A Volkswagen anunciou o adiamento do lançamento dos modelos elétricos ID.Golf e ID.Roc para além de 2030, em Wolfsburg, na Alemanha, no final de setembro de 2025. A decisão ocorre devido à queda na demanda por veículos elétricos na Europa, agravada pela concorrência de marcas chinesas que oferecem opções mais acessíveis. Os modelos, previstos como substitutos dos Golf e T-Roc a combustão, agora convivem com versões híbridas e a gasolina por período mais longo.
Fábricas do grupo, incluindo as de Emden e Bruxelas, enfrentam ajustes na produção de elétricos como ID.4 e ID.7. A medida reflete uma estratégia de cautela para equilibrar investimentos em meio a vendas estagnadas de EVs.
- Principais motivos do adiamento:
- Redução de 12% nas entregas de elétricos na Europa em 2025.
- Aumento de 15% nas vendas de modelos a combustão no mesmo período.
- Concorrência chinesa com preços 20-30% inferiores em modelos similares.
Outras marcas do grupo, como Porsche e Skoda, também revisam cronogramas de eletrificação.
Estratégia de produção ajustada
A produção de veículos elétricos no grupo Volkswagen registra estagnação em 2025, com volume estável em cerca de 383 mil unidades da linha ID globalmente. Fábricas como a de Zwickau, na Alemanha, implementam pausas coletivas para alinhar a oferta à procura reduzida. A Volkswagen planeja investir 160 bilhões de euros até 2030 em tecnologias mistas, priorizando híbridos para mercados como o europeu.
Concorrência chinesa pressiona mercado
Marcas chinesas capturaram 25% do mercado europeu de elétricos em 2025, com modelos como o BYD Dolphin vendidos por cerca de 20 mil euros. Esses veículos oferecem baterias de maior autonomia e assistentes de direção avançados a preços competitivos. A Volkswagen responde com cortes de custos e foco em plataformas compartilhadas para reduzir despesas em até 4 milhões de euros anuais por modelo.
A estratégia inclui o desenvolvimento local na China, com 30 novos modelos até 2027 adaptados ao gosto local.
Reações no grupo Volkswagen
A Porsche, subsidiária do grupo, cortou projeções de lucro em 800 milhões de euros para 2025 devido à desaceleração em EVs. A marca mantém produção de combustão para Cayenne e Panamera até 2030, com híbridos plug-in como alternativa. Skoda cancelou dois projetos elétricos previstos para 2026, optando por versões híbridas leves em SUVs compactos.
Cupra avalia conversão de seu elétrico Tavascan para motor a combustão, visando mercados emergentes. Esses ajustes evitam sobrecarga em fábricas e preservam margens operacionais em 8-10%.
Planos híbridos ganham prioridade
Modelos afetados e cronograma revisado
O ID.Golf, hatch médio elétrico, adia estreia de 2029 para pós-2030, mantendo o Golf GTI a combustão em produção na Alemanha. O ID.Roc, SUV derivado do T-Roc, segue o mesmo destino, com fábrica de Wolfsburg priorizando atualizações em linhas híbridas. Plataformas como MEB recebem investimentos para baterias mais baratas, visando custo abaixo de 25 mil euros por unidade.
Outros impactos incluem o adiamento do sucessor do ID.4 para início da década de 2030 e aceleração de um Audi A4 elétrico para 2028.
- Cronograma chave:
- ID.2All acessível: lançamento em 2025 na Europa.
- Porsche Macan elétrico: 2026, com combustão paralela.
- Skoda híbridos: 2027 em fábricas tchecas.
- Cupra Leon atualizado: 2025 com opções de 148 cv a combustão.
Essas mudanças garantem flexibilidade em resposta a flutuações de mercado.
Férias coletivas nas linhas de montagem
Fábricas da Volkswagen em Emden e da Audi em Bruxelas entram em férias coletivas de duas semanas em outubro de 2025. A medida afeta produção de ID.4, ID.7 e Q4 e-tron, com estoque ajustado para evitar excessos. Trabalhadores recebem compensação integral, e a pausa permite manutenção em equipamentos para eficiência futura.
O grupo estima que essas ações estabilizem o volume de EVs em 400 mil unidades anuais até 2027. A transição para híbridos plenos, como no novo T-Roc com 170 cv, avança em São Paulo para mercados como o brasileiro.
Perspectivas para o mercado europeu
A União Europeia mantém meta de fim de combustão em 2035, mas permite e-fuels para modelos premium. A Volkswagen aloca 10 bilhões de euros para pesquisa em baterias de estado sólido até 2028. Concorrentes como BMW e Mercedes também revisam planos, com foco em híbridos para 2026.
Esses ajustes posicionam o grupo para capturar 20% do segmento urbano elétrico na Europa até o fim da década.
