Fraude no Concurso Nacional Unificado: família paraibana liderava rede de gabaritos falsos e dublês em provasPor Maria
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Polícia Federal deflagrou operação em 2 de outubro de 2025 contra organização criminosa especializada em fraudes a concursos públicos. O grupo, sediado em Patos, no sertão da Paraíba, atuava há mais de uma década e cobrava até R$ 500 mil por aprovação em vagas concorridas. A investigação identificou métodos sofisticados de burla em certames como o Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024.
A denúncia anônima iniciada em 2024 apontou suspeitas de venda de gabaritos por núcleo familiar. Agentes analisaram cartões de resposta do CNU e encontraram respostas idênticas, inclusive erros comuns, entre candidatos de versões diferentes de provas. Essa coincidência estatisticamente improvável levou à confirmação de fraude técnica.
Mandados de prisão preventiva e busca foram cumpridos em Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Três pessoas foram detidas, e investigados foram afastados de cargos públicos obtidos irregularmente. O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos apoia as apurações para reforçar segurança em futuros concursos.
- Principais crimes apurados: fraude em certame de interesse público, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
- Evidências coletadas: áudios, mensagens e comprovantes de transações em cofre apreendido.
- Concursos afetados: CNU 2024, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e polícias civis.
Análise inicial dos gabaritos
Agentes da Polícia Federal solicitaram documentos à Fundação Cesgranrio, organizadora do CNU. A verificação revelou padrões idênticos nas respostas de Wanderlan Limeira de Sousa, Valmir Limeira de Sousa, Larissa Neves e Ariosvaldo Lucena de Sousa Júnior. Essas semelhanças ocorreram apesar de provas com blocos diferentes de questões.
O relatório destacou ausência de registros de estudos ou discussões sobre conteúdos programáticos nos dispositivos dos suspeitos. Wanderlan, aprovado para auditor fiscal do trabalho, não compareceu ao curso de formação em Brasília, entre março e maio de 2025. Essa omissão reforçou a suspeita de uso da inscrição para validar o esquema.
Interceptações telefônicas capturaram diálogos sobre logística de provas. Os envolvidos usavam mensagens codificadas para coordenar repasses de informações durante as aplicações.
Métodos usados na fraude
O grupo empregava dublês com documentos falsificados para substituir candidatos reais. Pontos eletrônicos eram implantados cirurgicamente, com auxílio de profissionais de saúde, permitindo comunicação em tempo real. Esses dispositivos transmitiam respostas de gabaritos obtidos antecipadamente.
Pagamentos ocorriam após aprovações, disfarçados em transações de veículos, imóveis ou ouro. Um caso envolveu a compra de motocicleta cinco dias após prova da Caixa Econômica Federal. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou depósitos de R$ 419 mil em espécie para Geórgia Neves, sem vínculo empregatício desde 1998.
Laranjas movimentavam recursos para ocultar beneficiários. A quadrilha atuou em dezenas de concursos entre 2015 e 2025, beneficiando pelo menos dez candidatos no CNU.
A PF autorizou quebra de sigilos bancário e telemático. Uma ação controlada monitorou Antônio Limeira durante concurso da Polícia Federal em 2025, gerando novas provas.

Perfis dos principais envolvidos
Wanderlan Limeira de Sousa, ex-policial militar expulso em 2021, coordenava negociações e distribuição de gabaritos. Ele responde por homicídio, roubo e outros crimes, e usava sua aprovação no CNU como propaganda do método.
Valmir Limeira de Sousa, irmão de Wanderlan, executava fraudes técnicas e se inscrevia em certames para testar sistemas. Seu histórico inclui erros de português em mensagens, incompatíveis com preparação para provas.
Antônio Limeira das Neves, outro irmão, repassava informações a familiares e gerenciava pagamentos. Ele contraiu dívida de R$ 400 mil com cúmplice para aprovar a filha Larissa.
Geórgia de Oliveira Neves, cunhada, movimentava valores suspeitos. Larissa de Oliveira Neves, sobrinha, atuava como vitrine ao ser aprovada no CNU apesar de residir em São Paulo.
Ariosvaldo Lucena de Sousa Júnior, policial militar no Rio Grande do Norte, usava clínica odontológica em Patos para lavagem. Thyago José de Andrade controlava finanças e repasses.
Luiz Paulo Silva dos Santos, com mais de 67 fraudes anteriores, atuava como consultor técnico.
Avanços na operação policial
Buscas e apreensões ocorreram em 27 de julho de 2025, com foco em endereços familiares. Celulares e computadores revelaram áudios sobre concursos da UFPB e OAB. Um cofre continha comprovantes de propinas em procedimentos odontológicos.
O Ministério Público Federal na Paraíba apoia as medidas. Investigados enfrentam exclusão de processos seletivos e sequestro de bens. A PF estima prejuízo milionário ao erário público.
Medidas de segurança foram implementadas para concursos de 2025, como detectores de metal e escolta de provas. A operação visa identificar todos os compradores de aprovações.
Consequências para os certames
Candidatos afetados pela alteração de notas de corte podem recorrer judicialmente para reingresso. Servidores nomeados irregularmente perdem cargos, mas salários recebidos não são devolvidos, conforme jurisprudência.
A fraude no CNU foi pontual, sem anulação total do concurso. Bancas organizadoras aprimoram protocolos, incluindo códigos de barras em identificações.
O esquema expôs vulnerabilidades em certames nacionais. Autoridades monitoram outros núcleos semelhantes em estados vizinhos.







