MC Poze depõe na CPI das Câmeras da Alerj e atribui devolução de carro roubado à sua fama nacionalPor Bruna
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O cantor Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, prestou depoimento nesta segunda-feira, 20 de outubro de 2025, na Comissão Parlamentar de Inquérito das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele foi convocado para esclarecer o roubo e a recuperação rápida de sua Land Rover Defender blindada, ocorrido em 19 de setembro no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste da cidade. A comissão investiga possíveis irregularidades em devoluções de veículos furtados, e o caso chamou atenção pela ausência de intervenção policial direta.
Durante a sessão, presidida pelo deputado Alexandre Knoploch (PL), Poze respondeu à pergunta inicial sobre o motivo da devolução em poucas horas. O artista enfatizou sua visibilidade pública como fator decisivo. A reunião durou 28 minutos e foi transmitida ao vivo pela TV Alerj.
A convocação ocorreu porque o veículo foi localizado abandonado logo após o furto ganhar repercussão nas redes sociais. Poze destacou que o carro, todo vermelho e personalizado com seu nome nos bancos, se tornou irreconhecível para os responsáveis pelo crime.
Fama impulsiona resolução do caso
A notoriedade do cantor influenciou diretamente a localização do veículo, segundo ele próprio. Com 16 milhões de seguidores no Instagram e mais de quatro milhões de visualizações diárias em stories, Poze argumentou que a exposição midiática forçou a devolução. O carro não foi recuperado por forças de segurança, mas encontrado largado em local acessível.
Ele reforçou que postagens sobre o roubo geraram repercussão imediata, tornando impossível a manutenção do bem pelos criminosos. Essa dinâmica reflete como a presença digital pode alterar desfechos em incidentes de segurança urbana.
Troca de farpas marca o depoimento
O presidente da CPI, deputado Knoploch, questionou Poze sobre letras de suas músicas que, em sua visão, promovem atividades ilícitas. O parlamentar manteve o termo “marginal” usado anteriormente em redes sociais para descrever o cantor. Poze rebateu, afirmando que o deputado conhece sua trajetória como artista e pai de família.
- Knoploch justificou a crítica com base em conteúdos musicais que incentivam crimes;
- Poze mencionou prisão anterior sem condenação, destacando liberação por falta de provas;
- O cantor evitou diálogo aprofundado, citando discordância prévia do deputado.
A advogada de Poze apresentou habeas corpus assinado pela desembargadora Kátia Maria Amaral Jangutta, permitindo silêncio após a primeira resposta. Os parlamentares liberaram o depoimento nesse ponto.
Investigação avança com prisões recentes
A CPI das Câmeras, instalada em junho de 2025, apura ações de empresas de videomonitoramento e associações de proteção veicular. Esses grupos são suspeitos de negociações irregulares para resgates de carros, incluindo pagamentos a facções. Em setembro, duas prisões foram decretadas em reuniões da comissão.
Sérgio Belo David Fuerte, da associação Rio Ben, foi levado à delegacia por recusa em depor. Thiago Lima Menezes, da Êxodus Benefícios, enfrentou processo por falso testemunho. Ambos aguardam julgamento em liberdade, conforme relatórios da Alerj.
Deputados visitaram a penitenciária de Gericinó, em Bangu, para ouvir presos envolvidos em roubos e clonagens de veículos. Relatos indicam práticas sistemáticas de resgate, com valores variando de R$ 5 mil a R$ 20 mil por automóvel.
A prorrogação dos trabalhos por 60 dias, aprovada em 6 de outubro, estende as oitivas até dezembro. Mais de 400 câmeras irregulares de uma empresa investigada serão removidas de vias públicas até o fim do ano, conforme determinação municipal.
Entendendo o escopo da comissão
A CPI tem como relator o deputado Filippe Poubel (PL) e integra parlamentares como Rodrigo Amorim (União), Alan Lopes (PL) e Prof. Josemar (Psol). O foco reside em lucros obtidos por entidades privadas com a violência no estado, incluindo sonegação fiscal e contratações indevidas de monitoramento.
Representantes de seguradoras já foram ouvidos, revelando falhas em sistemas de rastreamento. A comissão identificou ligações entre associações veiculares e grupos criminosos, com base em depoimentos de detentos.
O caso de Poze exemplifica padrões observados em mais de 15 mil roubos de veículos registrados no Rio em 2025, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Esses incidentes representam 40% dos crimes contra patrimônio na região metropolitana.
Direitos e procedimentos legais
Poze optou pelo silêncio após a resposta inicial, respaldado pelo habeas corpus. A legislação permite essa proteção a testemunhas para evitar autoincriminação. A ausência inicial a uma oitiva anterior poderia ter elevado seu status a investigado, mas o comparecimento evitou isso.
O Código Penal prevê punições por omissões ou falsidades em depoimentos, como o artigo 342. A CPI reforçou convocações obrigatórias para empresários e representantes de cooperativas nos próximos dias.
Essa etapa demonstra o equilíbrio entre investigação legislativa e garantias individuais. Procedimentos semelhantes ocorreram em comissões anteriores, como a do Narcotráfico em 2024.
Avanços em monitoramento veicular
Empresas de proteção veicular enfrentam escrutínio por operar sem regulação plena, diferentemente de seguradoras tradicionais. A CPI mapeou mais de 50 associações no estado, com faturamento estimado em R$ 200 milhões anuais. Algumas cobram mensalidades baixas, mas repassam valores a recuperadores informais.
Auditorias revelaram que 30% dos veículos resgatados envolvem negociações paralelas, sem registro policial. A comissão planeja recomendações para leis mais rígidas em 2026.
Poze concluiu sua participação reafirmando seu papel como artista, distante de controvérsias criminais. A sessão destacou tensões entre cultura popular e políticas de segurança.







