Daniela Mercury lança Cirandaia, álbum com 12 faixas e feats de Alcione e Zélia Duncan nesta sexta

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Daniela Mercury Foto: Daniela Mercury - Foto: Instagram

Daniela Mercury lança nesta sexta-feira (17) o álbum Cirandaia, seu 14º trabalho de estúdio e 22º da carreira solo. O disco chega às plataformas digitais com 12 faixas que misturam axé, ritmos nordestinos e elementos contemporâneos, sucedendo Baiana de 2022. A baiana de 60 anos reuniu artistas como Zélia Duncan, Davi Kopenawa e Alcione para criar uma roda de vozes diversas. O projeto surge no contexto dos 40 anos do axé music, gênero que a cantora ajudou a popularizar desde os anos 1990.

O título Cirandaia combina ciranda, dança coletiva típica do Nordeste, com IA, sigla para inteligência artificial, tema explorado nas letras. Daniela explica que o álbum busca discutir o impacto da tecnologia na sociedade brasileira. A produção conta com a participação de seu filho Gabriel Mercury em faixas como produtor e cantor.

A capa do disco, assinada pela fotógrafa Célia Santos com arte de Jeane Terra, retrata a artista em pose vibrante, simbolizando união cultural.

Participações que formam a roda musical

Cirandaia destaca colaborações que atravessam gerações e estilos musicais. Zélia Duncan divide vocais em uma faixa inédita, enquanto Alcione aparece em É terreiro, hino aos ritmos afro-brasileiros. Dona Onete contribui com Cute Love Baby, canção paraense que celebra o carimbó.

Geraldo Azevedo assina duas composições, uma delas gravada ao lado da própria Daniela. Vânia Abreu, irmã da cantora, estreia em dueto com ela na faixa Amar é perigoso. Lauana Prado, do sertanejo, traz um toque country em parceria nascida de antigos encontros em trios elétricos.

  • Davi Kopenawa e seu filho Gabriel participam de Quem vai segurar o céu?, com Ehuana Yaira Yanomami e Jeane Terra, abordando questões indígenas.
  • Chico César retorna após o single Deus tem mais ocupação, de julho, como coautor e cantor.
  • Blocos afros como Ilê Aiyê, Cortejo Afro e Muzenza regravam Axé Salvador, abrindo o disco com energia coletiva.

Essas uniões reforçam o caráter inclusivo do projeto.

Temas que vão além dos ritmos

O álbum aborda questões atuais sem perder o pulso dançante do axé. Uma faixa discute o papel da inteligência artificial na preservação cultural, com letras que questionam regulamentações para novas tecnologias. Daniela enfatiza a necessidade de critérios éticos no uso de IA pela juventude.

Preocupações ambientais ganham espaço em Quem vai segurar o céu?, que destaca a defesa da Amazônia e povos originários. Davi Kopenawa, líder yanomami, traz depoimentos sobre sobrevivência coletiva.

A democracia aparece como fio condutor, com referências à resistência contra autoritarismos. A cantora, que iniciou carreira durante a ditadura militar, inclui gritos de afirmação em composições autorais.

Raquel Reis e outros nomes completam a lista de convidados, ampliando o debate sobre protagonismo feminino na música.

Estrutura e produção do disco

Gabriel Mercury atuou como produtor em várias faixas, garantindo um som moderno mesclado a tradições. O repertório equilibra inéditas e reinterpretações, como uma versão de obra de José Miguel Wisnik.

A gravação ocorreu em estúdios de Salvador, com influências de terreiro e carnaval baiano. O single Deus tem mais ocupação, lançado em julho, serve de prelúdio, com mais de um milhão de streams iniciais.

O disco encerra as comemorações dos 40 anos do axé, gênero que movimentou bilhões em economia cultural na Bahia desde os anos 1980. Críticos apontam Cirandaia como retorno à forma após oscilações recentes.

Daniela planeja shows para divulgar o trabalho, com possível turnê incluindo apresentações em trios elétricos. O álbum está disponível em plataformas como Spotify e YouTube.

Recepção inicial entre fãs e especialistas

Fãs elogiam a coesão do repertório desde o lançamento matinal. Postagens destacam a faixa de abertura como “arrepiante” pela reunião de blocos afros.

Especialistas veem equilíbrio entre autorais e parcerias, comparando a Canibália de 2009. A mistura de IA e ritmos tradicionais gera debates sobre inovação no pop brasileiro.

O projeto reforça a versatilidade de Daniela, que acumula 40 anos de carreira e um milhão de seguidores no Instagram.

Detalhes técnicos e cronologia do projeto

O desenvolvimento de Cirandaia começou em 2024, após Baiana. Daniela compôs metade das faixas durante viagens pela Bahia, incorporando elementos de ciranda e coco.

A produção durou seis meses, com sessões remotas para convidados de fora de Salvador. A capa foi revelada em setembro, gerando expectativa com a arte de Jeane Terra.

O single de julho marcou o retorno fonográfico, com composição de Chico César focada em espiritualidade cotidiana. O álbum completo soma 45 minutos, ideal para streaming.

Em entrevistas recentes, a cantora menciona planos para videoclipes de três faixas, priorizando narrativas visuais sobre diversidade.

Lançado em meio a agenda lotada, incluindo participação no Círio de Nazaré, o disco consolida Daniela como ponte entre passado e futuro da música nacional. A trajetória dela inclui 20 álbuns anteriores, com hits que definiram o carnaval baiano, e prêmios como Grammy Latino. Cirandaia chega em momento de renovação, com foco em colaborações que expandem o axé para audiências globais, mantendo raízes nordestinas intactas e promovendo diálogos sobre tecnologia e meio ambiente sem comprometer o ritmo contagiante característico.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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