Ministério da Saúde recebe 2.500 doses de fomepizol para combater intoxicação por metanol no SUSPor Beatriz
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O Ministério da Saúde recebe nesta quinta-feira, 9 de outubro de 2025, o primeiro lote de 2.500 unidades do antídoto fomepizol em Brasília. A aquisição visa tratar intoxicações por metanol, substância tóxica detectada em bebidas alcoólicas adulteradas ou falsificadas. O medicamento, importado via Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde, reforça o estoque do Sistema Único de Saúde para respostas rápidas em emergências.
A entrega ocorre às 13h em evento com autoridades como a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão, o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, e a coordenadora da Opas, Ileana Fleitas. Essa iniciativa surge em meio a 259 notificações nacionais de casos, com 24 confirmações e 5 mortes registradas até 8 de outubro.
Aquisição inédita do medicamento
O Brasil nunca havia adquirido o fomepizol em escala nacional antes deste surto. A compra envolveu parceria com fabricante japonês e doação de 100 unidades adicionais, totalizando 2.600 frascos disponíveis para distribuição.
A Anvisa autorizou a importação emergencial em 5 de outubro, após chamamento público a reguladores internacionais. O antídoto bloqueia a metabolização tóxica do metanol, evitando danos graves como cegueira e falência orgânica.
Casos concentrados em São Paulo
São Paulo concentra 201 das 259 notificações nacionais, com 20 casos confirmados e 181 em investigação. Cinco mortes foram atestadas no estado, todas ligadas a consumo de bebidas contaminadas.
Outros estados registram ocorrências menores: Pernambuco com 6 casos em análise, e incidentes isolados na Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul. A Secretaria de Saúde paulista distribuiu 5.500 ampolas de etanol farmacêutico como suporte inicial.
O governo estadual interditou estabelecimentos e apreendeu 70 mil vasilhames de bebidas vencidas ou suspeitas. Investigações apontam para reaproveitamento de garrafas e adição intencional de metanol para baratear produção.
Funcionamento do antídoto no tratamento
O fomepizol inibe a enzima álcool desidrogenase, impedindo a conversão de metanol em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que causam acidose e lesões neurológicas. Administrado por via intravenosa, o medicamento permite tratamento sem os efeitos colaterais do etanol, como embriaguez persistente.
- Duração típica: Quatro doses em 48 horas, sob monitoramento hospitalar.
- Vantagens: Reduz tempo de internação e complicações em comparação ao etanol.
- Custo: Alto globalmente, mas viabilizado por negociações emergenciais no Brasil.
Médicos recomendam uso precoce, ideal nas primeiras 12 horas após ingestão, para maximizar eficácia.
Ações complementares da Anvisa e Opas
A Anvisa publicou a Resolução da Diretoria Colegiada 994/2025 para produção local de etanol injetável, elevando a capacidade nacional de antídotos. Consultas a agências de 10 países aceleraram a liberação do fomepizol.
A Opas coordena a logística, priorizando centros de toxicologia em estados afetados. O ministro Alexandre Padilha anunciou a Sala de Situação nacional para monitoramento contínuo, instalada em 2 de outubro.
Parcerias internacionais, incluindo doações de Portugal, somam esforços para suprir demandas. Hospitais universitários já estocam 4.300 ampolas de etanol, com aquisição adicional de 150 mil unidades em curso.
Distribuição e monitoramento nacional
A distribuição inicia conforme demandas estaduais, com foco em unidades de terapia intensiva e centros de referência. Até 6 de outubro, 1.125 frascos de etanol foram enviados a nove estados, incluindo 240 para Pernambuco e 100 para o Paraná.
O Ministério da Saúde atualiza dados diariamente via Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, consolidando notificações de 17h. Profissionais recebem orientações para detecção precoce de sintomas como náuseas, tontura e visão turva.
Equipamentos portáteis agora detectam metanol em bebidas em um minuto, apoiando fiscalizações. A Polícia Federal investiga origens do contaminante, possivelmente ligado a estoques desviados de indústrias químicas. Essas medidas visam conter o surto e prevenir recorrências, com balanço nacional indicando estabilização em investigações fora de São Paulo.
Sintomas e prevenção em bebidas
A intoxicação por metanol surge 12 a 24 horas após consumo, com progressão para convulsões e coma em 48 horas se não tratada. Populações vulneráveis, como frequentadores de bares e consumidores de destilados baratos, enfrentam maior risco.
- Verifique selos fiscais e datas de validade em garrafas.
- Evite compras em locais irregulares ou sem procedência clara.
- Procure atendimento imediato ao notar embriaguez prolongada ou dor abdominal.
Campanhas educativas reforçam a importância de fontes confiáveis para aquisição de bebidas, reduzindo exposições acidentais.







