Atualização: Guerra no Rio de Janeiro eleva mortes a 130 com 72 corpos retirados da mata por moradoresPor Luís Henrique Costa
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Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, retiraram 72 corpos de áreas de mata durante a madrugada desta quarta-feira (29) e os transportaram para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas. A iniciativa ocorre um dia após a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, lançada para combater o Comando Vermelho e cumprir mandados de prisão. O governo estadual registrou inicialmente 58 criminosos e quatro policiais mortos, mas os achados elevam o total para 130 óbitos.
A ação, denominada Contenção, envolveu cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar em uma extensão equivalente a duas vezes o tamanho de Copacabana. Confrontos se concentraram na Serra da Misericórdia, especialmente na Vacaria, onde os corpos foram localizados. Autoridades realizam perícia para confirmar se esses óbitos ligam-se diretamente à operação.
- Principais alvos incluíam 100 mandados contra líderes do Comando Vermelho, com foragidos do Pará.
- Apreensões somaram 93 fuzis, munições e explosivos usados em retaliações.
- Presos totalizaram 81, com dois baleados sob custódia no Hospital Estadual Getúlio Vargas.
O governador Cláudio Castro descreveu a operação como a maior em 15 anos e decretou luto oficial de três dias pelos policiais mortos.
Ação policial mobiliza forças em terreno desafiador
Agentes avançaram por trilhas estreitas na Serra da Misericórdia, enfrentando barricadas e explosivos lançados por drones. A operação durou mais de 12 horas, com trocas de tiros prolongadas na região da Vacaria. Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) mapearam o local com drones durante 60 dias de planejamento.
Inteligência identificou 30 alvos interestaduais escondidos nas comunidades. A extensão da área, com vegetação densa, complicou o acesso e prolongou os confrontos. O Instituto de Segurança Pública registrará os dados finais após laudos balísticos.

Descoberta de corpos acelera identificação por famílias
Moradores transportaram os cadáveres para a praça visando facilitar o reconhecimento. Os corpos, todos de homens, foram dispostos sem camisas para expor tatuagens e cicatrizes. Muitos exibiam ferimentos a bala, com rostos alterados em alguns casos.
A Polícia Civil atendeu famílias no prédio do Detran, próximo ao Instituto Médico-Legal (IML) no Centro, a partir das 8h. Acesso ao IML restringiu-se à polícia e ao Ministério Público durante exames. Necropsias não ligadas à operação transferiram-se para o IML de Niterói.
Análises balísticas prosseguem nos 72 corpos da Vacaria. O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, afirmou que esses óbitos não integram o balanço inicial de 62 mortes. Caso confirmada a conexão, o total demandará mais recursos investigativos.
Apreensões superam metas e desmantelam estruturas
Fuzis de calibre alto foram recolhidos em incursões nos complexos. Os armamentos serviam em emboscadas contra equipes policiais. Prisões ocorreram em 180 endereços investigados por um ano.
Entre detidos, Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, atuava como chefe local do Comando Vermelho. Nicolas Fernandes Soares operava finanças da facção. Depósitos de munição e explosivos artesanais foram desativados.
Retaliações incluíram bloqueios em vias da Zona Norte, Oeste e Sudoeste. O Centro de Operações Rio elevou o alerta para nível 2. Transporte público afetou-se, com frota reduzida em 70% na região.
- Bloqueios paralisaram ônibus em 50 pontos.
- Corridas de aplicativo subiram até 100% nos preços.
- Fluxo de veículos caiu 40% na média semanal.
Perdas entre policiais geram homenagens oficiais
Quatro agentes morreram nos confrontos iniciais: dois civis e dois militares do BOPE. O delegado Marcus Vinícius Cardoso, de 51 anos, foi atingido na entrada do Complexo da Penha. Seu parceiro, Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, faleceu no mesmo episódio.
Sargentos Cleiton Serafim, de 42 anos, e Heber Fonseca, de 39 anos, foram baleados durante avanço no Alemão. Familiares prestaram depoimentos sobre o compromisso dos policiais. O governador prometeu suporte às famílias.
Um delegado segue em estado grave no Hospital Getúlio Vargas. A corporação suspendeu atividades administrativas para reforçar patrulhas. Cerimônias de homenagem ocorrerão no Quartel do Comando Geral da PM.
Bloqueios causam interrupções no tráfego diário
Criminosos interditaram ruas, paralisando ônibus em múltiplos pontos. A Linha Amarela e a Avenida Braz de Pina registraram fechamentos prolongados. Pedestres percorreram distâncias longas para retornar a casa.
Linha de ônibus operou com atrasos de até duas horas. Estudantes da UERJ tiveram aulas suspensas. Comércio em bairros vizinhos fechou durante o dia.
Viaturas da PM posicionaram-se em 12 pontos ao longo de 13 km. O impacto reduziu o movimento em vias principais. Autoridades liberaram acessos após 12 horas de retaliações.







