Ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes é executado a tiros em emboscada no litoral paulistaPor Maria
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Ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, foi executado a tiros nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2025, em Praia Grande, no litoral sul paulista, enquanto dirigia seu Fiat Argo preto após deixar a sede da prefeitura, onde atuava como secretário de Administração. O crime ocorreu por volta das 18h na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, no bairro Nova Mirim, próximo ao Fórum local, em uma ação que envolveu perseguição por criminosos armados com fuzis, resultando no capotamento do veículo da vítima após colisão com um ônibus. Segundo relatos iniciais da Polícia Militar, três homens desceram de uma camionete e dispararam contra o carro capotado, confirmando a morte no local pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, sem chance de socorro. A motivação aparente liga-se à extensa carreira de Fontes no combate ao crime organizado, especialmente contra o Primeiro Comando da Capital, facção que o considerava alvo prioritário desde investigações nos anos 2000. Autoridades preservaram a cena para perícia, e equipes de inteligência já rastreiam os suspeitos, com o veículo dos agressores localizado rapidamente.
A execução de Ruy Ferraz Fontes representa um dos ataques mais ousados contra autoridades policiais aposentadas na região, destacando vulnerabilidades em áreas urbanas litorâneas. Imagens de câmeras de segurança capturaram a perseguição em alta velocidade, mostrando o carro da vítima avançando em cruzamentos antes de tombar, o que permitiu aos atiradores se aproximarem e efetuarem os disparos. Policiais militares isolaram a via movimentada, onde o trânsito parou abruptamente, e peritos analisaram marcas de pneus e projéteis espalhados. Fontes, que acumula mais de 40 anos de serviço na Polícia Civil, havia sido vítima de assaltos anteriores, incluindo um em dezembro de 2023 no estacionamento de sua residência em Praia Grande, o que reforçava alertas sobre sua exposição mesmo após a aposentadoria.
Autoridades locais e estaduais mobilizaram recursos para a investigação, com foco em conexões com organizações criminosas que Fontes desmantelou ao longo da carreira.
- Perseguição iniciada logo após saída da prefeitura, com camionete seguindo o Fiat Argo em velocidade excessiva.
- Colisão com ônibus em cruzamento, causando capotamento e imobilizando o veículo da vítima.
- Três criminosos armados com fuzis descem e disparam múltiplos tiros, um vigiando o perímetro.
- Fugida imediata dos agressores, com veículo localizado por PM em área próxima.
Detalhes do ataque em Nova Mirim
A Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, local do crime, serve como artéria principal no bairro Nova Mirim, conectando o centro administrativo de Praia Grande a zonas residenciais e comerciais movimentadas no fim de tarde. Ruy Ferraz Fontes dirigia sozinho quando a perseguição começou, possivelmente monitorada por criminosos que aguardavam sua saída rotineira da prefeitura. Testemunhas relataram o barulho ensurdecedor dos disparos, que ecoaram pela vizinhança, e o pânico de pedestres que se abrigaram em comércios próximos. O Samu chegou em minutos, mas os ferimentos múltiplos no tórax e cabeça tornaram qualquer atendimento inviável, com o corpo removido para o Instituto Médico Legal de Santos.
Investigadores destacam a precisão da emboscada, sugerindo planejamento prévio, já que os atiradores usaram armas de grosso calibre, comuns em ações de facções. A PM recuperou o carro dos suspeitos abandonado em rua adjacente, com placas clonadas, e análises de balística prosseguem para ligar as munições a estoques conhecidos de grupos criminosos. Familiares de Fontes foram notificados no local, e a prefeitura suspendeu atividades administrativas por luto, enquanto a Secretaria de Segurança Pública coordena buscas com uso de drones e câmeras de vigilância urbana.
A rapidez da resposta policial evitou maiores transtornos, mas expõe a ousadia dos executores em plena luz do dia.
Informes que o ex-delegado-geral da Polícia Civil de SP, delegado Ruy Fontes, foi emboscado e assassinado com vários tiros de fuzil na Vila Mirim, em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
— Submundo Criminal (@submundodocrime) September 15, 2025
Ruy se destacou em anos passados pelo combate ao PCC. pic.twitter.com/HQqC2o57XJ
Trajetória inicial na Polícia Civil
Ruy Ferraz Fontes iniciou sua carreira em 1988 como delegado titular na Delegacia de Taguaí, no interior paulista, integrando o Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior. Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, com pós-graduação em Direito Civil, ele rapidamente avançou para unidades especializadas na capital. Sua passagem pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa marcou os primeiros anos de foco em crimes violentos, onde coordenou equipes em investigações complexas envolvendo disputas urbanas. Posteriormente, assumiu a 1ª Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes no Denarc, combatendo redes de narcotráfico que se entrelaçavam com roubos organizados.
Essa fase inicial consolidou sua reputação como investigador meticuloso, com ênfase em evidências forenses e interrogatórios que desmontavam hierarquias criminosas. Fontes também se especializou em administração pública, participando de cursos internacionais, como o de Repressão às Drogas em Vancouver, pela Polícia Montada do Canadá, e Anti-Drogas e Anti-Terrorismo na França. Sua abordagem integrava tecnologia emergente à época, como mapeamento de rotas de tráfico, o que o preparou para desafios maiores em delegacias de elite.
Ao longo desses anos, ele acumulou condecorações internas por prisões de alto impacto, sempre priorizando a preservação de provas em cadeia de custódia rigorosa.
- Ingresso em 1988 como delegado em Taguaí, lidando com crimes rurais e urbanos iniciais.
- Atuação no DHPP, investigando homicídios em massa e disputas de território.
- Comando no Denarc, desarticulando laboratórios de entorpecentes na Grande São Paulo.
- Cursos no exterior fortalecendo expertise em operações transnacionais.
Combate pioneiro ao crime organizado
No início dos anos 2000, Ruy Ferraz Fontes assumiu a 5ª Delegacia de Roubo a Bancos no Deic, onde se tornou o primeiro delegado a mapear sistematicamente a estrutura do Primeiro Comando da Capital. Sua equipe indiciou fundadores e líderes por formação de quadrilha, baseando-se em interceptações telefônicas e delações que revelavam fluxos financeiros da facção. Essa investigação inicial, em 2001 e 2002, junto ao delegado Alberto Pereira Matheus Junior, expôs ramificações do PCC em presídios e ruas, levando a prisões que enfraqueceram sua expansão inicial. Fontes coordenou operações que recuperaram milhões em bens ilícitos, incluindo veículos blindados usados em assaltos.
Durante os ataques de maio de 2006, promovidos pelo PCC contra forças de segurança, Fontes liderou contrainvestigações no Deic, identificando células responsáveis por incêndios e execuções. Sua liderança no Departamento Estadual de Investigações Criminais ampliou o escopo para roubos interestaduais, com foco em lavagem de dinheiro por familiares de detentos. Em 2010, divergências com autoridades superiores não o impediram de prosseguir, resultando em indiciamentos de figuras como a esposa de um líder máximo por crimes financeiros. Fontes também dirigiu o Decap, supervisionando inquéritos de corrupção policial infiltrada em redes criminosas.
Essas ações o tornaram referência em seminários sobre inteligência policial, onde compartilhava métodos de infiltração sem comprometer agentes.
Liderança na Delegacia Geral
Entre 2019 e 2022, Ruy Ferraz Fontes comandou a Delegacia Geral de Polícia Civil de São Paulo, nomeado pelo então governador João Doria, sucedendo Youssef Abou Chain como secretário-executivo. Nesse período, ele implementou reformas na estrutura investigativa, priorizando integração entre delegacias especializadas e unidades de inteligência. Uma medida chave foi a transferência de chefes do PCC para presídios federais em outros estados, como o de Presidente Bernardes, conhecido por vigilância avançada, o que isolou comunicações internas da facção e reduziu rebeliões coordenadas. Fontes supervisionou mais de mil operações anuais, com ênfase em cibercrimes emergentes ligados ao tráfico.
Sua gestão viu o aumento de 25% nas prisões por associação criminosa, segundo relatórios internos, graças a parcerias com o Ministério Público. Como professor na Academia da Polícia Civil e na Universidade Anhanguera, em Criminologia e Direito Processual Penal, ele formou gerações de delegados em técnicas de investigação ética. Fontes defendeu a modernização de laboratórios forenses, incorporando análise de DNA e rastreamento digital, o que acelerou resoluções de casos frios. Apesar de ameaças documentadas, incluindo uma ordem de morte em 2019 pelo PCC em retaliação às transferências, ele manteve protocolos de segurança elevados para a tropa.
A transição para o cargo em Praia Grande em janeiro de 2023 marcou sua saída da ativa policial, mas manteve envolvimento consultivo em treinamentos.
- Nomeação em 2019 sob gestão Doria, com foco em reestruturação organizacional.
- Transferências prisionais de líderes do PCC para unidades federais distantes.
- Aumento de operações integradas, elevando prisões em 25% no período.
- Formação de delegados via academia, enfatizando ética e tecnologia.
Transição para gestão pública
Ao assumir a Secretaria de Administração de Praia Grande em 2023, Ruy Ferraz Fontes aplicou sua expertise em administração geral e financeira para otimizar serviços municipais. Ele coordenou reformas em processos licitatórios, garantindo transparência em contratações que beneficiavam infraestrutura litorânea, como calçadões e saneamento. Sua experiência em órgãos públicos ajudou a implementar sistemas de controle interno, reduzindo atrasos em pagamentos a fornecedores e melhorando a eficiência de equipes. Fontes também integrou treinamentos de segurança para guardas municipais, baseados em protocolos policiais que conhecia bem.
Em 2025, com a reeleição do prefeito Alberto Mourão, Fontes permaneceu no cargo, expandindo projetos de digitalização administrativa que facilitavam acesso cidadão a documentos online. Ele lidou com desafios orçamentários pós-pandemia, priorizando alocação de recursos para saúde e educação, áreas críticas no litoral. Sua atuação discreta contrastava com o passado investigativo, mas mantinha rede de contatos na segurança estadual para apoio em ocorrências locais. Incidentes prévios, como o assalto em 2023 onde bandidos apontaram arma para ele e a esposa, levaram a ajustes em rotinas pessoais, embora ele evitasse escoltas ostensivas.
Fontes contribuiu para planos de contingência urbana, incluindo simulações de resposta a crimes violentos na prefeitura.
Medidas iniciais da investigação
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ativou equipes especializadas logo após o crime, com peritos do Instituto de Criminalística analisando o Fiat Argo para traçar trajetórias de balas. Imagens de mais de 20 câmeras na avenida foram coletadas, revelando a camionete dos suspeitos como modelo comum em ações de facções, com vidros escuros. Policiais rastrearam rotas de fuga, interrogando motoristas de ônibus envolvidos na colisão, que escaparam ilesos. A identificação de impressões digitais no veículo abandonado avança, com cruzamento em bancos de dados nacionais.
Diligências incluem análise de celulares apreendidos em prisões recentes ligadas ao PCC, buscando comunicações que indiquem planejamento. Autoridades coordenam com a Polícia Federal para possíveis ramificações interestaduais, dado o histórico de Fontes. A preservação da cena durou horas, com guinchos removendo veículos obstruindo o tráfego noturno.
- Coleta de imagens de câmeras urbanas para reconstruir a perseguição.
- Análise balística de projéteis de fuzil encontrados no local.
- Interrogatório de testemunhas oculares e motoristas afetados.
- Rastreamento de placas clonadas da camionete dos criminosos.
- Integração com bancos de dados para identificação de suspeitos.







