarelos por jogo, segundo dados da CBF para 2025.
O Coritiba, fundado em 1909, carrega uma tradição de 38 participações na elite, mas vive a Série B pela terceira vez em cinco anos, motivado pela torcida fiel que lota o Couto Pereira – o maior público da rodada, com 25.432 pagantes. O Goiás, por sua vez, retorna à segunda divisão após rebaixamento em 2024, com um elenco mesclado de jovens e veteranos que visa o retorno imediato à Série A. Essa rivalidade recente ganhou contornos de “duelo dos emergentes”, com ambos os clubes investindo em reforços como Gustavo Coutinho, no Coxa, e Pedrinho, no Verdão.
Em temporadas passadas, confrontos semelhantes terminaram em polêmicas, como o jogo de 2010 pela Série A, que acabou 2 a 2 com três expulsões. Esse histórico reforça a necessidade de maturidade, especialmente em um campeonato onde pontos são disputados a unha e dente.
- Enfrentamentos marcantes entre os times:
- 2010, Série A: Empate 2 a 2 com três vermelhos e pênalti polêmico;
- 2005, Série A: Vitória do Coritiba por 3 a 1, com gol nos acréscimos;
- 1998, Série A: Goiás vence por 2 a 0 em Goiânia, com defesa impecável;
- 2023, Copa do Brasil: Coritiba avança nos pênaltis após 1 a 1 agregado.
Desempenho na temporada e números impressionantes
O Coritiba chega à 26ª rodada com um aproveitamento de 66%, somando 14 vitórias, cinco empates e seis derrotas, o que o coloca isolado na liderança com 47 pontos. Em casa, o time registra invencibilidade nas últimas sete partidas, com saldo de 15 gols marcados e apenas três sofridos. Lucas Ronier lidera o ataque com oito gols, seguido por Clayson com seis, enquanto a defesa, ancorada por Maicon, concede em média 0,8 gol por jogo. Esses números refletem a consistência tática de Mozart, que prioriza transições rápidas e pressão alta.
O Goiás, com 45 pontos, ostenta o melhor saldo de gols da competição, +18, graças a uma defesa que sofreu apenas 19 tentos em 26 jogos. Fora de casa, porém, o time vence apenas 40% das partidas, com empates como esse servindo de escudo para manter a vice-liderança. Anselmo Ramon é o artilheiro esmeraldino com sete gols, e Thiago Rodrigues acumula oito clean sheets, o maior número entre os goleiros da Série B. A campanha goiana destaca a eficiência em contra-ataques, com 42% dos gols saindo de jogadas rápidas.
Comparativamente, os dois times lideram em posse de bola média – 58% para o Coritiba e 55% para o Goiás – e em finalizações por partida, com 12,4 e 11,2, respectivamente. Esses dados, compilados pela CBF, mostram por que o duelo foi tão disputado, com o empate mantendo a diferença em dois pontos e prometendo uma reta final eletrizante.
Próximos desafios e ajustes táticos necessários
Pela 27ª rodada, o Goiás retorna ao Serra Dourada no sábado, 20 de setembro, às 16h, para enfrentar o Paysandu, um adversário que luta contra o rebaixamento e pode complicar com sua garra em jogos fora. Sem Benítez e Marcão, Vagner Mancini deve promover o jovem Willean Lepo ao meio-campo, testando a profundidade do elenco em uma partida que exige vitória para encostar no líder. O Paysandu, com apenas 22 pontos, representa uma oportunidade de recuperação, mas a ausência de Anselmo Ramon no ataque demandará criatividade de Pedrinho e Juninho.
Já o Coritiba viaja a Belo Horizonte no domingo, 21 de setembro, às 16h, para medir forças com o América-MG, quarto colocado com 40 pontos e embalado por três vitórias seguidas. Sem Machado e Clayson, Mozart pode escalar Jaderson no meio e Iury Castilho na frente, priorizando a solidez defensiva em um Independência lotado. O Coelho mineiro, com ataque letal liderado por Lourenço, testará a resiliência coxa-branca, mas o saldo positivo fora de casa – seis vitórias em 13 jogos – anima os paranaenses.
Esses confrontos subsequentes testarão a capacidade de adaptação de ambos os times, especialmente após as perdas por suspensão. A Série B, com sua média de 2,4 gols por jogo em 2025, continua imprevisível, e pontos como esse empate podem pesar na corrida pelo acesso.















