Matuê, chefe do Comando Vermelho na Gardênia Azul, morre em confronto na Chacrinha nesta quinta no Rio de JáneiroPor Luís Henrique Costa
Atualizado 4 min de leitura
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Polícia Civil do Rio de Janeiro neutralizou Ygor Freitas de Andrade, conhecido como Matuê, chefe do tráfico na Gardênia Azul, durante uma operação na comunidade da Chacrinha, em Praça Seca, Zona Oeste, nesta quinta-feira (9). A ação, parte da Operação Contenção, visava cumprir mandados de prisão contra ele e outros membros do Comando Vermelho (CV), que buscam expandir territórios na região. Matuê, de 28 anos, reagiu ao cerco com disparos, resultando na morte dele e de dois seguranças; a polícia informou que o confronto ocorreu por volta das 10h. A iniciativa ocorre em resposta à escalada de invasões do CV em comunidades vizinhas, incluindo a Cidade de Deus.
Agentes da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) montaram o cerco após monitorarem o paradeiro de Matuê por semanas. Ele acumulava dois mandados de prisão por homicídio qualificado, tráfico de drogas e associação para o crime, além de investigações por participação em confrontos anteriores. A operação também mirava outras lideranças do CV na Gardênia Azul e Cidade de Deus, áreas com disputas territoriais intensas desde o início do ano.
- Contra Matuê, havia inquéritos por coordenação de invasões armadas do CV a comunidades como Chacrinha e Bateau Mouche.
- Ele era o principal suspeito de disparar o tiro fatal contra o policial civil José Antônio Lourenço, da Core, em maio, durante ação na Cidade de Deus.
- Em agosto, Matuê integrou confronto que deixou seis mortos na mesma região, segundo relatos de inteligência policial.
Ação policial e reação imediata
Equipes especializadas usaram drones e visão térmica para localizar Matuê na Chacrinha. O cerco começou cedo, com bloqueio de acessos à comunidade.
Criminosos responderam incendiando barricadas na Estrada da Chácara, principal entrada para a área, o que complicou o deslocamento de reforços. A Polícia Militar isolou vias adjacentes em minutos.
Histórico de Matuê no crime organizado
Ygor Freitas de Andrade assumiu liderança no CV após fugir do sistema prisional em 2019, sem retornar de indulto. Ele fortaleceu o controle de pontos de venda de drogas na Gardênia Azul e expandiu influência para a Praça Seca. Sua atuação incluiu ataques a rivais e coordenação de esquemas armados, com anotações por roubo e evasão.
Matuê integrou quadrilha de Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW, envolvida em homicídios na Barra da Tijuca em 2023. Ele comandava cerca de 20 homens em ações de “guerra” territorial, segundo dados de investigações. A expansão do CV sob sua gestão elevou os tiroteios na Zona Oeste em 40% nos últimos seis meses, com base em relatórios policiais.
Estratégia da Operação Contenção
A iniciativa, lançada em julho, foca em inteligência para conter o avanço do CV na Zona Oeste. Até agora, resultou em 15 prisões e apreensões de armas em comunidades como Jordão e Covanca.
Agentes planejam novas fases nos próximos dias, com ênfase em monitoramento aéreo. A operação integra esforços conjuntos entre polícias Civil e Militar.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, destacou o monitoramento prolongado de Matuê como chave para a ação. Ele evitou detalhes operacionais, mas confirmou que a neutralização responde à morte de Lourenço. A Core, unidade de elite, liderou o tiroteio, com uso de táticas de contenção para minimizar riscos a civis.
Disputas territoriais na região
Comunidades da Praça Seca enfrentam tensões entre CV e milícias há sete meses, com pelo menos 12 homicídios registrados. Áreas como Chacrinha e Bateau Mouche servem de fronteira para expansões criminosas.
O Hospital Lourenço Jorge atendeu 23 baleados de Jacarepaguá entre maio e dezembro de 2024, muitos ligados a esses conflitos. Policiais reforçam patrulhas em acessos como a Rua Cândido Benício.
- Gardênia Azul: Ponto central de tráfico sob Matuê, com produção de entorpecentes.
- Cidade de Deus: Alvo de invasões coordenadas por ele em agosto.
- Chacrinha: Local do confronto final, com barricadas frequentes.
Avanços na investigação pós-confronto
Peritos coletaram munições e armas no local, incluindo fuzis usados pelos criminosos. A Delegacia de Homicídios da Capital assumiu apuração de mortes por intervenção policial.
Testemunhas relataram movimento intenso na comunidade horas antes do cerco. A polícia liberou a área por volta das 14h, com buscas por foragidos remanescentes.
A Secretaria de Segurança Pública monitora reações do CV em outras favelas, como Morro do Fubá no Campinho. Até o momento, não há relatos de novos incidentes na região.







