MC Poze do Rodo depõe na CPI da Alerj sobre recuperação rápida de Land Rover roubada no RioPor Luís Henrique Costa
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O rapper Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, prestou depoimento nesta segunda-feira (20) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A oitiva ocorreu às 10h, com transmissão ao vivo pela TV Alerj, e focou no roubo de sua Land Rover Defender blindada, ocorrido em 19 de setembro no Recreio dos Bandeirantes. O veículo, avaliado em cerca de R$ 900 mil, foi recuperado poucas horas após o crime, com tanque cheio e sem pagamento de resgate, o que levantou questionamentos sobre possíveis irregularidades.
Parlamentares buscam esclarecer as circunstâncias do incidente, que envolveu dois amigos do artista no momento do roubo. A ausência inicial de Poze em convocações anteriores transformou o convite em convocação oficial, sob risco de mudança para status de investigado.
A CPI, instalada em agosto, apura atuações de empresas de monitoramento veicular e associações de proteção automotiva, suspeitas de conexões com organizações criminosas.
- Principais entidades investigadas incluem associações como Maisrio e Premium Clube, com movimentações financeiras acima de R$ 124 milhões anuais em alguns casos.
- Depoimentos de detentos em Gericinó confirmaram pagamentos de resgates a quadrilhas por essas firmas.
- Prisões recentes de empresários, como Sérgio David e Thiago Menezes, ocorreram por obstrução e falso testemunho.
Circunstâncias do roubo no Recreio
O roubo aconteceu na tarde de 19 de setembro, quando o veículo estava estacionado com dois acompanhantes do cantor. Poze relatou o fato em vídeos nas redes sociais, expressando confiança na recuperação graças ao seguro contratado.
O automóvel reapareceu intacto, sem sinais de uso prolongado ou danos, em local próximo ao ocorrido. Autoridades policiais não registraram operações de busca nesse caso específico.
Atuação da CPI em investigações veiculares
A comissão ouviu representantes de associações de proteção veicular e empresas de pronta resposta durante a sessão. Esses grupos atuam sem regulamentação plena, com 449 entidades no estado, e cobram taxas superiores às de seguradoras tradicionais.
Deputados relataram indícios de pagamentos irregulares a criminosos, incluindo milícias e facções de tráfico, para devolução de bens.
O relator Filippe Poubel destacou a necessidade de controle em ferros-velhos e e-commerces de peças, que alimentam o ciclo de roubos. A CPI já intimou 21 associações e planeja mais oitivas com detentos e empresários.
Em visitas ao Complexo Penitenciário de Gericinó, parlamentares coletaram depoimentos de líderes em roubos de vans e clonagem de veículos, que confirmaram fluxos financeiros ilícitos.
Composição e metas da comissão parlamentar
Integram a CPI o presidente Alexandre Knoploch (PL), o vice-presidente Marcelo Dino (União), o relator Filippe Poubel (PL), além de Rodrigo Amorim (União) e Luiz Paulo (PSD).
O grupo visa mapear irregularidades em contratos de câmeras de monitoramento e sonegação fiscal nessas associações.
Suspeitas em associações de proteção
Essas entidades prometem recuperação rápida de veículos, mas investigações apontam para esquemas que beneficiam o crime organizado. No caso de Poze, a devolução sem intervenção policial reforça a análise de práticas atípicas. Parlamentares comparam com a realidade comum, onde recuperações demoram meses ou não ocorrem.
Uma associação investigada movimentou R$ 124 milhões no último ano, incluindo despesas atípicas como R$ 20 mil em fast-food, apesar de alegar fins não lucrativos. Seu representante recebia auxílio emergencial durante a pandemia, o que gerou questionamentos sobre transparência.
Detalhes da oitiva com o artista
Poze chegou à Alerj pontualmente e respondeu a indagações sobre o contrato de proteção veicular utilizado. A sessão incluiu perguntas sobre contatos pós-roubo e o papel de empresas de rastreamento.
O depoimento contribui para o relatório final da CPI, que recomenda regulamentações mais rígidas para o setor.
Avanços em prisões e oitivas recentes
Dois empresários tiveram prisão decretada por recusa em depor e incoerências: Sérgio David, da Rio Ben Benefícios, e Thiago Menezes, da Êxodos. Ambos estão ligados a associações com indícios de lavagem de dinheiro via resgates.
A CPI planeja expandir para roubos de cargas e uso de ouro em transações criminosas, com foco em 2025.







