Secretário da PM detalha muro do Bope em ação que matou 117 suspeitos no Rio de Janeiro em 2025Por Bruna
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Autoridades policiais do Rio de Janeiro anunciaram nesta quarta-feira (29) o balanço final da megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte, que resultou em 64 mortes, incluindo 60 suspeitos e quatro agentes. A ação, batizada de Operação Contenção, visava cumprir 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão contra líderes do Comando Vermelho, que expandiam influência na região. Cerca de 2.500 policiais civis e militares participaram, com foco em preservar vidas civis ao direcionar confrontos para áreas de mata.
O secretário de Polícia Militar, Marcelo de Menezes, detalhou em coletiva que a estratégia evitou um banho de sangue nas comunidades, com embates concentrados em regiões isoladas. Quatro moradores inocentes ficaram feridos, sem gravidade, e 81 prisões foram registradas, além de apreensões de armamento pesado.
A operação, iniciada às 6h de terça-feira (28) e estendida até a noite, mobilizou recursos como 32 blindados e veículos de demolição. Criminosos retaliaram com bloqueios de vias e lançamento de granadas via drones, elevando o estágio operacional da cidade para nível 2.
Tática de isolamento na serra
Tropas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) formaram uma linha de contenção na Serra da Misericórdia, conhecida como “muro do Bope”, para empurrar suspeitos para o topo da mata.
Essa manobra reduziu o risco a residentes, com a maior parte dos tiroteios ocorrendo longe das edificações. Agentes retiraram roupas táticas dos corpos encontrados, confirmando perfis de criminosos.
Suspeitos que optaram pela rendição foram detidos sem resistência, totalizando 81 capturas.
Balanço de baixas e feridos
Quatro policiais perderam a vida nos confrontos: dois civis das delegacias de Irajá e Pavuna, e dois sargentos do Bope, Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca. Os velórios e enterros ocorrerão nesta quarta-feira em cemitérios da Zona Norte.
Seis outros agentes ficaram feridos e receberam atendimento no Hospital Estadual Getúlio Vargas. Moradores transportaram 60 corpos para a Praça São Lucas, facilitando o trabalho do Instituto Médico Legal (IML) na identificação.
Perícias prosseguem para atualizar o número oficial, que pode variar com novas descobertas na mata.
A Defensoria Pública relatou mais de 130 óbitos não confirmados, mas o governo mantém 64 como dado verificado.

Apreensões durante a ação
A operação resultou em 93 fuzis e pistolas recolhidos, elevando o total anual no Rio para 686 armas de grosso calibre. Trinta veículos roubados foram recuperados em barricadas erguidas por traficantes.
- Drones equipados com granadas foram neutralizados, uma tática inédita usada pelos criminosos contra equipes policiais;
- 38 explosivos manuais e 12 veículos de demolição foram empregados para desobstruir acessos;
- 100 mandados de prisão cumpridos, incluindo operadores financeiros do Comando Vermelho de outros estados;
- Helicópteros não foram usados para evitar alvos fáceis em áreas de mata densa.
Esses itens reforçam o planejamento de um ano de investigação conjunta com o Ministério Público.
Reunião com governadores aliados
Cláudio Castro se reuniu por teleconferência com líderes como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) para discutir cooperação interestadual contra facções. Os participantes destacaram o impacto de ações judiciais no fortalecimento de organizações criminosas.
Castro classificou a operação como sucesso e negou tratamento à PEC da Segurança Pública na agenda. Dez líderes do Comando Vermelho foram transferidos para presídios federais de segurança máxima.
O governador promoveu postumamente os policiais mortos, em reconhecimento aos esforços na linha de frente.
Retaliações e impactos na cidade
Criminosos bloquearam vias como a Avenida Ayrton Senna com ônibus incendiados, desviando 20 linhas de transporte público. O Centro de Operações e Resiliência monitorou os incidentes para restabelecer o tráfego.
Unidades de saúde e educação suspenderam atividades: 46 escolas e três hospitais na região pararam por segurança. A Polícia Militar suspendeu tarefas administrativas para reforçar patrulhas urbanas.
O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União cobraram esclarecimentos sobre a letalidade, com perícias em andamento no IML para ligar vítimas à ação.







