Torcida do São Paulo faz protesto com caixões contra Casares e Belmonte antes de duelo com Ceará no MorumbiPor Jeronimo Santos
Atualizado 6 min de leitura
![]() |
Torcedores da principal organizada do São Paulo realizaram um protesto em frente ao portão principal do Morumbi, em São Paulo, na tarde desta segunda-feira, 29 de setembro de 2025. O ato ocorreu horas antes do jogo contra o Ceará, válido pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, e visou cobrar mudanças na diretoria após a eliminação nas quartas de final da Copa Libertadores para a LDU, do Equador. A manifestação reuniu centenas de adeptos que pediram a renúncia do presidente Julio Casares e do diretor de futebol Carlos Belmonte.
A Polícia Militar isolou a área para garantir a segurança, permitindo a chegada do ônibus da delegação sem incidentes. O presidente Casares emitiu uma nota pública nas redes sociais, onde expressou arrependimento pela eliminação e prometeu ajustes na gestão.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
O São Paulo ocupa a sétima posição no Brasileirão, com 35 pontos, e depende de vitórias para se aproximar do G-6. Com a saída da Libertadores, o foco agora se concentra exclusivamente na competição nacional até o fim da temporada.
- Principais alvos do protesto: Julio Casares (presidente), Carlos Belmonte (diretor de futebol), Rui Costa (executivo de futebol), Fernando Chapecó e Nelson Ferreira (diretores adjuntos).
- Itens exibidos: Caixões simbólicos com fotos dos dirigentes, faixas com críticas à gestão financeira e cartazes colados em postes próximos ao estádio.
- Demandas listadas: Auditoria externa nas contas, fim de cargos políticos no futebol e modernização do CT da Barra Funda.
Faixas e símbolos marcam o ato no Morumbi
Torcedores espalharam faixas com mensagens diretas contra a diretoria ao redor do estádio. Uma delas destacava “Dívidas aumentando, receitas diminuindo”, apontando para problemas financeiros do clube. Outra ironizava Belmonte como “Boca de farofa”, em referência a decisões polêmicas no setor de futebol.
O protesto ganhou visibilidade com a colocação de caixões em frente ao portão principal, cada um decorado com imagens de Casares e Belmonte. Esses elementos visuais reforçaram as cobranças por transparência e renovação na administração.
Antecedentes da eliminação na Libertadores
O São Paulo enfrentou a LDU nas quartas de final da Copa Libertadores, com o jogo de ida disputado em 18 de setembro, em Quito, Equador. A equipe equatoriana venceu por 2 a 0, com gols de Bryan Ramírez e Michael Estrada, complicando a classificação do Tricolor. No confronto de volta, realizado em 25 de setembro no Morumbi, o time paulista perdeu novamente por 1 a 0, com gol de Jeison Medina aos 41 minutos do primeiro tempo.
Apesar de uma escalação ofensiva montada pelo técnico Hernán Crespo, com jogadores como Emiliano Rigoni e Luciano, o São Paulo desperdiçou chances claras e não conseguiu reverter o placar agregado de 3 a 0. A LDU avançou para as semifinais, onde enfrentará o Palmeiras.
Essa eliminação representou a segunda queda consecutiva do Tricolor nas quartas da competição continental, após revés anterior para o Athletico-PR na Copa do Brasil. A torcida atribuiu a derrota a falhas na preparação e na gestão de elenco.
O impacto imediato incluiu pichações em muros próximos ao Morumbi logo após o apito final, com frases como “Fora Casares” e críticas ao desempenho do time. Esses eventos alimentaram o descontentamento que culminou no protesto desta segunda-feira.

Críticas à gestão financeira e esportiva
A diretoria do São Paulo gerencia um orçamento anual estimado em R$ 800 milhões, com receitas provenientes de patrocínios, bilheteria e vendas de jogadores. No entanto, o clube registra déficits crescentes, com dívidas acumuladas superando R$ 600 milhões em compromissos de curto prazo, segundo balanços divulgados no início de 2025. Torcedores questionam a venda de atletas das categorias de base, como o zagueiro Ferraresi, que rendeu R$ 20 milhões mas não foi reinvestido em reforços imediatos.
Essas operações geram desconfiança, especialmente após a eliminação na Libertadores, que eliminou premiações de até R$ 50 milhões por avanço à semifinal. A torcida exige auditoria externa para verificar irregularidades em contratos e parcerias.
O racha interno entre facções da diretoria, como entre o grupo ligado ao CT da Barra Funda e o de Casares no Morumbi, agrava a situação. Relatos indicam divisões em decisões sobre contratações, com Belmonte defendendo cortes de custos enquanto outros priorizam investimentos no elenco.
Repercussão no centro de treinamento
Mais cedo, um grupo menor de torcedores se reuniu em frente ao CT da Barra Funda para iniciar as manifestações. O ato exibiu faixas pedindo respeito à camisa do Tricolor e cobrando melhorias no departamento médico, criticado por lesões recorrentes em jogadores chave como Arboleda e Pablo Maia.
A Polícia Militar monitorou o local para evitar confrontos, e o treinamento da equipe prosseguiu sem interrupções. Jogadores como Lucas Moura e Calleri foram mencionados em cânticos iniciais, mas líderes da torcida redirecionaram o foco para a diretoria.
Movimento paralelo busca esvaziar o estádio
Um grupo independente de torcedores lançou a campanha “Morumbi Zero”, propondo que adeptos boicotem o jogo contra o Ceará para pressionar por mudanças. A iniciativa ganhou tração nas redes sociais, com milhares de compartilhamentos desde o anúncio na sexta-feira.
Organizadores argumentam que um público reduzido destacaria a insatisfação coletiva, estimando perdas de R$ 1 milhão em bilheteria para o clube. No entanto, a ideia divide opiniões, com defensores da organizada preferindo manifestações externas.
O São Paulo confirmou a realização da partida às 20h, com portões abertos normalmente. Autoridades esportivas acompanham o cenário para garantir a ordem durante o evento.
Preparação para o confronto com o Ceará
O Ceará chega ao Morumbi na 15ª posição do Brasileirão, com 28 pontos, lutando contra o rebaixamento. O time cearense venceu o último confronto direto por 2 a 1, em Fortaleza, no início da temporada. Crespo planeja escalação com Rafael no gol, Arboleda na defesa e Luciano no ataque, visando recuperação imediata.
Estatísticas mostram que o São Paulo tem aproveitamento de 60% em casa no campeonato, com média de 1,8 gol por jogo. Uma vitória pode elevar o Tricolor a 38 pontos, aproximando-o do G-6.
Torcedores esperam que o protesto impulsione o time em campo, mas a expectativa é de público abaixo da média, influenciado pelas campanhas de boicote.















