FPF estreia desafio de vídeo inédito nas semifinais da Copa Paulista para revisar gols e pênaltisPor Carolina Costa
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A Federação Paulista de Futebol anuncia nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2025, a implementação inédita do desafio de vídeo nas semifinais da Copa Paulista, marcando a primeira vez que essa tecnologia chega ao futebol brasileiro em competições profissionais. Os clubes XV de Piracicaba, Comercial, Primavera e Grêmio Prudente, envolvidos nas partidas decisivas, foram informados durante o Conselho Técnico realizado em São Paulo, onde detalhes do sistema Football Video Support (FVS) foram apresentados. Essa ferramenta, desenvolvida pela Fifa e já testada em torneios de base como a Copa do Mundo Feminina Sub-20 de 2024 na Colômbia, permite que treinadores solicitem revisões em lances polêmicos, promovendo maior precisão nas decisões arbitrais sem a complexidade do VAR tradicional. A iniciativa surge como resposta à demanda por tecnologias acessíveis, especialmente para campeonatos regionais, e visa reduzir controvérsias em momentos cruciais, como gols e expulsões, beneficiando a integridade do torneio que distribui vagas para a Copa do Brasil e Série D em 2026. Com partidas agendadas a partir de sexta-feira, 19 de setembro, em Ribeirão Preto e Presidente Prudente, o recurso estreia em um contexto de inovação contínua no futebol paulista, reforçando o papel da FPF como pioneira em adotações tecnológicas.
O anúncio surpreende por sua simplicidade operacional, contrastando com sistemas mais robustos já em uso. Treinadores agora contam com uma opção estratégica para intervir diretamente, girando o dedo no ar como sinal e entregando um cartão específico ao quarto árbitro. Essa mecânica, inspirada em esportes como tênis e vôlei, onde desafios semelhantes resolvem disputas em segundos, adapta-se ao futebol para evitar interrupções excessivas. A FPF destaca que o FVS não exige equipes adicionais de árbitros de vídeo nem múltiplas câmeras, tornando-o viável para estádios menores e orçamentos limitados.
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- Cada equipe inicia o jogo com dois desafios disponíveis, recuperáveis em caso de acerto na revisão.
- O árbitro principal acessa uma cabine à beira do campo, auxiliado por um operador de replay para análise rápida.
- Decisões finais cabem exclusivamente ao juiz de campo, que pode confirmar ou alterar o veredicto inicial.
Essa estrutura garante fluidez nas partidas, com revisões limitadas a situações de alto impacto, evitando o que ocorre em outros torneios onde interrupções frequentes geram críticas de torcedores e treinadores.
Funcionamento prático do suporte de vídeo
O Football Video Support opera de forma direta, priorizando eficiência em um esporte onde o tempo é essencial. Quando um treinador identifica um possível erro, o gesto de rotação do dedo alerta o quarto árbitro, que recebe o cartão de solicitação. Imediatamente, o principal árbitro se dirige à cabine posicionada próximo à linha lateral, onde monitores exibem ângulos variados do lance. Um operador especializado seleciona os replays mais relevantes, sem interferência externa, permitindo que o juiz revise o episódio em até 30 segundos, em média, conforme testes da Fifa.
Essa abordagem difere radicalmente do Video Assistant Referee, implementado em ligas maiores desde 2018, pois elimina a necessidade de um árbitro dedicado exclusivamente ao vídeo. No VAR, uma equipe central monitora todos os lances em tempo real, intervindo apenas quando necessário, o que demanda infraestrutura cara e treinamento extenso. Já o FVS empodera os treinadores, transformando-os em atores ativos da arbitragem, mas com restrições claras para prevenir abusos. Em competições de base da Fifa, como o Blue Stars Youth Cup de 2024 em Zurique, o sistema reduziu erros em 25% nos lances revisados, segundo relatórios internos da entidade.
A sinalização visual, com o cartão colorido entregue manualmente, adiciona um elemento tático ao jogo. Treinadores devem avaliar o momento certo para usá-lo, considerando o risco de esgotar os dois pedidos disponíveis. Se o desafio for bem-sucedido – ou seja, se a revisão alterar a decisão original –, o pedido é devolvido, incentivando uso responsável. Caso contrário, perde-se a oportunidade, o que pode influenciar estratégias em jogos equilibrados como os das semifinais da Copa Paulista.
Situações elegíveis para revisão
O escopo do desafio de vídeo foca em incidentes que alteram o curso da partida, garantindo intervenções pontuais. Quatro cenários principais ativam o recurso, selecionados pela Fifa para equilibrar justiça e agilidade.
- Gol: Verificação de invasões ou irregularidades no momento da finalização, sem análise de impedimento offside.
- Pênalti: Confirmação se o contato dentro da área justifica a marcação ou se houve simulação.
- Cartão vermelho direto: Avaliação de faltas graves que merecem expulsão, como agressões ou condutas antidesportivas.
- Cartão ao jogador errado: Correção de identidade em punições amarelas ou vermelhas, evitando injustiças administrativas.
Esses limites evitam sobrecarga, diferentemente do VAR que cobre também impedimentos e mãos na bola. Na Copa do Mundo Feminina Sub-20 de 2024, um episódio notável envolveu a treinadora da França solicitando revisão em um gol marcado contra sua seleção, mas a árbitra manteve a decisão após análise, demonstrando a autonomia do juiz. No Brasil, essa estreia na Copa Paulista aplica o protocolo adaptado, com o quarto árbitro checando automaticamente gols e disputas de pênalti em duelos diretos, sem necessidade de pedido.
A escolha desses lances reflete dados globais: em torneios da Conmebol, erros em gols representam 40% das controvérsias, enquanto cartões errôneos afetam 15% das expulsões injustas. Com o FVS, a FPF busca mitigar esses números em um campeonato que, em 2025, já registra média de 2,3 cartões por jogo nas quartas de final.
Inovações anteriores da FPF no futebol
A adoção do desafio de vídeo consolida a trajetória de vanguarda da Federação Paulista de Futebol em tecnologias arbitrais. Em 2025, o Paulistão Sicredi introduziu o impedimento semiautomático, sistema que usa sensores em bolas e jogadores para alertas instantâneos de offside, reduzindo tempo de análise de minutos para segundos. Essa ferramenta, testada pela Uefa na Euro 2024, foi aplicada pela primeira vez no Brasil em clássicos como Corinthians x Palmeiras, onde evitou três marcações equivocadas.
Outro avanço veio com o Sistema Multibola, implementado para agilizar reposições durante o jogo. Múltiplas bolas posicionadas ao redor do campo, recuperadas por auxiliares treinados, cortaram interrupções em 20%, conforme estatísticas da FPF. No Paulistão Feminino, a câmera no árbitro estreou em 2025, capturando perspectivas exclusivas de decisões, como o golaço do Corinthians na estreia, que viralizou entre torcedores.
Essas iniciativas, apoiadas pela CBF e Fifa, posicionam São Paulo como laboratório para o futebol nacional. O presidente Reinaldo Carneiro Bastos enfatiza que o FVS estende essa filosofia, democratizando ferramentas avançadas para competições como a Copa Paulista, onde recursos são mais restritos. Em 2024, a FPF já havia colaborado em testes de IA para detecção de faltas, pavimentando o caminho para expansões futuras.
Preparação dos clubes para as semifinais
Os times semifinalistas da Copa Paulista recebem orientação detalhada sobre o novo sistema, com treinamentos simulados para treinadores e árbitros. O XV de Piracicaba, líder de sua chave, realiza sessões táticas em Piracicaba, focando em como identificar lances revisáveis sem pausar o fluxo do jogo. O Comercial, que avançou ao vencer o São José por 2 a 0 fora de casa, integra o desafio em drills de finalização, preparando o técnico Roberval Davino para decisões rápidas.
O Primavera, pela primeira vez na semi, comemora a vaga histórica com o treinador Fernando Marchiori destacando o recurso como equalizador contra erros humanos. Em Campinas, o clube testa cenários de pênalti com replays fictícios, adaptando estratégias para o confronto contra o Grêmio Prudente. Esse último, que celebrou o aniversário de 108 anos de Presidente Prudente com a classificação sobre a Francana, vê no FVS uma oportunidade para disputas justas em um mata-mata acirrado.
A preparação inclui briefings com árbitros da Comissão de Arbitragem da FPF, que instalam cabines em todos os estádios das partidas de ida e volta. Com horários definidos – ida do XV x Comercial na sexta-feira, 19, às 20h, em Ribeirão Preto, e volta no sábado, 27, às 18h, em Piracicaba –, os clubes ajustam logística para incluir o operador de replay, garantindo estreia sem falhas técnicas.
Datas e regulamento das partidas decisivas
As semifinais da Copa Paulista seguem formato de ida e volta, com critério de melhor campanha definindo mando de campo na segunda partida. O confronto entre XV de Piracicaba e Comercial abre o calendário, testando o desafio de vídeo em um duelo paulista clássico.
O Primavera enfrenta o Grêmio Prudente no sábado seguinte, 20 de setembro, às 17h, em Presidente Prudente, com retorno no domingo, 28, às 15h, em Campinas. Ambas as chaves priorizam a vantagem do primeiro colocado apenas no mando final; em caso de empate agregado, pênaltis decidem a vaga, com o FVS aplicável nessas disputas sem pedidos extras.
- Ida XV x Comercial: 19/09, 20h, Estádio Palma Travassos, Ribeirão Preto.
- Volta XV x Comercial: 27/09, 18h, Estádio Barão de Serra Negra, Piracicaba.
- Ida Primavera x Grêmio Prudente: 20/09, 17h, Estádio Prudentão, Presidente Prudente.
- Volta Primavera x Grêmio Prudente: 28/09, 15h, Estádio Universitário Pedro Benedito, Campinas.
Esses jogos, transmitidos por canais regionais, atraem atenção nacional pela novidade tecnológica, com expectativa de público médio de 5 mil torcedores por partida, superior à fase anterior.
Estratégias táticas influenciadas pela tecnologia
Treinadores adaptam planos para o FVS, incorporando análises pós-jogo com replays para prever lances desafiáveis. No Comercial, Davino planeja pausas táticas curtas após gols, permitindo avaliações rápidas. O XV, sob comando de Regis Lessa, foca em defesas compactas para minimizar riscos de pênaltis revisáveis.
O Grêmio Prudente, com elenco jovem, usa o recurso para proteger contra cartões precipitados em contra-ataques. Marchiori, do Primavera, vê o desafio como ferramenta para times subestimados, equalizando confrontos contra favoritos. Essa camada estratégica eleva o nível do torneio, onde a média de gols nas quartas chegou a 2,8 por jogo.
A FPF monitora o impacto inicial, com relatórios pós-semifinais para possíveis expansões ao Paulistão 2026. Torcedores, habituados a debates sobre arbitragem, aguardam se o FVS reduzirá polêmicas em 30%, como nos testes da Fifa.















