O governo federal estuda retomar o horário de verão em 2025, suspenso desde 2019, para enfrentar o aumento de 14,1% na demanda elétrica projetada até 2029, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A medida, coordenada pelo Ministério de Minas e Energia, visa reduzir sobrecargas no Sistema Interligado Nacional (SIN), que abastece 98% da população brasileira, especialmente em horários de pico entre 18h e 21h. O crescimento da demanda, aliado a secas prolongadas que afetam reservatórios de hidrelétricas e à intermitência de fontes renováveis como solar e eólica, pressiona o uso de usinas térmicas mais caras. A proposta, que depende de decisão presidencial, pode economizar até R$ 400 milhões em geração emergencial, sem impacto nas tarifas, e aliviar a rede elétrica em regiões como Sul, Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por 70% do consumo nacional. Discussões técnicas já começaram, com simulações para avaliar a viabilidade a partir de novembro.
O debate surge em um cenário de desafios climáticos e operacionais. A geração solar, com 35 GW instalados, não contribui no período noturno, agravando picos de consumo. Reservatórios de hidrelétricas, que representam 60% da matriz energética, operam com quedas de 20% a 30% no período seco, entre maio e novembro.
- Demanda per capita cresce 4% ao ano, puxada por centros urbanos e industriais.
- Importações de energia, como de Itaipu, limitam-se a 2 GW, insuficientes para déficits projetados.
- Picos de consumo atingem 70 GW em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro.
Motivos para a retomada do horário de verão
A reintrodução do horário de verão é motivada por pressões no sistema elétrico nacional. O aumento contínuo da demanda, aliado à dependência de fontes renováveis intermitentes, cria desequilíbrios no fornecimento, especialmente em horários de maior consumo. O ONS projeta que, sem medidas de mitigação, o sistema enfrentará déficits de até 2 GW já em 2025, forçando o uso de térmicas que custam R$ 500 por MWh, contra R$ 200 de hidrelétricas otimizadas. Simulações indicam que adiantar os relógios pode deslocar 1 a 2 GW de consumo para horários diurnos, reduzindo em até 15% o despacho de térmicas e preservando reservatórios.
O foco está em regiões de alto consumo, como São Paulo, Minas Gerais e Goiás, onde a sincronização com a luz natural pode aliviar linhas de transmissão no limite. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) realiza análises semanais, incorporando dados de medidores inteligentes, que cobrem 40% das residências urbanas, para medir reduções reais de demanda.
- Economia projetada: Até R$ 400 milhões em geração emergencial.
- Redução de picos: Deslocamento de 1 a 2 GW para horários diurnos.
- Período proposto: Terceiro domingo de novembro até fevereiro.
- Foco regional: Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com 70% do consumo nacional.
Histórico da medida no Brasil
O horário de verão foi adotado pela primeira vez em 1931, sob Getúlio Vargas, para economizar energia durante a Segunda Guerra Mundial, reduzindo o uso de combustíveis em iluminação. Nas décadas de 1980 e 1990, a medida tornou-se recorrente, especialmente em períodos de crise energética, com reduções de até 5% no consumo noturno em áreas urbanas. Entre 1985 e 2019, afetou mais de 100 milhões de pessoas, mas enfrentou críticas por desajustes em rotinas, como alterações no sono e confusões em transportes.
A suspensão em 2019 ocorreu após estudos indicarem economia insignificante, devido ao aumento no uso de ar-condicionado e eletrodomésticos, que neutralizava ganhos na iluminação. Entidades médicas apontaram impactos negativos, como distúrbios circadianos, enquanto o comércio lamentava a perda de vendas noturnas. Agora, com o avanço de renováveis e novos padrões de consumo, a medida volta a ser considerada viável.
- Primeira adoção: 1931, motivada por escassez global de combustíveis.
- Auge: Década de 1990, com cortes de até 5% no consumo noturno.
- Suspensão: 2019, devido a baixa rentabilidade energética.
- Novo contexto: Renováveis intermitentes justificam reavaliação.
Impactos das fontes renováveis no sistema
A expansão de fontes como solar e eólica, que representam 25% da matriz energética, trouxe benefícios ambientais, mas também desafios operacionais. A geração solar, com 35 GW instalados, zera sua contribuição após o entardecer, coincidindo com picos de consumo de 70 GW em áreas urbanas. A geração eólica, concentrada no Sul e Nordeste, também varia, com quedas significativas em noites sem ventos. Esses fatores aumentam a dependência de térmicas, elevando custos operacionais em bilhões de reais anualmente, segundo o Plano de Operação Energética 2025-2029.
Hidrelétricas, como Furnas e Itaipu, enfrentam limitações devido a reservatórios reduzidos em períodos secos, com quedas de até 30%. Importações de energia de países vizinhos, limitadas a 2 GW, não compensam os déficits projetados. O horário de verão pode mitigar esses desafios, deslocando o consumo para horários de maior disponibilidade solar.
- Expansão renováveis: 30% ao ano em solar e eólica.
- Geração noturna: Solar e eólica zeram contribuição em picos vespertinos.
- Custos térmicos: R$ 500/MWh em despachos emergenciais.
- Reservatórios: Queda de 20% a 30% no período seco.
Ajustes setoriais para implementação
A possível retomada do horário de verão exige adaptações em diversos setores. No transporte, companhias aéreas preparam ajustes em sistemas digitais para sincronizar 1.000 voos diários em hubs como Guarulhos, evitando erros em conexões. Bancos e telecomunicações revisam protocolos para transações noturnas, garantindo continuidade em operações digitais. No agronegócio, o Centro-Oeste planeja turnos diurnos para irrigação, reduzindo custos energéticos em até 20%.
Hospitais implementam protocolos contra fadiga em plantões, considerando que 20% da população pode sentir impactos iniciais. Escolas ajustam horários para minimizar transtornos a estudantes. O varejo e o turismo, por outro lado, projetam ganhos, com aumento de 10% a 15% em vendas noturnas e maior movimento em parques e praias.
- Aviação: Sincronização de 1.000 voos diários em grandes hubs.
- Agronegócio: Redução de 20% nos custos energéticos com turnos diurnos.
- Turismo: Horas extras em praias e parques impulsionam visitas.
- Saúde: Protocolos contra distúrbios circadianos em trabalhadores.
Monitoramento e planejamento energético
O CMSE monitora indicadores hidrológicos e de transmissão, com relatórios trimestrais que avaliam a necessidade do horário de verão. Dados de medidores inteligentes, instalados em 40% das residências urbanas, ajudam a quantificar reduções de consumo. Cenários climáticos incertos, como secas prolongadas, reforçam a importância de medidas flexíveis. O ONS prevê violações nos critérios de suprimento já no segundo semestre de 2025, especialmente sem novos leilões de capacidade.
Distribuidoras testam integrações com redes inteligentes para otimizar a gestão de picos industriais e residenciais. O Ministério de Minas e Energia prioriza transparência, publicando atualizações mensais com base em evidências técnicas, enquanto consultas com estados de alto consumo, como Minas Gerais, refinam os ajustes.
- Monitoramento: Relatórios trimestrais sobre chuvas e reservatórios.
- Redes inteligentes: Cobertura de 40% das residências para medir eficiência.
- Déficits projetados: Até 2 GW em 2025 sem medidas de mitigação.
- Transparência: Atualizações mensais do Ministério de Minas e Energia.

