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Ibovespa despenca abaixo de 140 mil pontos com queda em Wall Street e tensão comercial EUA-China

Bolsa de Valores
Foto: Bolsa de Valores - Alf Ribeiro / Shutterstock.com
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O Ibovespa registrou queda de 0,91% nesta sexta-feira, 10 de outubro de 2025, fechando aos 140.422,62 pontos em São Paulo. A movimentação ocorreu em meio a tensões comerciais entre Estados Unidos e China, agravadas por declarações do presidente Donald Trump sobre aumento de tarifas sobre importações chinesas. O cenário externo, com bolsas americanas em baixa de cerca de 1%, combinou-se a preocupações fiscais locais para pressionar o índice abaixo dos 141 mil pontos.

Atualizações ao longo do dia mostraram renovação de mínimas, com o índice chegando a 140.422 pontos por volta das 13h48. O dólar comercial avançou para R$ 5,49 na máxima, refletindo aversão ao risco global. Investidores monitoraram ainda a queda nos preços do petróleo, influenciada por acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas.

  • Principais destaques do pregão:
    • Ações da Vale (VALE3) viraram para queda de 0,03%, cotadas a R$ 59,09.
    • Petrobras sofreu com recuo do petróleo, retirando prêmio de risco da commodity.
    • Juros futuros avançaram, sinalizando cautela com trajetória fiscal do Brasil.

Declarações de Trump reacendem guerra comercial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou avaliar um forte aumento nas tarifas sobre importações chinesas, sem motivo para reunião com o presidente Xi Jinping. A declaração, feita mais cedo nesta sexta, reavivou tensões entre as duas maiores economias mundiais. Em Nova York, o S&P 500 reverteu abertura positiva e caiu mais de 1% no início da tarde.

Analistas apontam que a medida pode elevar custos para empresas americanas dependentes de suprimentos chineses. O impacto se estendeu a mercados emergentes, incluindo o Brasil, onde exportações para os EUA representam parcela relevante do comércio exterior. Trump destacou cálculos em curso para as tarifas, visando proteger a indústria local.

B3 Ibovespa
B3 Ibovespa – Foto: Piotr Swat / Shutterstock.com

O mercado de ações em Wall Street ampliou perdas após o anúncio, com investidores ajustando posições em setores sensíveis a disputas comerciais. Setores de tecnologia e manufatura lideraram as quedas, refletindo temores de retaliação chinesa.

Pressões fiscais internas afetam confiança

Preocupações com o Orçamento de 2026 no Brasil adicionaram peso ao pregão. O governo prevê despesas sem cobertura integral de receitas, segundo noticiário recente, o que elevou o dólar a R$ 5,49. O presidente Lula reafirmou compromisso com responsabilidade fiscal e inclusão social em pronunciamento.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou expectativa de política monetária substancialmente diferente no fim de 2026. Essa perspectiva busca acalmar mercados, mas analistas veem riscos em atrasos na aprovação orçamentária. O real enfraqueceu 0,51% em outubro, embora acumule queda de 13,43% no ano.

Atualizações intradiárias mostraram o Ibovespa renovando mínimas sucessivas, de 140.527 pontos às 13h42 para 140.469 às 13h47. Bancos e commodities puxaram o índice para baixo, com volume financeiro em R$ 17,9 bilhões no dia anterior.

Desempenho de ações chave no foco dos investidores

Ações de Vale operaram voláteis, fechando em leve recuo após tocarem alta inicial. O papel refletiu oscilações no minério de ferro, influenciado por demanda global. Petrobras, com peso relevante no Ibovespa, registrou perdas acentuadas devido à commodity em baixa.

Bancos como Itaú e Bradesco mantiveram estabilidade relativa, mas o setor financeiro sentiu pressão de temores tributários. O BTG Pactual recuou em pregões recentes, alinhado a discussões sobre CSLL. Investidores estrangeiros reduziram exposição, com saídas líquidas de R$ 20,8 bilhões em fluxos recentes.

  • Setores mais impactados:
    • Financeiro: Queda média de 1,6% em papéis como ITUB4.
    • Commodities: Petrobras e Vale sob pressão externa.
    • Imobiliário: Recuos em MRV e Direcional por cenário macro.

Outras blue chips, como Natura, anunciaram incorporações, mas sem alterar o tom negativo geral.

Cenário externo dita ritmo do pregão

Queda no petróleo retirou prêmio de risco geopolítico, beneficiando acordos de paz no Oriente Médio. Contratos futuros caíram mais de 2%, afetando petroleiras brasileiras. Na Europa, bolsas operaram em baixa, com Alemanha e França recuando cerca de 1%.

O índice de sentimento do consumidor nos EUA, medido pela Universidade de Michigan, registrou 55 em prévia de outubro, abaixo do anterior. Isso reforçou expectativas de cortes de juros pelo Fed, mas tensões comerciais ofuscaram o otimismo. Ásia fechou mista, com Nikkei em alta modesta apesar de preocupações com China.

Dados do Banco Central brasileiro, como reunião trimestral com economistas, mantiveram foco em inflação. O IPCA de agosto veio fraco, mas não evitou volatilidade. Mercados globais acumulam perdas semanais, com Ibovespa caminhando para pior semana em três meses.

Reações do governo brasileiro às turbulências

Lula enfatizou equilíbrio entre crescimento e controle de gastos em agenda recente. A medida visa mitigar impactos de atrasos no Orçamento 2026. Haddad destacou necessidade de receitas adicionais para evitar contingenciamentos.

O Ministério da Fazenda monitora fluxos de capital, com reservas internacionais em alta de 10% no ano. Isso proporciona colchão contra volatilidades externas. Analistas preveem Selic estável em 15% até fim de 2025, ancorando expectativas inflacionárias em 4,83%.

Projeções do Boletim Focus ajustaram IPCA para 4,80% em 2025, com PIB estável. O câmbio terminal recuou para R$ 5,50 no fim do ano. Essas estimativas guiam decisões do Copom na próxima reunião.

Perspectivas para o fechamento semanal

O Ibovespa acumula perdas de 3,10% em outubro, contrastando com alta de 17,81% em 2025. Investidores aguardam balanços trimestrais para sinais de recuperação. Setor de energia renovável mostra resiliência, com aportes como R$ 4,3 milhões na VivaE pela Ânima.

Na renda fixa, IRF-M caiu 0,1%, enquanto IMA-B subiu 0,4%. Crédito privado avança 13,3% no ano. Analistas do Itaú BBA veem interrupções em produções como na PRIO como precificadas, com retomada prevista.

O mercado reflete equilíbrio entre riscos fiscais e oportunidades em emergentes. Fluxos para América Latina persistem, apesar de saídas da Ásia.

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