Criminosos invadem hospital no Rio de Janeiro em busca de vítima baleada e geram pânico na Zona OestePor Maria
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Na madrugada de 18 de setembro de 2025, um grupo de oito milicianos armados e encapuzados invadiu o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, com o objetivo de assassinar um paciente internado. A ação, que ocorreu por volta das 2h30, gerou pânico entre pacientes, familiares e profissionais de saúde, interrompendo atendimentos críticos. O alvo, um homem de 31 anos baleado horas antes, foi identificado como Lucas Fernandes de Sousa, apontado pela polícia como testemunha de crimes ligados a milícias. Vizinhos o levaram ao hospital após ele sofrer uma emboscada na tarde de 17 de setembro, quando levou nove tiros e teve sua residência destruída.
A invasão expôs a fragilidade da segurança em unidades de saúde no Rio, com o grupo rendendo seguranças no estacionamento e avançando até o centro cirúrgico. O paciente, porém, já havia sido transferido para a enfermaria, o que frustrou a ação dos criminosos. Um dos invasores usava um uniforme falso da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), segundo a Polícia Civil. A Polícia Militar foi acionada e reforçou a segurança, enquanto o paciente foi transferido sob escolta para outra unidade.
O episódio, descrito como “uma cena de completo terror” pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, reacendeu o debate sobre a segurança pública no estado. A violência crescente em áreas dominadas por milícias tem impactado diretamente o funcionamento de hospitais e unidades de saúde. A seguir, alguns pontos críticos do incidente:
- Alvo da invasão: Lucas Fernandes de Sousa, 31 anos, baleado em emboscada e testemunha de crimes.
- Método dos criminosos: Uso de uniformes falsos e armamento pesado, incluindo fuzis e pistolas.
- Impacto imediato: Interrupção de atendimentos de emergência e pânico generalizado no hospital.
- Resposta policial: Reforço na segurança e transferência do paciente sob escolta armada.
Repercussão imediata do ataque
A invasão ao Hospital Pedro II não foi um caso isolado, mas destacou a vulnerabilidade das unidades de saúde no Rio de Janeiro. Daniel Soranz, secretário municipal de Saúde, classificou o episódio como um reflexo da “falência da política de segurança” no estado. Ele relatou que, durante a ação, pacientes graves no Centro de Terapia Intensiva (CTI) e no centro cirúrgico tiveram seus tratamentos interrompidos. Profissionais de saúde, impedidos de realizar procedimentos como transporte de bolsas de sangue, enfrentaram momentos de tensão extrema.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) emitiu uma nota cobrando medidas urgentes da Secretaria Municipal de Saúde. A entidade exigiu a aplicação da Resolução CFM nº 2.444/2025, que prevê protocolos de segurança, como controle de acesso e videomonitoramento, para proteger médicos, trabalhadores e pacientes. A ausência de policiais em tempo integral nas unidades de alta complexidade foi apontada como uma falha crítica.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio, por meio do secretário Victor Santos, contestou as críticas de Soranz, negando que mais de 500 unidades de saúde tenham interrompido atividades por insegurança em 2025. Santos classificou as declarações como exageradas, afirmando que menos de 20% das ocorrências relatadas envolviam hospitais. A troca de acusações gerou um embate político, com o prefeito Eduardo Paes cobrando maior comando do governo estadual para conter a criminalidade.
Histórico de violência em unidades de saúde
O ataque ao Pedro II integra uma lista crescente de invasões criminosas a hospitais no Rio. Nos últimos 30 anos, episódios semelhantes expuseram a fragilidade do sistema de saúde diante da ação de grupos armados. Casos marcantes incluem:
- 1994: Resgate de um traficante no Hospital Azevedo Lima, em Niterói, por 15 homens armados.
- 2016: Invasão do Hospital Souza Aguiar, no Centro, por 25 criminosos para resgatar Nicolas Labre, o Fat Family, que resultou em uma morte.
- 2025: Suspensão de atividades em 516 unidades de saúde devido a questões de segurança, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
- Outros casos: Sequestros de médicos e ameaças em UPAs e clínicas da família em áreas dominadas por milícias ou tráfico.
Esses incidentes evidenciam a dificuldade das autoridades em proteger testemunhas de crimes e garantir a segurança em locais que deveriam ser santuários de cuidado. A proximidade do Hospital Pedro II com áreas controladas por milícias, como a comunidade do Gouveia, em Santa Cruz, agrava o problema.

Perfil do alvo e contexto criminal
Lucas Fernandes de Sousa, o paciente visado, tem um histórico ligado à criminalidade. Ex-praça do Exército Brasileiro, ele foi denunciado em 2019 pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) por organização criminosa e extorsão. Lucas atuava em Paciência, cobrando “taxas de segurança” de comerciantes e moradores, além de explorar serviços ilegais como “gatonet” (TV a cabo clandestina) e transporte irregular. Condenado a 12 anos e 10 meses, ele teve a pena reduzida e passou ao regime semiaberto após recurso.
A Polícia Civil acredita que a tentativa de execução esteja relacionada à sua suposta mudança de aliança, passando de milícias para o Comando Vermelho. Um dos invasores, identificado como o autor dos disparos iniciais contra Lucas, já tem passagem por envolvimento com milícias. A 36ª Delegacia de Polícia (Santa Cruz) conduz a investigação, com apoio da Draco, analisando imagens de câmeras de segurança para identificar os demais suspeitos.
Medidas de segurança em debate
A invasão reacendeu discussões sobre a necessidade de reforço policial em hospitais. Soranz defendeu a presença de viaturas 24 horas em unidades de alta complexidade, prática comum até 2018, mas reduzida nos últimos anos. O prefeito Eduardo Paes destacou que a prefeitura mantém uma estrutura básica de segurança, mas não está preparada para enfrentar ataques com homens fortemente armados.
A Polícia Militar montou um cerco no hospital logo após o incidente e coordenou a transferência de Lucas para o Hospital Municipalizado do Andaraí, sob escolta. Ambas as unidades receberam reforço de segurança, mas a solução de longo prazo permanece incerta. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, defendeu mudanças na legislação para combater a criminalidade, afirmando que “nenhuma polícia do mundo” poderia resolver o problema sem alterações estruturais.
Reações da comunidade e impactos no atendimento
Profissionais de saúde e pacientes relataram momentos de desespero durante a invasão. Uma testemunha anônima, entrevistada pela CBN, descreveu o clima de tensão, com medo de que os criminosos retornassem. O hospital, que conta com 332 leitos e realiza cirurgias de alta complexidade, teve 36 pacientes em estado grave e oito gestantes no momento do ataque. A interrupção de procedimentos críticos, como transfusões de sangue, colocou vidas em risco.
A comunidade local, já acostumada à influência de milícias, enfrenta um cenário de insegurança crescente. O estacionamento do hospital, segundo Soranz, foi dominado por milicianos, que cobram taxas de pacientes e funcionários. A proximidade com bases militares, como o 1º Batalhão de Engenharia de Combate, a 200 metros, não impediu a ação criminosa, evidenciando a ousadia dos grupos armados.
Caminhos para reforçar a proteção
Autoridades e especialistas discutem medidas para evitar novos episódios. A Resolução CFM nº 2.444/2025, citada pelo Cremerj, estabelece diretrizes para segurança em unidades de saúde, mas sua implementação enfrenta entraves. Algumas propostas em análise incluem:
- Presença policial constante: Viaturas fixas em hospitais de alta complexidade.
- Tecnologia de monitoramento: Ampliação de câmeras e sistemas de controle de acesso.
- Capacitação de seguranças: Treinamento para lidar com ameaças armadas.
- Cooperação interinstitucional: Maior integração entre prefeitura, estado e forças federais.
A investigação da 36ª DP segue em andamento, com diligências para capturar os responsáveis. A Polícia Civil analisa imagens de câmeras e busca testemunhas para esclarecer os detalhes da ação. Enquanto isso, a população do Rio convive com o medo de novos ataques, em um cenário onde unidades de saúde, antes vistas como refúgios, tornam-se alvos de violência.







