Quem é Grandão, o ‘síndico da Penha’ apontado como responsável pela segurança dos traficantes

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Grandão, gerente do Comando Vermelho na Penha Foto: Grandão, gerente do Comando Vermelho na Penha - Foto: Reprodução

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou Washington César Braga da Silva, conhecido como Grandão, de 35 anos, como o principal gerente operacional do Comando Vermelho no Complexo da Penha, na Zona Norte da capital. Ele coordena atividades diárias do tráfico, incluindo escalas de segurança e distribuição de pagamentos, em uma estrutura que abrange comunidades adjacentes como o Alemão. A revelação surge após a megaoperação Contenção, deflagrada em 28 de outubro de 2025, que resultou em 121 mortes e visava líderes da facção.

Grandão escapou do cerco policial junto com Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefe nominal da organização na região, durante confrontos que mobilizaram 2.500 agentes. A ação, a mais letal da história do estado, apreendeu 118 armas, incluindo 91 fuzis, e prendeu 113 suspeitos. Investigadores apontam que o gerenciamento de Grandão facilita a expansão territorial do Comando Vermelho.

Atribuições operacionais de Grandão

As investigações revelam que Grandão estabelece escalas de plantão para guardas armados nos pontos de venda de drogas no Complexo da Penha. Ele distribui as funções via grupos de mensagens para a cúpula da facção, garantindo cobertura contínua em áreas vulneráveis.

Além disso, o gerente organiza o pagamento mensal aos integrantes, com valores baseados em postos e desempenho, o que mantém a hierarquia interna estável.

Normas impostas pela gerência

Grandão emite diretrizes sobre conduta em eventos comunitários, como bailes funk, para evitar confrontos com moradores. Em uma ordem recente, ele proibiu o porte de armas em campos de futebol durante festas, visando preservar a imagem da facção.

A proibição se estendia a todos os níveis, de gerentes a vendedores, e incluía restrições a bebidas alcoólicas. Ele monitora o cumprimento por meio de relatórios diários enviados via aplicativos.

Essas medidas visam reduzir atritos locais e manter o controle territorial.

operação penha rj
operação penha rj – Foto: Reprodução

Escala de plantão e defesa territorial

A divisão de tarefas ocorre em turnos de oito horas, com foco em postos fixos e patrulhas móveis. Criminosos recebem equipamentos como fuzis e uniformes camuflados para confundir forças policiais.

Grandão define quem protege Doca, priorizando lealdade e experiência em combates.

Contatos com forças de segurança

Registros de interceptações mostram Grandão negociando com um major da Polícia Militar para recuperar um veículo roubado em abril de 2024. O oficial enviou fotos do carro, e o gerente mobilizou contatos locais para localizá-lo em poucos dias.

Essa interação destaca ligações entre o crime e setores públicos, com Grandão mantendo um telefone dedicado para tais trocas.

Gerenciamento financeiro no complexo

Grandão supervisiona o fluxo de recursos provenientes do tráfico, alocando verbas para compras de armas e logística. Em 2025, a facção expandiu para áreas como Gardênia Azul, conquistadas de milícias, aumentando a receita em estimados 30%.

Ele registra transações em planilhas digitais compartilhadas com a cúpula, incluindo compras de drones para vigilância. Os valores mensais ultrapassam R$ 500 mil em alguns pontos, direcionados a salários e investimentos em defesas.

Estratégias de fuga durante a operação

No dia 28 de outubro, Grandão e Doca fugiram pela Serra da Misericórdia, usando rotas de mata preparadas com trincheiras. Imagens de drone captaram 23 armados se deslocando em fila, vestindo uniformes táticos.

A polícia formou um “muro” de agentes para empurrar os suspeitos para emboscadas, mas os líderes escaparam. Grandão coordenou a dispersão via mensagens, ordenando que subordinados abandonassem posições fixas.

Expansão recente do Comando Vermelho

A facção sob liderança de Doca avançou para comunidades como Juramento e César Maia nos últimos dois anos. Conflitos com o Terceiro Comando Puro resultaram em dezenas de execuções, com o CV controlando rotas de distribuição.

Grandão participou de reuniões para planejar invasões, usando vídeos de redes sociais para recrutar combatentes.

Armamento e logística apreendidos

Na operação, forças de segurança recolheram 26 pistolas e um revólver, além de munições e carregadores. O volume representa o maior em uma única ação no estado.

Esses itens eram armazenados em depósitos no Complexo da Penha, gerenciados por subordinados de Grandão.

  • Fuzis AR-15: 45 unidades, usados em defesas territoriais.
  • Pistolas Glock: 18, distribuídas a vendedores.
  • Drones de vigilância: 5, para monitoramento de entradas.

Grandão orientava a manutenção desses equipamentos, com treinamentos em áreas isoladas da serra.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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