Moradores transportam 55 corpos para praça na Penha após megaoperação letal no Rio de JaneiroPor Luís Henrique Costa
Atualizado 5 min de leitura
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Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, transportaram pelo menos 55 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, durante a madrugada desta quarta-feira (29). A ação ocorreu um dia após a megaoperação policial contra o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 64 mortes confirmadas pelo governo estadual, incluindo quatro policiais. Esses novos corpos, localizados em áreas de mata, não integram inicialmente o balanço oficial, conforme informou o secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira.
A operação, deflagrada na terça-feira (28), mobilizou 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, com apoio do Ministério Público, para cumprir mandados de prisão e conter o avanço da facção. Confrontos intensos na Serra da Misericórdia, especialmente na Vacaria, deixaram os corpos em locais de difícil acesso, o que levou moradores a retirá-los para facilitar o reconhecimento por familiares.
- Principais alvos incluíam Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, liderança do Comando Vermelho na Penha.
- Apreensões somaram 93 fuzis, elevando o total anual no estado para 686 armas pesadas.
- 81 prisões foram registradas durante os tiroteios e buscas.
Autoridades agendaram perícia nos corpos para verificar ligações com a operação, enquanto o acesso ao Instituto Médico-Legal (IML) foi restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público a partir das 8h.

Detalhes da operação policial
A megaoperação começou na madrugada de terça-feira (28) com incursões em pontos estratégicos dos complexos da Penha e do Alemão. Agentes usaram drones e helicópteros para monitorar áreas de mata densa, onde traficantes se entrincheiraram. Até o fim do dia, 64 óbitos foram contabilizados, superando recordes anteriores como os 28 mortos no Jacarezinho em 2021.
Criminosos responderam com barricadas incendiadas e ataques via drones, interrompendo vias como a Linha Amarela e a Avenida Brasil. O Centro de Operações Rio elevou o estágio operacional para nível 2, mobilizando todo o efetivo policial da cidade.
Entre as vítimas policiais, dois eram civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes e da 38ª DP (Irajá), além de dois militares do Bope. Um cabo do Bope foi o primeiro atingido em confronto na mata do Alemão.
Três moradores sofreram ferimentos por bala perdida e foram atendidos no Hospital Getúlio Vargas, incluindo uma mulher que recebeu alta após ferimento superficial.
Transporte dos corpos pela comunidade
Moradores iniciaram o resgate dos corpos por volta das 2h da madrugada, usando kombis e carrinhos de mão para atravessar trilhas íngremes na Serra da Misericórdia. O ativista Raull Santiago participou da ação, destacando que os corpos estavam espalhados na mata da Vacaria, com indícios de confrontos prolongados.
A iniciativa visou agilizar o identificação por parentes, evitando decomposição em locais isolados. Até as 6h, cerca de 55 corpos foram alinhados na praça, cobertos por lonas para proteção.
Autoridades confirmaram que seis corpos chegaram ao Hospital Getúlio Vargas em uma kombi durante a noite anterior, saindo rapidamente do local. O traslado coletivo para a praça centralizou o esforço comunitário em meio a restrições de acesso policial.
Peritos do IML iniciaram os exames no Detran adjacente, priorizando necropsias ligadas à operação, enquanto as demais foram transferidas para Niterói.
Consequências imediatas nos complexos
A operação resultou em 81 detenções, com suspeitos levados à Cidade da Polícia para interrogatórios. Apreensões incluíram munições, explosivos e veículos usados em barricadas, enfraquecendo temporariamente a estrutura do Comando Vermelho na região.
- Fechamentos de ruas afetaram o transporte público, com 50 ônibus retidos como barreiras.
- Moradores relataram interrupções em serviços essenciais, como energia e água, durante os tiroteios.
- Oito policiais e quatro civis ficaram feridos, recebendo atendimento no Getúlio Vargas.
O governador Cláudio Castro decretou luto oficial de um dia pelas mortes policiais, enquanto o Ministério Público denunciou 67 pessoas por associação ao tráfico.
Análise balanço oficial de vítimas
O balanço inicial de 64 mortes, divulgado na terça-feira, focava em confrontos diretos, mas os 55 corpos adicionais podem elevar o total para mais de 100, dependendo da perícia. Autoridades investigam se todos os óbitos ocorreram durante a ação ou em retaliações subsequentes.
Corpos apresentavam marcas de tiros e ferimentos cortantes, conforme relatos iniciais de moradores. A contagem oficial depende de exames balísticos e identificação por digitais.
Essa discrepância destaca desafios em operações em áreas de mata, onde resgates demoram horas. O Instituto de Segurança Pública atualizará os dados em relatório semanal.
Resgates em áreas de mata desafiadoras
A Serra da Misericórdia, com seus 9 milhões de metros quadrados de vegetação, concentrou os combates mais intensos. Moradores enfrentaram trilhas escorregadias e riscos de deslizamentos para acessar os corpos, muitos localizados a mais de 500 metros de altitude.
Equipamentos como lanternas e cordas improvisadas foram usados no resgate, coordenado informalmente por líderes comunitários. Ainda restam relatos de corpos no alto do morro, inacessíveis sem apoio oficial.
A ação comunitária evitou que os restos permanecessem expostos, facilitando o processo forense. Equipes do IML mobilizaram reforços para atender o volume.
Ações de apoio às famílias
A partir das 8h, o Detran ao lado do IML abriu para reconhecimento oficial, com suporte psicológico para parentes. O Ministério Público supervisiona os procedimentos para garantir transparência.
- Documentos necessários incluem certidões de nascimento e fotos para identificação.
- Transporte funerário será fornecido pelo estado para óbitos confirmados na operação.
- Linhas de apoio da Defensoria Pública atendem denúncias de irregularidades.
O governo estadual ampliou verbas para assistência social nos complexos afetados, incluindo kits de higiene e alimentos para 280 mil residentes.







