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A Receita Federal lançou, em 14 de setembro de 2025, em Brasília, uma plataforma tecnológica inovadora para gerenciar os novos impostos sobre consumo, previstos na reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional. Desenvolvida em parceria com o Serpro e com a colaboração de especialistas do mercado financeiro e gigantes de tecnologia, a ferramenta processará cerca de 70 bilhões de documentos fiscais por ano, superando a escala do sistema Pix do Banco Central. O sistema, que entra em operação plena em 2026 com alíquota simbólica de 1% compensável, visa simplificar a cobrança do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), substituindo tributos como PIS, Cofins, ICMS, IPI e ISS. Utilizando o mecanismo de split payment, a plataforma separa automaticamente os impostos no momento das transações eletrônicas, reduzindo fraudes e atrasos. A iniciativa responde à necessidade de modernizar o sistema tributário brasileiro, marcado por complexidade e perdas bilionárias por sonegação, promovendo maior eficiência e transparência na arrecadação.

O projeto, que já conta com testes envolvendo 500 empresas, representa um marco na gestão fiscal do país. A ferramenta promete agilizar a devolução de créditos tributários em horas e combater práticas como notas frias, com estimativas de recuperação de até R$ 500 bilhões anuais em sonegação. A transição para o novo modelo, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025, será gradual, com extinção total de ICMS e ISS até 2033.

Receita federal, imposto de renda
Receita federal – Foto: rafastockbr / Shutterstock.com
  • Principais inovações: Processamento de 70 bilhões de notas fiscais anuais, split payment automático e devolução rápida de créditos.
  • Impacto esperado: Redução de fraudes fiscais e simplificação das obrigações acessórias.
  • Cronograma inicial: Testes em 2025, operação plena em 2026 e expansão do split payment em 2027.

Split payment redefine transações comerciais

O mecanismo de split payment é o núcleo da nova plataforma, permitindo a separação automática dos valores de IBS e CBS no momento das transações eletrônicas, como Pix, cartões ou transferências bancárias. Inspirado em sistemas de países como Itália e Polônia, o modelo elimina a passagem dos impostos pelo caixa das empresas, direcionando-os diretamente aos entes federativos. Bernard Appy, secretário extraordinário da Reforma Tributária, destacou que o sistema opera em tempo real, calculando débitos e créditos para reter apenas o valor líquido devido, sem interferir nas práticas comerciais.

A implementação será gradual, começando em 2027 com a CBS em transações entre empresas (B2B) e expandindo para o IBS em 2029. A ferramenta exige adaptações nos sistemas internos das empresas, mas promete eliminar atrasos crônicos no recolhimento de tributos.

  • Retenção instantânea de impostos no momento do pagamento.
  • Aplicação inicial restrita a operações B2B, com varejo em fases futuras.
  • Integração com o Comitê Gestor do IBS para distribuição equitativa.
  • Compensação de créditos em horas, reduzindo prazos de meses para o mesmo dia.

Fase piloto revela robustez tecnológica

Desde julho de 2025, a plataforma está em fase de testes com 66 empresas, com previsão de alcançar 500 até dezembro. Desenvolvida pelo Serpro, a ferramenta utiliza uma arquitetura flexível, acessível via Gov.br, para facilitar a emissão de notas fiscais e a gestão de impostos. Robson Lima, gestor do projeto, destacou a simplicidade da interface, que integra módulos de cálculo automático e alertas para inconsistências, minimizando erros.

A fase inicial, com alíquotas simbólicas de 0,9% para CBS e 0,1% para IBS, permite mapear gargalos sem cobrança efetiva, garantindo ajustes antes da operação plena em 2026.

  • Expansão do piloto de julho a dezembro de 2025, abrangendo mais operações.
  • Calculadora oficial para classificação de produtos, evitando erros fiscais.
  • Treinamento de equipes para integração com obrigações simplificadas.
  • Monitoramento em tempo real com correções imediatas em notas fiscais.

Transição gradual elimina tributos antigos

A substituição de PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS pelo IBS e CBS ocorrerá entre 2026 e 2033. Em 2026, os testes nacionais utilizam alíquotas simbólicas, enquanto em 2027 a CBS substitui PIS e Cofins, com alíquota estimada em 8,7%. O IBS absorverá ICMS e ISS gradualmente até 2033, quando esses tributos serão extintos. A Lei Complementar 214/2025 também institui o Imposto Seletivo, voltado para bens como cigarros e combustíveis fósseis.

Essa transição mantém a carga tributária proporcional ao PIB, mas reduz desigualdades regionais, equilibrando a arrecadação entre estados e municípios. Setores como indústria e comércio, impactados pela cumulatividade, preveem alívio com créditos amplos.

  • 2026: Testes com alíquotas compensáveis de 0,9% (CBS) e 0,1% (IBS).
  • 2027: Extinção de PIS e Cofins, com split payment para CBS em B2B.
  • 2029-2032: Substituição gradual de ICMS e ISS pelo IBS.
  • 2033: Consolidação do modelo, com IPI zerado, exceto na Zona Franca de Manaus.

Créditos rápidos fortalecem cadeias produtivas

A não cumulatividade plena do IBS e CBS permite que empresas recuperem rapidamente valores pagos em insumos e serviços, com processamento em horas. Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal, destacou que o sistema integrado nacional reduz prazos de meses para o mesmo dia, estimulando investimentos. A plataforma calcula créditos automaticamente, com devoluções destacadas nas notas fiscais, beneficiando setores com longas cadeias produtivas, como a manufatura.

  • Créditos sobre todos os insumos adquiridos, sem exceções amplas.
  • Recuperação a partir do primeiro dia útil do mês seguinte.
  • Desoneração total para exportações, eliminando resíduos tributários.
  • Benefícios para manufatura, com redução de custos em cascata.

Combate à sonegação ganha força com automação

A plataforma reduz fraudes como notas frias ao validar transações em tempo real, eliminando brechas para inadimplência em pagamentos eletrônicos. Estimativas apontam uma recuperação de R$ 400 bilhões a R$ 500 bilhões anuais, equivalente à sonegação atual. O sistema emite alertas preventivos para erros, substituindo autuações por orientações, e integra regimes especiais para setores como energia e finanças.

  • Eliminação de atrasos em recolhimentos eletrônicos.
  • Simplificação de obrigações acessórias, sem guias manuais.
  • Redução de contencioso tributário com provas automáticas.
  • Benefício a 94 milhões de pessoas via cashback, com devolução de 20% dos impostos.

Cashback promove justiça social

O cashback, integrado à plataforma, devolve 20% dos impostos federais, estaduais e municipais a famílias do Cadastro Único com renda per capita abaixo de meio salário mínimo. O sistema calcula e transfere valores mensalmente, com abatimentos imediatos em contas de água, luz e gás. A cesta básica nacional terá alíquota zero, aliviando custos para vulneráveis.

  • Devolução automática via plataforma, sem burocracia.
  • Abatimentos em faturas de serviços essenciais.
  • Cobertura para 94 milhões de beneficiários.
  • Transparência com impostos destacados nas notas fiscais.

Setores se preparam para nova realidade

Setores como tecnologia e infraestrutura veem o split payment como oportunidade, mas alertam para impactos no fluxo de caixa. A ABES promove debates sobre adaptação tecnológica, enquanto empresas de contabilidade, como a Ágio, investem em treinamentos. O Grupo Técnico 20 refina regras para garantir viabilidade econômica.

  • Investimentos em ERP para integração com a plataforma.
  • Revisão de fluxos de caixa para retenções automáticas.
  • Capacitação em obrigações acessórias simplificadas.
  • Parcerias com Serpro para testes personalizados.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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