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A atriz Ilva Niño iniciou sua trajetória artística em Floresta, Pernambuco, onde nasceu em 15 de novembro de 1933. Ainda jovem, integrou grupos teatrais locais e participou de montagens amadoras.

Um marco veio com o curso de teatro grego ministrado por Ariano Suassuna, levando-a a atuar em “Antígona”, de Sófocles. Essa experiência solidificou seu interesse pelas artes cênicas.

Em 1957, ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Amadores Nacionais por “O Auto da Compadecida”, como a mulher do padeiro. A peça marcou sua ascensão no cenário regional.

  • Participação em movimentos culturais populares durante o governo de Miguel Arraes.
  • Colaboração em produções que valorizavam a identidade nordestina.
  • Mudança para o Rio de Janeiro após o golpe militar de 1964, com o marido Luiz Mendonça.

Estreia na televisão e papéis iniciais

Ilva Niño estreou na TV Globo em 1969, com “Verão Vermelho”, de Dias Gomes. O convite veio após trabalhos teatrais com o autor, consolidando sua transição para a teledramaturgia.

Nos anos 1970, acumulou participações em novelas como “Bandeira 2” (1971), “A Patota” (1972) e “Gabriela” (1975). Nesses papéis, interpretou personagens secundários de forte presença popular.

A década trouxe desafios políticos, mas a atriz manteve a produção constante. Em 1977, viveu Cotinha em “Sem Lenço, Sem Documento”, uma das domésticas protagonistas, destacando dinâmicas familiares.

Consolidação em personagens icônicos

O auge veio em 1985, com “Roque Santeiro”, onde Ilva Niño deu vida a Mina, a empregada fiel de Porcina (Regina Duarte). O bordão “Minaaaa!” ecoou nacionalmente, definindo sua imagem na TV.

A personagem representou a evolução das domésticas nas novelas, integrando-se à trama familiar além de tarefas rotineiras. Ilva Niño acumulou mais de 30 produções na Globo ao longo da carreira.

Nos anos 1990, atuou em “O Outro” (1987), “Bebê a Bordo” (1988) e “Tropicaliente” (1994). Sua versatilidade permitiu papéis variados, de cozinheiras a batalhadoras nordestinas.

Em “Terra Nostra” (1999), interpretou Irmã Tereza, uma freira acolhedora na trama imigrante. O personagem reforçou sua habilidade em retratar figuras de apoio emocional.

Desafios de saúde e recuperação

Em 2014, Ilva Niño enfrentou um diagnóstico de câncer no intestino, classificado como terminal pelos médicos. A atriz se afastou da TV Globo para tratar a doença, passando por duas cirurgias.

O tratamento incluiu quimioterapia e monitoramento intensivo. Em 2016, o tumor entrou em remissão completa, permitindo seu retorno gradual aos palcos e à televisão.

A recuperação surpreendeu a equipe médica, que previa pouco tempo de vida. Ilva Niño retomou atividades em “Saramandaia” (2013, reprise) e outras produções, mantendo a agenda ativa.

Ela promoveu a reabertura do Teatro Niño de Artes Luiz Mendonça, em 2016, homenageando o marido falecido. O espaço na Lapa, Rio de Janeiro, focou em espetáculos teatrais e musicais.

Vida pessoal e perdas familiares

Ilva Niño casou-se em 1957 com o diretor Luiz Mendonça, com quem fundou uma escola de teatro. O casal teve o filho Luiz Carlos Niño, também ator, que faleceu em 2005 aos 40 anos por cirrose.

Luiz Mendonça morreu em 1995, aos 64 anos, vítima de aids contraída em transfusão sanguínea após acidente. Ilva Niño lidou com as perdas enquanto lecionava na Fiocruz e em sua escola.

A atriz manteve discrição sobre a vida privada, priorizando a família e o legado artístico. Em entrevistas, enfatizou o alcoolismo como doença séria, ao relembrar o filho.

Complicações na cirurgia final

Em maio de 2024, Ilva Niño, aos 90 anos, internou-se no Hospital Quali, em Ipanema, para cirurgia cardíaca. O procedimento visava tratar problemas respiratórios iniciais.

Dias após a operação, em 13 de maio, surgiram infecções que evoluíram para falência múltipla de órgãos. Complicações digestivas e renais agravaram o quadro rapidamente.

O hospital confirmou o óbito em 12 de junho de 2024. A causa oficial incluiu falha em múltiplos sistemas, comum em pacientes idosos pós-cirurgia.

Ilva Niño deixou um legado de mais de 60 anos nas artes, com foco em personagens que humanizavam o cotidiano brasileiro. Sua última aparição na TV foi em 2020, na série “Rua do Sobe e Desce”.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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