Anvisa consulta agências globais para viabilizar tratamento de envenenamento por metanolPor Maria
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A Anvisa acionou autoridades reguladoras internacionais para importar o fomepizol, antídoto essencial contra intoxicação por metanol, após aumento de casos no Brasil. O medicamento não está registrado no país e é necessário para bloquear metabólitos tóxicos em pacientes afetados por bebidas alcoólicas adulteradas. A medida ocorre em resposta a notificações de envenenamentos em estados como São Paulo e Pernambuco, coordenadas pelo Ministério da Saúde.
Autoridades de Estados Unidos, União Europeia e outros países foram contatadas para acelerar o processo. Hospitais enfrentam limitações com alternativas como etanol farmacêutico, que exige monitoramento rigoroso. A ação visa ampliar opções terapêuticas em unidades do SUS.
- São Paulo concentra a maioria dos casos confirmados, com laudos laboratoriais positivos.
- Pernambuco registra suspeitas em investigação, sem confirmações até o momento.
- Fiscalizações em bares e distribuidores identificam amostras contaminadas.
Contatos internacionais para importação
A Anvisa enviou consultas formais à FDA nos Estados Unidos e à EMA na União Europeia. Agências do Canadá, Reino Unido, Japão, China, Argentina, México, Suíça e Austrália também foram acionadas para autorizações rápidas. O edital de chamamento internacional busca fabricantes com estoque disponível em ampolas de 1,5 ml e concentração de 1.000 mg/ml.
Essas negociações priorizam o abastecimento urgente ao SUS, conforme solicitação do Ministério da Saúde. O fomepizol atua inibindo a enzima que converte metanol em substâncias danosas ao fígado e sistema nervoso. Sem o produto, tratamentos dependem de opções menos precisas, elevando riscos para vítimas.
Efeitos do metanol no organismo
O metanol, usado em solventes industriais, transforma-se em formaldeído e ácido fórmico no fígado. Sintomas iniciais incluem tontura e dor abdominal nas primeiras 12 horas após ingestão. Entre 24 e 48 horas, surgem visão borrada e respiração acelerada, progredindo para falência de órgãos em doses elevadas.
A substância não possui odor ou sabor detectáveis, facilitando misturas ilegais em destilados como gim e vodca. Testes laboratoriais confirmam presença, mas o atendimento precoce é crucial para mitigar danos permanentes. Bebidas falsificadas representam risco crescente, com apreensões de milhares de unidades em 2025.

Ações de fiscalização e análise
Laboratórios como Lacen/DF, Municipal de São Paulo e INCQS/Fiocruz analisam amostras de bebidas suspeitas. Parcerias com vigilâncias estaduais intensificam inspeções em estabelecimentos comerciais. O Ministério da Agricultura regula produção de bebidas, enquanto a ANP controla importação de metanol.
Uma sala de situação nacional coordena respostas entre ministérios da Saúde, Justiça e Agricultura. Profissionais de saúde notificam casos suspeitos imediatamente, sem aguardar laudos. A Anvisa identificou 604 farmácias aptas a produzir etanol farmacêutico como alternativa temporária.
Medidas preventivas em hospitais
O Ministério da Saúde comprou emergencialmente 150 mil ampolas de etanol para reforçar estoques. Hospitais universitários mantêm 4.300 unidades disponíveis para tratamentos intravenosos. A OPAS foi acionada para 10 mil doses de fomepizol, ampliando cobertura nacional.
Orientações incluem ligar para o Disque-Intoxicação (0800-722-6001) em suspeitas. Consumidores devem verificar rótulos e lacres em bebidas. Centros especializados em toxicologia orientam manejo, priorizando diálise em casos graves.
Alternativas terapêuticas disponíveis
Etanol grau farmacêutico compete com metanol na metabolização hepática. Administração controlada retarda efeitos tóxicos, mas requer monitoramento contínuo de níveis sanguíneos. Farmácias de manipulação preparam o produto estéril sob demanda, garantindo pureza para uso médico.
O fomepizol oferece administração mais simples e eficácia superior, sem necessidade de ajustes frequentes. Sua ausência no Brasil expõe vulnerabilidades em surtos, como o atual com 59 notificações. Especialistas defendem incorporação permanente à lista de antídotos essenciais.







