Bolsas dos EUA despencam em Nova York e Nasdaq 100 perde US$ 2,3 trilhões após eleição no Congresso americanoPor Maria
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Bolsas dos EUA despencam em Nova York nesta quinta-feira (05) e o índice Nasdaq 100 apaga US$ 2,3 trilhões em valor de mercado no encerramento das negociações. O movimento foi puxado pela liquidação expressiva de papéis ligados à inteligência artificial, após investidores reagirem com apreensão à vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato para o Congresso norte-americano, cenário que eleva a possibilidade de restrições legais à instalação de grandes centros de processamento de dados no país.
A retração generalizada ocorreu logo após um dia de valorização pontual e atingiu os principais termômetros financeiros dos Estados Unidos. O indicador Nasdaq fechou o dia em baixa de 5,52%, configurando o pior desempenho diário desde abril de 2025, enquanto o Nasdaq 100 encolheu 6,4%, registrando sua queda mais severa desde o início da crise sanitária global em março de 2020. O tombo também contaminou o índice ampliado S&P 500, que recuou 4,35%, e empurrou as ações industriais do Dow Jones e a cotação do Bitcoin para o terreno negativo.
O que provocou a fuga de capital em Wall Street?
A reviravolta eleitoral no parlamento dos Estados Unidos acendeu o alerta sobre o avanço físico dos data centers, infraestruturas que concentram dezenas de milhares de chips de alto desempenho e demandam cargas colossais de água e energia elétrica. Durante a campanha, parlamentares eleitos defenderam limites mais severos para essas obras, discurso referendado nas urnas municipais de terça-feira (03), quando moradores de dezenas de cidades aprovaram plebiscitos impondo barreiras ou moratórias à construção dessas estruturas.
O analista financeiro da Interactive Brokers, Jose Torres, avaliou que a intensidade das ordens de venda desarmou as projeções mais otimistas colhidas logo após as votações. Segundo o analista, o mercado acreditava ter absorvido as incertezas iniciais das urnas, mas a pressão sobre os ativos de tecnologia desencadeou uma das sessões mais adversas de 2026.

Ficha do pregão em Nova York
- Nasdaq: retração de 5,52% no fechamento, pior marca desde abril de 2025
- Nasdaq 100: tombo de 6,4%, menor índice diário desde março de 2020
- Capital dissipado: US$ 2,3 trilhões eliminados do índice Nasdaq 100
- S&P 500: queda de 4,35% no término da sessão
- Sete Magníficas: desvalorização acumulada de cerca de US$ 800 bilhões
Gigantes da tecnologia perdem US$ 800 bilhões em valor
O grupo conhecido no mercado financeiro como Sete Magníficas sofreu o impacto mais concentrado da aversão ao risco. Companhias de grande porte como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft viram seu valor conjunto encolher aproximadamente US$ 800 bilhões ao longo de poucas horas de negociação, montante equivalente ao Produto Interno Bruto anual de nações inteiras da Europa.
O diretor de estratégias da B. Riley Wealth Management, Art Hogan, ressaltou que o setor de inteligência artificial opera com sensibilidade extrema a ruídos sobre a expansão física de suas redes. Qualquer indefinição sobre o cronograma de investimento em infraestrutura gera oscilações imediatas e desproporcionais nos preços cotados em bolsa.
Principais acontecimentos da sessão histórica
- Eleitores aprovam vetos e limites a novos centros de dados em cidades americanas
- Democratas conquistam o Congresso dos EUA e alimentam debate sobre restrições ao setor
- Lucros projetados de empresas de semicondutores entram em revisão geral por analistas
- Investidores vendem ações de alta volatilidade e migram recursos para posições defensivas
- Mercado de criptomoedas acompanha aversão ao risco com desvalorização do Bitcoin
A revisão nas expectativas de faturamento é apontada pelo estrategista da JonesTrading, Michael O’Rourke, como a razão central para a retirada em massa de aportes no setor tecnológico. Para o analista, a eventual interrupção de projetos de computação em nuvem reduz a sustentação dos múltiplos de preço praticados nos últimos anos, mantendo o mercado financeiro sob postura de cautela até a publicação das diretrizes legislativas formais em Washington.







