Governo notifica 177 mil famílias por auxílio emergencial indevido e exige devolução de R$ 478 milhões em 2025Por Carolina Costa
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Governo federal notificou 177,4 mil famílias que receberam o auxílio emergencial de forma irregular durante a pandemia de Covid-19. A cobrança, iniciada em março de 2025 pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), visa recuperar R$ 478,8 milhões pagos indevidamente entre 2020 e 2021. As mensagens chegam via SMS, WhatsApp, e-mail e aplicativo Notifica, com foco em casos de maior valor ou capacidade financeira dos beneficiários.
O benefício, criado para apoiar vulneráveis, foi pago em parcelas de até R$ 600, mas auditorias cruzaram dados fiscais e trabalhistas para detectar inconsistências. Apenas quem não atendia aos critérios legais, como ter emprego formal ou renda acima do limite, precisa devolver os valores. A medida ocorre em todo o país, sem afetar famílias em situação de pobreza extrema.
- Vínculo empregatício formal durante o período;
- Recebimento simultâneo de aposentadoria ou pensão;
- Renda familiar mensal superior a três salários mínimos;
- Pagamento duplicado ou fraude identificada nos cadastros.
Escala das notificações por estado
São Paulo lidera com 55,2 mil famílias notificadas, seguido por Minas Gerais com 21,1 mil casos. O Rio de Janeiro registra 13,26 mil pendências, enquanto o Paraná tem 13,25 mil beneficiários afetados. Esses números refletem a distribuição populacional e o volume de pagamentos realizados na pandemia.
Em Goiás, 6 mil famílias enfrentam cobrança de R$ 16,6 milhões, com prazos individuais para regularização. O Ministério prioriza regiões com maior densidade de irregularidades detectadas por cruzamentos de dados.
No Amapá, 395 pessoas devem devolver R$ 983 mil, ilustrando a abrangência nacional da fiscalização. Cada estado recebe orientações específicas via canais oficiais.
O Maranhão soma 2,6 mil famílias com débitos de R$ 6,5 milhões, confirmando o esforço contínuo para recuperar recursos públicos.
Como funciona o processo de devolução
O sistema Vejae, disponível desde 6 de março de 2025 no portal Gov.br, permite consultar pendências pelo CPF. Os usuários acessam com login Gov.br e verificam notificações vinculadas ao documento.
Pagamentos ocorrem via PagTesouro, com opções de Pix, cartão de crédito ou boleto bancário. O prazo inicial é de 60 dias após a notificação, sem acréscimo de juros ou multas.
Parcelamento atinge até 60 vezes, com valor mínimo de R$ 50 por prestação. Essa flexibilidade visa facilitar a quitação para diferentes perfis financeiros.
Casos isentos da cobrança
Famílias inscritas no Bolsa Família escapam da devolução, assim como quem integra o Cadastro Único. A regra protege vulneráveis com renda per capita de até dois salários mínimos ou familiar de três salários.
Valores abaixo de R$ 1.800 também ficam fora do processo, priorizando equidade na recuperação. O MDS exclui automaticamente esses perfis durante a análise inicial.
Quem não solicitou o benefício, mas o recebeu por fraude, deve denunciar via Vejae e Fala.BR. A Caixa Econômica Federal auxilia na contestação para cancelar débitos indevidos.
Consequências do não pagamento
Inadimplência leva à inscrição na Dívida Ativa da União após o prazo. O Cadastro Informativo de Créditos não Quitados (Cadin) restringe acesso a financiamentos públicos.
Negativação ocorre em bureaus como Serasa e SPC, impactando crédito privado. O processo segue Decreto nº 10.990/2022, com foco em conformidade fiscal.
Recursos judiciais demandam análise posterior, mas o pagamento voluntário evita restrições imediatas. O Ministério monitora adesões para ajustar fiscalizações futuras.
Opções de defesa para contestar
Cidadãos discordantes apresentam defesa em 30 dias via Vejae, anexando comprovantes de elegibilidade. O sistema analisa documentos e responde em até 45 dias.
Se indeferida, novo prazo de 45 dias surge para pagamento ou recurso administrativo. Essa etapa garante contraditório e ampla defesa previstos na lei.
Fraudes não solicitadas requerem boletim de ocorrência e protocolo no Fala.BR. O MDS encaminha para investigação, potencialmente cancelando cobranças.
Detalhes sobre o sistema Vejae
Plataforma centraliza consultas desde março de 2025, integrando dados do Tesouro Nacional. Usuários inserem CPF e veem histórico completo do auxílio emergencial.
Alertas laranja indicam pendências ativas, com data exata da notificação. O acesso exige autenticação Gov.br nível prata ou ouro para segurança.
Integração com PagTesouro agiliza transações, registrando comprovantes digitais. O sistema processou milhares de regularizações nos primeiros meses de operação.
O Ministério atualiza o Vejae periodicamente para incluir novas auditorias. Cidadãos recebem tutoriais via app Notifica para navegação simples.







