F1: Cadillac confirma teste de Pérez no carro antigo da Ferrari para preparar estreia na Fórmula 1 em 2026Por Thiago Lemos
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Sergio Pérez, o piloto mexicano que retorna à Fórmula 1 após um ano afastado, revelou detalhes sobre seu cronograma de preparação com a Cadillac. A equipe americana, que estreia no campeonato em 2026 como 11ª força no grid, planeja ações imediatas para reacostumar o atleta aos monopostos.
O anúncio veio durante um evento em Los Angeles, onde Pérez lançou a primeira bola em um jogo de beisebol no Dodger Stadium. Ele mencionou viagens para Charlotte, nos Estados Unidos, e para a Inglaterra, logo após o Grande Prêmio do Azerbaijão.
Esses deslocamentos marcam o início de uma fase prática na preparação, após meses de simulações virtuais conduzidas pela Cadillac.
A estratégia da equipe foca em recuperar as sensações físicas da pilotagem, essenciais para um competidor que ficou sem competir em 2025.
- Viagem para Charlotte visa reuniões com engenheiros e sessões iniciais no simulador.
- Deslocamento à Inglaterra inclui o primeiro contato real com um carro de Fórmula 1.
- Ênfase em fortalecer o pescoço e o corpo para demandas da categoria.
- Colaboração com Ferrari garante acesso a um modelo de 2023, o SF-23.
Preparativos iniciais da Cadillac para entrada na F1
A Cadillac, subsidiária da General Motors, aprovou sua participação na Fórmula 1 em março de 2025, após negociações que envolvem Mario Andretti como diretor e Graeme Lowdon como chefe de equipe. O projeto baseia-se em uma fábrica próxima a Silverstone, no Reino Unido, com operações complementares em Indiana e Michigan, nos Estados Unidos.
Pérez, com 35 anos e mais de 250 largadas na carreira, assina um contrato de dois anos inicialmente, ao lado de Valtteri Bottas, formando uma dupla com mais de 500 Grandes Prêmios disputados. Essa escolha prioriza experiência sobre juventude, contrastando com especulações iniciais sobre nomes como Colton Herta ou Mick Schumacher.
O piloto mexicano, que deixou a Red Bull no fim de 2024 após uma temporada irregular, usou o hiato para descansar e refletir. Ele evitou o paddock em 2025, focando na família, mas manteve contatos com a Cadillac desde março, quando seu nome surgiu como opção principal.
Bottas, reserva da Mercedes neste ano, participou de testes com a equipe alemã, incluindo sessões em Barcelona, o que o mantém afiado, embora seu cronograma precise de ajustes para alinhar com a nova equipe.
A parceria técnica com a Ferrari estende-se além dos motores: a italiana fornecerá unidades de potência, caixa de câmbio e suspensão para os primeiros anos, até que a General Motors desenvolva seu propulsor em 2029, possivelmente com apoio da Ilmor.
Checo with a lap around Dodger Stadium. 🏁 pic.twitter.com/JZ9KfSvhuz
— Los Angeles Dodgers (@Dodgers) September 18, 2025
Acordo com Ferrari facilita testes TPC
O programa de Testes de Carros de Pista, ou TPC, permite que equipes utilizem monopostos de pelo menos dois anos para até 20 dias de atividades anuais. A Cadillac, sem histórico na categoria, depende de empréstimos para cumprir essa regra, e o acordo com a Ferrari surge como solução ideal.
Fontes indicam que Pérez pilotará o SF-23, modelo de 2023 que rendeu pódios à escuderia italiana, em uma sessão privada em Silverstone na próxima semana. O teste ocorre após simulações recentes em Monza, onde a Cadillac replicou um fim de semana completo de Grande Prêmio.
Essas simulações virtuais começaram no GP da Espanha, em junho, e envolveram estratégias de corrida, relatórios de engenharia e até pit-stops fictícios. Em uma delas, o carro virtual da equipe americana surpreendeu ao conquistar a pole position em uma avaliação de aderência de pneus.
O chefe Lowdon destacou a importância desses passos para treinar mecânicos e engenheiros em procedimentos reais, como trocas de rodas e gerenciamento de dados. Pérez enfatizou o aspecto físico: pilotar novamente serve para reacondicionar o corpo, especialmente o pescoço, submetido a forças de até 5G nas curvas.
Bottas, por sua vez, pode se juntar em novembro, em Fiorano, para um teste que simule um fim de semana inteiro, com a Cadillac integrando sua equipe ao processo.
- SF-23 escolhido por compatibilidade com o motor Ferrari de 2026.
- Sessão em Silverstone foca em voltas iniciais e feedback aerodinâmico.
- Até 20 dias de TPC disponíveis, distribuídos entre Pérez e Bottas.
- Treinamento inclui análise de telemetria e ajustes de setup.
- Colaboração evita atrasos no desenvolvimento do carro próprio.
Histórico de Pérez e desafios do retorno
Pérez estreou na Fórmula 1 em 2011 pela Sauber, conquistando pódios em sua segunda temporada e terminando em nono no Mundial. Passou por McLaren em 2013, mas brilhou na Force India (hoje Aston Martin), onde acumulou 35 pódios e seis vitórias, incluindo o GP de Sakhir em 2020.
Na Red Bull, desde 2021, ajudou na conquista de dois títulos de construtores em 2022 e 2023, com destaques como o segundo lugar no Mundial de 2023. No entanto, inconsistências em 2024, com apenas nove pontos nas últimas sete corridas, levaram à saída, abrindo espaço para Liam Lawson e Yuki Tsunoda.
O ano de 2025 sem corridas representa o primeiro hiato desde sua estreia, mas Pérez vê na Cadillac uma oportunidade de liderança. Ele descreveu o projeto como “completo”, com recursos da General Motors para competir no pelotão intermediário desde o início.
Bottas, com 10 vitórias e vice-campeão em 2019 e 2020 pela Mercedes, traz estabilidade após passagens por Alfa Romeo e Sauber. Sua experiência em dinastias recentes, como as de Verstappen e Hamilton em 2021, enriquece o time.
A dupla soma 26 temporadas na categoria, um trunfo para uma estreante que espera brigar por pontos em 2026, ano de novas regras técnicas que nivelam o campo.
Reações no paddock à dupla da Cadillac
Pilotos atuais expressaram apoio à volta de Pérez e Bottas. Max Verstappen, ex-companheiro do mexicano, chamou-o de “grande cara” e destacou seu papel crucial no título de 2021 em Abu Dhabi, onde segurou Lewis Hamilton. O holandês acredita que a experiência de Pérez em setups de alta performance beneficiará a Cadillac.
Fernando Alonso, da Aston Martin, elogiou a escolha por veteranos, argumentando que o conhecimento em gerenciamento de corridas supera o risco de novatos em um grid expandido. Ele comparou à sua própria longevidade aos 44 anos.
Outros, como Lando Norris, da McLaren, viram na dupla uma injeção de maturidade para o esporte, especialmente com a chegada de rookies como Kimi Antonelli. A ausência de americanos como Herta, devido a pontos de superlicença insuficientes, reforça a estratégia de experiência.
Lowdon, chefe da Cadillac, enfatizou que Pérez e Bottas equilibram talento e maturidade, ajudando no desenvolvimento do carro desde o shakedown em janeiro de 2026. O lançamento oficial do monoposto ocorre em fevereiro, antes do GP da Austrália em março.
Estratégia técnica e cronograma da equipe
A Cadillac opera com uma estrutura híbrida: base principal em Silverstone para proximidade com fornecedores europeus, e centros em Fishers e Warren para inovação americana. O primeiro monocoque passa por testes de colisão da FIA em breve, garantindo conformidade com normas de segurança.
Os motores Ferrari, usados até 2028, integram o pacote inicial, com foco em eficiência híbrida sob as regras de 2026, que limitam o uso de combustível e enfatizam aerodinâmica ativa. A equipe planeja 20 dias de TPC, distribuídos em sessões privadas para evitar interferências.
Pérez inicia no simulador em Charlotte, avaliando ergonomics e interfaces digitais, antes do teste em pista. Bottas, liberado pela Mercedes em dezembro, une-se para validações conjuntas.
O cronograma inclui visitas regulares à fábrica, com Pérez planejando mais tempo em Silverstone para alinhar com engenheiros. A equipe contratou ex-funcionários de Manor e Andretti Global, trazendo expertise em entradas de novatos.
- Janeiro 2026: Shakedown inicial do carro Cadillac em Fiorano.
- Fevereiro: Apresentação oficial do monoposto em Indiana.
- Março: Estreia no GP da Austrália, com foco em coleta de dados.
- Desenvolvimento de motor GM inicia em 2027 para transição em 2029.
- Treinamentos TPC estendem-se até pré-temporada no Bahrein.
Expansão americana e legado na F1
A entrada da Cadillac reforça a presença dos Estados Unidos na Fórmula 1, após tentativas frustradas como a de Andretti. Com backing da GM, o time visa representar o “espírito americano de corrida”, ecoando o título de Andretti em 1978 pela Lotus.
Pérez, ídolo no México, traz apelo latino-americano, potencializando corridas como o GP do México em outubro de 2025, onde ele pode aparecer como convidado. Bottas, finlandês, adiciona equilíbrio europeu.
A equipe planeja engajar fãs com eventos em Los Angeles e Miami, integrando beisebol e automobilismo. Lowdon projeta crescimento gradual, mirando o meio do grid em 2027.
O teste com o SF-23 marca o fim das simulações e o início da era real, com Pérez ansioso por “lembrar o que está por vir”. A Fórmula 1 ganha com veteranos experientes guiando uma potência emergente.







