Ministério distribui fomepizol com prioridade a SP em meio a 201 casos suspeitos de metanolPor Janderson
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O Ministério da Saúde iniciou nesta quinta-feira (9) a distribuição do antídoto fomepizol, com prioridade exclusiva para São Paulo, estado mais impactado pela intoxicação por metanol associada a bebidas alcoólicas adulteradas. A medida visa agilizar o tratamento em unidades de saúde públicas, onde o medicamento será aplicado sob prescrição médica. Até o momento, o país registra 259 notificações nacionais, com São Paulo concentrando 201 casos suspeitos.
A aquisição de 2,5 mil unidades do fomepizol representa a primeira compra em escala nacional do Brasil, realizada via Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde. O lote chegou ao centro de distribuição em Guarulhos, na região metropolitana paulista, e começa a ser repassado imediatamente aos serviços do SUS.
- São Paulo: 288 unidades, para cobrir demandas urgentes em 21 centros de saúde.
- Outros estados: distribuição na sexta-feira (10), totalizando 1,5 mil unidades iniciais.
- Estoque reserva: 1 mil unidades mantidas pelo Ministério para emergências futuras.
Essa ação ocorre oito dias após o acionamento da Opas pelo ministro Alexandre Padilha, em resposta ao aumento de casos desde o final de setembro.
Aquisição emergencial do medicamento raro
A compra do fomepizol envolveu uma parceria com uma empresa japonesa, após edital rápido da Anvisa para importação emergencial. O medicamento, de produção limitada no mundo, foi obtido em tempo recorde para evitar agravamento dos quadros clínicos. Além disso, o governo recebeu doação de 100 unidades extras, elevando o total disponível para 2,6 mil.
O processo incluiu análise de estoques nos Estados Unidos e liberação sanitária acelerada, garantindo conformidade com normas internacionais. Essa iniciativa complementa o uso do etanol farmacêutico, já distribuído em 12 mil ampolas como doação da indústria nacional.

Funcionamento do fomepizol no tratamento
O fomepizol atua inibindo a enzima que converte metanol em ácido fórmico, substância tóxica responsável por acidose metabólica e danos neurológicos graves. Administrado por via intravenosa, o antídoto permite a eliminação do metanol pelos rins sem efeitos colaterais intensos, diferentemente do etanol que exige monitoramento constante por simular intoxicação alcoólica.
Pacientes elegíveis recebem dose inicial de ataque, seguida de doses de manutenção a cada quatro horas, ajustadas ao quadro clínico. O tratamento deve iniciar entre 6 e 72 horas após a ingestão suspeita, com exames laboratoriais confirmando alterações como aumento de ânions.
A eficácia do fomepizol reduz o risco de complicações como cegueira e falência renal, que surgem 12 a 24 horas após o consumo. Profissionais de saúde foram orientados por guias técnicos do Ministério para aplicação precisa.
Números atualizados do surto em São Paulo
São Paulo acumula 201 notificações de intoxicação por metanol até esta quarta-feira (8), com evolução diária monitorada pela Secretaria Estadual de Saúde. Dos casos, 20 foram confirmados por exames laboratoriais, enquanto 181 seguem em investigação epidemiológica e clínica.
Seis óbitos permanecem sob análise, elevando o total de mortes para 11, incluindo cinco já confirmadas: três homens de 45, 46 e 54 anos na capital, uma mulher de 30 anos em São Bernardo do Campo e um jovem de 23 anos em Osasco. Na quarta, 26 suspeitas foram descartadas após avaliações, e 25 novas entraram para investigação.
O estado reforçou estoques com 3 mil ampolas adicionais de etanol, totalizando 5,5 mil unidades disponíveis em centros públicos. A capacidade de testes diagnósticos aumentou para 190 por dia, via parceria com a Unicamp.
Apreensões e fiscalizações em estabelecimentos
Autoridades paulistas intensificaram operações desde o dia 29 de setembro, resultando na apreensão de cerca de 18,9 mil garrafas de bebidas suspeitas em todo o estado. Na terça e quarta-feiras, 800 unidades foram recolhidas em pontos de venda irregulares, incluindo uísque, gin e vodca sem procedência fiscal.
Vigilância Sanitária, Procon e Polícia Civil fiscalizaram 23 locais na quarta, interditando 12 por irregularidades como condições inadequadas e produtos vencidos. Seis garrafas foram apreendidas em um bar na zona leste da capital, que apresentava falhas sanitárias graves.
A Secretaria da Fazenda suspendeu inscrições estaduais de seis distribuidoras e dois bares preventivamente. Duas prisões ocorreram por suspeita de envolvimento na adulteração, com investigações focando na origem do metanol, possivelmente desviado de estoques industriais.
Peritos confirmaram adição intencional da substância em amostras analisadas, usando equipamentos portáteis para detecção em um minuto durante blitzes. Bares e mercadinhos nos Jardins, Mooca, Vila Mariana e São Bernardo foram alvos principais, com mais de 40 garrafas recolhidas em um único estabelecimento.
Medidas preventivas nacionais
O Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação em Brasília para coordenar respostas, envolvendo pastas de Justiça, Agricultura e conselhos de saúde. Até o dia 6, o Brasil tinha 217 notificações nacionais, com 17 confirmadas e 200 em investigação, espalhadas por 12 estados além de São Paulo.
Equipamentos de detecção rápida foram distribuídos para fiscalizações em campo, e o número 0800 642 9782 da Anvisa atende dúvidas sobre intoxicações. A Anvisa monitora importações de destilados para prevenir entradas irregulares.
No Rio de Janeiro, a Secretaria de Saúde lançou um painel público de casos, enquanto Pernambuco e Bahia recebem reforços de etanol farmacêutico. Essas ações visam estabilizar o surto, com atualizações diárias a partir das 17h pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde.







