Idosa de 78 anos morre por bala perdida em tiroteio de Rio das Pedras; adolescente também é vítima no ataquePor Jeronimo Santos
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Na noite de quinta-feira, 2 de outubro de 2025, a camareira aposentada Iraci Adelgado da Silva, de 78 anos, foi atingida por uma bala perdida na Rua Nova, em Rio das Pedras, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Ela conversava com vizinhos na porta de casa quando criminosos em um carro efetuaram disparos contra um homem que fugiu. O ataque, ligado a disputas territoriais entre facções, também matou Jorge Luiz dos Santos Reis, de 17 anos, e feriu outras duas pessoas.
Iraci, uma das moradoras mais antigas da comunidade, chegou ao Rio vindo de Pernambuco nos anos 1960 e ajudou na formação inicial de Rio das Pedras. O filho dela, Josivan Adelgado da Silva, de 24 anos, relatou que a idosa recusava deixar o local apesar dos riscos crescentes de violência. Equipes do 18º BPM (Jacarepaguá) isolaram a área logo após o incidente.
As vítimas não apresentavam ligações com grupos criminosos, conforme depoimentos de moradores. A Delegacia de Homicídios da Capital (DH) investiga o caso como possível ação do Comando Vermelho contra a milícia local.
Origens da vítima e laços com a comunidade
Iraci Adelgado da Silva migrou de Pernambuco entre 1961 e 1962, junto com o marido, em busca de oportunidades no Rio. Ela atuou como camareira e se envolveu nas primeiras estruturas da favela, que hoje abriga cerca de 38 mil moradores segundo dados do IBGE.

O filho Josivan, garçom, descreveu a mãe como figura central nas conversas diárias da rua, compartilhando relatos da fundação da área. A família planejava uma mudança para condomínio vizinho, mas Iraci preferia permanecer.
Ação policial imediata após o tiroteio
Agentes do 18º BPM chegaram à Rua Nova minutos após os disparos e registraram 15 cápsulas de fuzil no local. Os policiais ouviram relatos de três homens armados que abandonaram o veículo e fugiram pela mata próxima.
O perímetro foi mantido até a remoção dos corpos para o Instituto Médico-Legal (IML). Uma das feridas, atingida por estilhaços, recebeu alta no dia seguinte.
Investigadores coletaram imagens de câmeras de segurança residenciais para identificar o carro usado no ataque.
Disputa territorial entre facções em Rio das Pedras
A comunidade de Rio das Pedras permanece sob controle de milícia, única na região do Itanhangá nesse domínio, conforme relatórios policiais. O Comando Vermelho busca expandir influência desde invasões frustradas em 2024, com pelo menos cinco tentativas registradas.
- Em março de 2025, tiroteios isolados resultaram em duas prisões de suspeitos ligados ao tráfico.
- No início do ano, o Instituto Fogo Cruzado apontou 41 casos de balas perdidas no estado, 34 na capital.
- A milícia local arrecada via serviços irregulares, estimados em R$ 2 milhões mensais, o que atrai rivais.
Esses confrontos elevaram homicídios na Grande Jacarepaguá em 120% nos últimos dois anos.
Perfil das outras vítimas do incidente
Jorge Luiz dos Santos Reis, de 17 anos, saía de casa para o trabalho quando foi baleado na garganta e morreu no local. Moradores confirmam que ele estudava e ajudava na renda familiar.
Um entregador de farmácia sofreu ferimentos no braço e permanece em observação no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. O vendedor de peixes, atingido na perna, já retornou para casa após atendimento.
Nenhuma das quatro pessoas envolvidas possuía antecedentes criminais, segundo checagem inicial da polícia.
Histórico de violência na região sudoeste
Desde 2023, a Zona Sudoeste registra aumento de 58% em vítimas de balas perdidas, conforme dados do Fogo Cruzado. Rio das Pedras, com 23 mil domicílios pelo Censo 2022, enfrenta pressões constantes por sua posição estratégica entre zonas Norte e Oeste.
Em agosto de 2025, um menino de 7 anos foi ferido em escola local por tiro similar, destacando riscos a civis. A polícia reforçou patrulhas após operações no Catiri e Muzema, áreas vizinhas tomadas pelo tráfico.
O enterro de Iraci ocorreu no sábado, 4 de outubro, no Cemitério do Pechincha, em Jacarepaguá. Familiares pediram maior presença ostensiva para evitar novos episódios.
A DH segue perícia balística para ligar as munições ao arsenal do Comando Vermelho. Moradores relatam rotina alterada por alertas frequentes de tiroteios via aplicativos comunitários.







