Dólar despenca para R$ 5,35 em meio a apostas de corte de juros do Fed e atrai fluxo para emergentesPor Jeronimo Santos
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A cotação do dólar comercial iniciou a semana com recuo acentuado, fechando em R$ 5,321 na segunda-feira, 15 de setembro. Esse patamar reflete uma desvalorização acumulada de 15% no ano, impulsionada por fluxos de capital estrangeiro em busca de rentabilidade superior nos mercados emergentes. Operadores no balcão destacam que a ausência de avanços fiscais imediatos no Brasil não impediu o influxo de recursos, graças à perspectiva de afrouxamento monetário nos Estados Unidos.
Dados recentes do mercado de trabalho americano, com criação de vagas abaixo das expectativas, elevaram as probabilidades de um corte nos juros pelo Federal Reserve. Analistas monitoram o índice de preços ao produtor, que registrou queda em agosto, sinalizando pressões inflacionárias em declínio. Essa dinâmica beneficia o real, que se fortalece em relação a pares como o peso mexicano e o rand sul-africano.
- Fatores principais da desvalorização: enfraquecimento do emprego nos EUA, com taxa de desemprego em 4,2%, acima do neutro estimado em 4%.
- Impacto imediato: entrada de US$ 2 bilhões em títulos brasileiros na última semana, segundo relatórios de fluxos.
- Comparação regional: o real lidera ganhos entre emergentes, com alta de 14% desde janeiro.
- Riscos observados: volatilidade pode surgir de decisões divididas no comitê do Fed.
Expectativas para o anúncio do Fed
O Federal Reserve reúne-se na quarta-feira, 17 de setembro, com foco em reduzir a taxa de fundos federais em 0,25 ponto percentual. Essa medida, amplamente precificada pelo mercado em 87% de chance, responde a um balanço de riscos inclinado para o emprego, conforme discursos recentes de diretores como Christopher Waller. A decisão ocorre em meio a um PIB americano que cresceu 2,5% no segundo trimestre, mas com sinais de moderação no consumo.
Jerome Powell, presidente do Fed, enfatizou em Jackson Hole a necessidade de ajustes baseados em dados, sem cronograma fixo. Economistas preveem que, após o corte inicial, outro de igual magnitude venha em dezembro, totalizando 0,50 ponto percentual até o fim do ano. No Brasil, a Selic permanece em 15%, criando um diferencial de 10,5 pontos que atrai investidores de renda fixa.
Projeções indicam que o dólar pode testar R$ 5,30 no curto prazo, dependendo da sinalização sobre cortes futuros. Bancos como o Barclays e o Deutsche ajustaram apostas para reduções em setembro e dezembro, citando recuperação econômica moderada nos EUA. O real, por sua vez, acumula valorização de 13,36% no ano, o maior entre grandes emergentes.
Fatores domésticos na valorização do real
A economia brasileira registra entrada líquida de capitais estrangeiros de US$ 15 bilhões em 2025, superando o fluxo de 2024. Esse movimento sustenta a bolsa, que atingiu 142.271 pontos na sexta-feira, apesar de recuo diário de 0,61%. O Banco Central realizou leilões de rolagem de swaps cambiais, injetando liquidez sem alterar a tendência baixista da moeda americana.

Inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 0,23% em agosto, dentro das expectativas, reforçando a estabilidade. Exportações de commodities, como soja e minério, geraram superávit comercial de US$ 8 bilhões no mês, pressionando o câmbio para baixo. Setores como o agronegócio relatam ganhos com o real mais forte, que barateia insumos importados.
- Principais entradas de capital: fundos de pensão americanos alocaram R$ 10 bilhões em debêntures.
- Desempenho setorial: ações de exportadoras subiram 5% na semana, beneficiadas pela cotação.
- Rolagem de contratos: BC rolou 40 mil contratos de dólar para outubro, estabilizando o futuro.
- Superávit acumulado: US$ 45 bilhões no ano, o maior desde 2022.
- Efeito no varejo: importadores planejam estoques maiores com dólar acessível.
Riscos geopolíticos no horizonte
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal na semana passada gerou ruídos iniciais no mercado. Secretário de Estado americano, Marco Rubio, mencionou uma possível “resposta” dos EUA, ligada a tarifas sobre produtos brasileiros. No entanto, a ausência de retaliação imediata permitiu que o dólar caísse livremente na sexta-feira, para R$ 5,35, menor nível em 15 meses.
Pressões políticas de Donald Trump sobre o Fed adicionam incerteza, com críticas públicas a Powell por atrasos nos cortes. Analistas notam que dissensos no FOMC historicamente elevam a volatilidade em 20% nos dias seguintes. No Brasil, o déficit fiscal projetado em 0,8% do PIB para 2025 limita reformas, mas o foco em equilíbrio primário atrai ratings de agências como Moody’s.
O real se destaca em um contexto global de moedas enfraquecidas pelo dólar, que perdeu 8% ante uma cesta de divisas. Economistas do Bank of America alertam para riscos de inflação persistente se cortes forem precipitados, mas o consenso aponta para moderação. O câmbio futuro para dezembro negocia a R$ 5,37, sinalizando continuidade da tendência.
Projeções de mercado para o fim do ano
Instituições financeiras revisaram estimativas para o dólar em 2025, com mediana em R$ 5,50 no cenário base da XP Investimentos. Tony Volpon, ex-diretor do BC, vê preço justo próximo de R$ 5,00, impulsionado por cortes cumulativos do Fed totalizando 1,0 ponto percentual. O Boletim Focus manteve projeção em R$ 5,70, mas com viés de baixa após dados de setembro.
Cristiano Oliveira, do banco Pine, pondera que o ritmo de criação de empregos nos EUA, em 142 mil vagas mensais, não justifica cortes agressivos, mas a maioria do comitê deve aprovar a redução inicial. Déficit fiscal americano em expansão e restrições à imigração atuam como contrapesos inflacionários. No Brasil, o PIB cresceu 0,4% no segundo trimestre, desacelerando, o que reforça a atratividade relativa.
- Cenários simulados pela XP: otimista em R$ 5,00 com cortes rápidos; base em R$ 5,50; pessimista em R$ 6,30 com tarifas.
- Consenso Focus: Selic em 14,75% no fim do ano, com IPCA em 4,96%.
- Fluxos projetados: US$ 20 bilhões adicionais em emergentes até dezembro.
- Volatilidade esperada: 15% maior se dissenso no FOMC for revelado.
- Preço justo por Volpon: R$ 5,10, alinhado a fundamentos de commodities.
Dinâmica do mercado de trabalho americano
Relatórios de emprego nos EUA mostram desaceleração, com payroll de agosto em 114 mil vagas, metade do previsto. A taxa de desemprego subiu para 4,3%, aproximando-se do nível estrutural e sinalizando fraqueza. Powell destacou esse dado como pivotal para o balanço de riscos, priorizando o mercado de trabalho sobre a inflação, que core PCE está em 2,5%, acima da meta de 2%.
Diretores como Waller defendem cortes em setembro e múltiplos nos próximos seis meses, citando atividade econômica em moderação. O índice de confiança do consumidor caiu para 55,4 em setembro, abaixo de 58 esperados, impactando o consumo. Globalmente, isso enfraquece o dólar, beneficiando o real em 14% de alta no ano.
Empresas americanas reportam restrições à contratação devido a custos elevados, com setor de serviços crescendo apenas 0,2%. No Brasil, o contraste com desemprego em 7,5% e Selic alta atrai carry trade, estratégia de borrow em dólar para investir em reais. Analistas preveem que dois cortes consecutivos do Fed ampliem esse fluxo em US$ 5 bilhões mensais.
Influências das commodities no câmbio
Preços do petróleo Brent subiram 2% na semana para US$ 72 por barril, sustentados por demanda chinesa, mas o dólar fraco limita ganhos. O minério de ferro, principal exportação brasileira, negociou a US$ 105 a tonelada, gerando receitas extras de US$ 3 bilhões. Essa dinâmica reforça o superávit da balança comercial, pressionando o câmbio para baixo.
A soja brasileira, com safra recorde de 170 milhões de toneladas, beneficia-se do real valorizado, que barateia fertilizantes importados em 15%. Cobre e alumínio, sensíveis ao crescimento global, caem 1% com projeções de PIB chinês em 4,8%. Economistas notam que commodities representam 60% das exportações, estabilizando o real apesar de volatilidades fiscais.
- Commodities chave: petróleo +2%, minério -0,5%, soja +3% no mês.
- Receita exportadora: US$ 35 bilhões em setembro, alta de 10% ante agosto.
- Efeito cambial: cada US$ 1 de alta no minério reduz dólar em R$ 0,02.
- Demanda asiática: China absorve 40% das vendas brasileiras de soja.
- Volatilidade futura: depende de tarifas Trump em 20% sobre aço.
Estratégias de hedge para investidores
Bancos recomendam swaps cambiais para proteger carteiras contra reversões, com custo de 2% ao ano. Fundos de hedge aumentaram posições vendidas em dólar em 20% na semana, apostando na continuidade da queda. Para empresas importadoras, o patamar atual facilita planejamento, com estoques de insumos eletrônicos 10% mais baratos.
O futuro de dólar para outubro fecha em R$ 5,376, com rolagem total pelo BC. Investidores de varejo optam por ETFs atrelados ao Ibovespa, que subiu 6,3% em agosto em reais. Analistas alertam para diversificação, com 30% em ativos dolarizados para mitigar riscos geopolíticos. O carry trade rende 12% anualizado, mas exige monitoramento diário.







