Fed reduz taxa para 3,75% a 4%, mas presidente Powell questiona redução extra em dezembro

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Dow Jones - Foto: Matej Kastelic/shutterstock.com Foto: Dow Jones - Foto: Matej Kastelic/shutterstock.com

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira, 29 de outubro de 2025, em Washington, que um novo corte na taxa de juros em dezembro não está garantido. A declaração ocorre após o Comitê Federal de Mercado Aberto decidir reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Powell destacou os riscos equilibrados de alta na inflação e de queda no emprego como motivos para uma possível manutenção da política monetária neutra.

A decisão reflete o segundo corte consecutivo em 2025, iniciado em setembro para apoiar o mercado de trabalho em desaceleração. Investidores aguardavam sinalizações claras para dezembro, mas Powell enfatizou que o comitê avaliará dados recentes, incluindo impactos da paralisação do governo federal.

Os mercados financeiros reagiram com volatilidade, com índices de ações nos Estados Unidos recuando após a coletiva de imprensa. Powell mencionou que a inflação, embora em trajetória de queda, permanece acima da meta de 2% ao ano, enquanto o desemprego subiu ligeiramente para 4,5% em agosto.

Decisão do FOMC e divergências internas

O Comitê Federal de Mercado Aberto aprovou o corte por 10 votos a 2, com dissidências de diretores que defendiam manutenção ou redução maior. Stephen Miran votou por um corte de 0,50 ponto percentual, enquanto Jeffrey Schmid preferiu estabilidade nas taxas.

Powell explicou que as visões divergentes no comitê refletem o equilíbrio delicado entre os objetivos de pleno emprego e estabilidade de preços. A paralisação governamental, iniciada em outubro, limitou dados oficiais, forçando o uso de indicadores privados para embasar a escolha.

Essa divisão interna sinaliza cautela para as próximas reuniões, com o presidente do Fed reforçando que decisões serão baseadas em evidências concretas.

Riscos para inflação e mercado de trabalho

A inflação nos Estados Unidos registrou alta de 3% no índice de preços ao consumidor em setembro, acima da projeção de 2,9%. Powell observou que, excluindo efeitos de tarifas comerciais, os preços convergem para a meta de 2%, mas pressões persistentes em serviços demandam vigilância.

Dados de emprego mostram desaceleração na criação de vagas, com ganhos mensais abaixo de 150 mil desde julho. A taxa de desemprego em 4,5% indica riscos de enfraquecimento, especialmente com a redução na imigração afetando a força de trabalho.

O chair do Fed alertou que riscos assimétricos exigem abordagem reunião a reunião, sem compromissos prévios.

Impacto da paralisação governamental nos dados

A paralisação orçamentária, em sua quarta semana, interrompeu relatórios oficiais de emprego e inflação. Powell comparou a situação a dirigir em névoa, justificando lentidão nas decisões para evitar erros.

Indicadores privados, como pesquisas de empresas, sugerem crescimento moderado da atividade econômica, mas com sinais de fraqueza no setor de serviços. O Fed planeja retomar compras limitadas de títulos do Tesouro a partir de dezembro para estabilizar liquidez.

Essa medida visa prevenir tensões em mercados de curto prazo, semelhantes às de 2019, sem reverter o processo de redução do balanço patrimonial.

Projeções econômicas e trajetória dos juros

O Federal Reserve revisou projeções para 2025, elevando o crescimento do PIB para 1,6% e mantendo a inflação em 3%. Para 2026, o desemprego cai para 4,4%, com cortes adicionais de juros projetados em 0,50 ponto percentual no total.

  • Crescimento do PIB: 1,6% em 2025, ante 1,4% anterior.
  • Inflação PCE: 2,6% em 2026, revisada para cima de 2,4%.
  • Taxa de fundos federais: Média de 3,5% ao fim de 2025.

Powell reiterou que o mandato duplo prioriza equilíbrio, com foco em dados de novembro para guiar dezembro.

Fim do Quantitative Tightening em dezembro

O programa de Quantitative Tightening, iniciado em 2022, encerra em 1º de dezembro, após reduzir o balanço do Fed em US$ 1,5 trilhão. Essa redução retirou liquidez equivalente a um aperto monetário, contribuindo para taxas elevadas.

Powell indicou que reservas bancárias caíram para níveis próximos de 8% do PIB, arriscando instabilidade financeira. A transição para compras limitadas de títulos visa manter reservas amplas, sem expansão excessiva.

Essa mudança alinha-se à estratégia de normalização gradual, monitorando impactos em empréstimos e investimentos corporativos.

Reações dos mercados e críticas políticas

Índices como o S&P 500 caíram 0,8% após as falas de Powell, com yields de Treasuries de 10 anos subindo para 4,2%. Investidores reduziram apostas em corte de dezembro de 90% para 75%, segundo contratos futuros.

O presidente Donald Trump criticou Powell em Seul, chamando-o de “tarde demais” por cortes moderados. Trump defende reduções mais agressivas, citando queda em combustíveis e alta salarial como justificativa.

Analistas preveem que pressões políticas não alterem a independência do Fed, mas aumentem volatilidade em ativos globais.

Perspectivas para 2026 e mandato de Powell

O mandato de Powell encerra em 2026, com especulações sobre sucessor sob a administração Trump. Projeções indicam taxa neutra em 3% a 3,5%, permitindo pausas em cortes se inflação persistir.

O Fed monitora efeitos de tarifas sobre importações, que elevaram custos em 0,5% no terceiro trimestre. Powell estima impactos temporários, absorvidos por cadeias de suprimentos.

Essa visão sustenta otimismo moderado, com foco em resiliência econômica apesar de incertezas fiscais.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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