Cotação Dólar hoje sobe 2,39% e fecha em R$ 5,5038 com tensões fiscais no Brasil e tarifas de TrumpPor Carolina Costa
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O dólar comercial subiu 2,39% nesta sexta-feira (10) na B3, em São Paulo, e fechou cotado a R$ 5,5038 contra o real. A valorização ocorreu em meio a preocupações com a política fiscal do governo federal e novas ameaças tarifárias anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China.
Agentes financeiros destacaram o impacto da derrubada da Medida Provisória 1303 pelo Congresso na quarta-feira, que visava taxar aplicações financeiras para equilibrar contas públicas. Apesar da alta diária, a moeda acumula desvalorização de 10,93% no ano.
O movimento se alinhou a uma tendência global de fortalecimento do dólar, com moedas emergentes sob pressão.
- Principais fatores da alta: risco fiscal doméstico e escalada comercial EUA-China.
- Impacto imediato: avanço das taxas de juros futuros e queda no Ibovespa.
- Perspectiva sazonal: demanda por dólares em novembro pode agravar volatilidade.

Movimentos no mercado de câmbio
Às 14h08, o dólar à vista registrou máxima intradiária de R$ 5,5188, com ganho de 2,67%. O contrato futuro para novembro, o mais negociado, subia 2,31% às 17h06, para R$ 5,5310.
Investidores reagiram a reportagens sobre um pacote de medidas para 2026 estimado em R$ 100 bilhões, incluindo isenções de Imposto de Renda até R$ 5 mil mensais e programas sociais como distribuição de gás e bolsas estudantis. Esses itens, já anunciados, geram receios de expansão orçamentária sem contrapartidas de receita.
O Banco Central interveio pela manhã com a venda de 40 mil contratos de swap cambial para rolagem de vencimentos de novembro, visando conter a volatilidade.
Fatores fiscais pressionam ativos brasileiros
A derrubada da MP 1303 eliminou receitas projetadas de R$ 14,8 bilhões em 2025 e R$ 36,2 bilhões em 2026, conforme cálculos do Ministério da Fazenda. Especialistas veem isso como revés para o equilíbrio das contas públicas.
O governo avalia alternativas, como elevação temporária do IOF, mas o Congresso sinaliza resistência a novas propostas. Analistas preveem piora na percepção de risco-país, com o déficit fiscal primário já em 0,8% do PIB nos primeiros nove meses do ano.
No mercado de crédito, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) avançaram, refletindo expectativas de Selic em 12,63% para o fim do ano, segundo o Boletim Focus.
O PMI industrial de setembro caiu para 46,5 pontos, indicando contração pela 29ª vez em 30 meses, o que reforça a necessidade de estabilidade cambial.
Tensões comerciais globais elevam dólar
Donald Trump ameaçou elevar tarifas contra a China e cancelou uma reunião com o presidente Xi Jinping, após Pequim expandir controles sobre exportações de terras raras na quinta-feira. A acusação de que a China mantém a economia global refém intensificou a aversão ao risco.
No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes caía 0,43% para 98,963, mas o iene e o euro avançavam em busca de segurança. Moedas pares do real, como o rand sul-africano e o peso mexicano, também depreciaram.
A combinação de deterioração fiscal local e geopolítica global formou um ambiente de fuga para ativos seguros. Projeções de bancos como XP Investimentos apontam dólar em R$ 5,50 ao fim de 2025 no cenário base, com variações entre R$ 5,00 e R$ 6,30 dependendo de riscos.
O petróleo, já fraco pelo cessar-fogo em Gaza, registrou queda adicional, pressionando commodities brasileiras.
Operações e intervenções do BC
O Banco Central atuou com swaps para mitigar picos de volatilidade, totalizando 40 mil contratos vendidos. Essa estratégia visa rolar vencimentos e estabilizar o fluxo de hedge cambial.
Agentes monitoram o impacto nas exportações, com dados de setembro mostrando superávit comercial positivo apesar das tarifas americanas. O Commerzbank nota que o Brasil ainda não sente efeitos plenos das medidas protecionistas dos EUA.
Repercussões em moedas emergentes
O real liderou perdas entre 33 divisas líquidas, com desvalorização de 2,4%. O peso chileno e o rand sul-africano seguiram a tendência, enquanto o iene japonês valorizou após turbulência política em Tóquio.
A libra esterlina e o euro também subiram, sinalizando busca por refúgio. No Brasil, o Ibovespa fechou em queda de 1,57%, aos 141.356 pontos, o menor nível desde 4 de setembro.
Analistas da Nomad descrevem o dia como típico de “flight to safety”, com stop loss no câmbio amplificando a saída de posições em emergentes.
Desempenho anual e sazonalidade
Em 2025, o dólar acumula queda de 13,43% contra o real, mas outubro registra alta de 0,51% até agora. A sazonalidade de novembro, com demanda por dólares para pagamentos de importações, pode elevar a cotação.
O cenário político para 2026, com foco em reeleição, permeia as negociações. Gestores de fundos, em pesquisa do Bank of America, veem a piora fiscal como principal risco à economia.
Projeções do mercado ajustam expectativas para inflação em 2025 e 2026, elevadas no Focus, o que pode influenciar decisões do Federal Reserve.







