Nasa registra pedra similar a água-viva na Cratera Gale em Marte

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Nasa imagem de Marte. Foto: Nasa imagem de Marte. - Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS

Equipamentos de exploração da agência espacial americana, a Nasa, fotografaram no solo de Marte uma estrutura geológica escura cujo formato lembra um animal marinho dotado de tentáculos. A imagem foi obtida no interior da Cratera Gale, uma bacia que no passado remoto serviu como leito de um lago com água há bilhões de anos, e passou a circular amplamente nas plataformas digitais em 2026. Cercado por pedras típicas da paisagem seca marciana, o objeto despertou discussões entre internautas e admiradores da astronomia ao redor do globo a respeito da possibilidade de existência de organismos vivos fora da Terra.

Data da captura na Cratera Gale e detalhes da silhueta

A fotografia que ganhou alcance na internet foi tirada durante o trabalho regular de mapeamento territorial conduzido pelo veículo motorizado na superfície do planeta. Com alta definição sobre o terreno coberto de poeira, o arquivo mostra uma silhueta de aspecto incomum na parte dianteira da cena, aparentemente sustentada por duas hastes delgadas. As lentes da máquina registraram o quadro em 20 de agosto de 2023, mas a composição só atingiu projeção mundial no começo de 2026, quando observadores autônomos e usuários curiosos decidiram inspecionar minuciosamente cada fração da imagem.

Comparações com água-viva nos fóruns de astronomia

A distribuição da imagem pelas redes gerou grande movimentação nas comunidades virtuais voltadas ao estudo do universo. Muitos participantes associaram o desenho da sombra diretamente ao corpo de uma água-viva, alimentando a ideia popular de que o ambiente marciano pudesse comportar formas biológicas complexas. Os comentários variaram entre a avaliação técnica de que o item não passa de um fragmento mineral moldado pela passagem do tempo e alegações de que a Nasa manteria em segredo evidências concretas sobre a presença de vida alienígena.

Como a pareidolia atua na leitura de fotos espaciais

Cientistas vinculados aos programas de investigação espacial apontam com frequência que o cérebro humano tende a ligar traços ao acaso a figuras já conhecidas do cotidiano, um fenômeno perceptual denominado pareidolia. Essa reação automática, responsável por fazer o observador notar rostos de pessoas ou corpos de bichos em formações de nuvens e cadeias de montanhas, repete-se com regularidade na observação de registros fotográficos do espaço. Na maior parte das ocorrências, aquilo que sugere ser um organismo petrificado resume-se a uma rocha esculpida pelo atrito constante das correntes de vento de Marte durante milhares de anos. Cabe justamente à análise criteriosa dos astrônomos distinguir essas ilusões criadas pela visão humana das informações que possuem valor real para a ciência.

Continue lendo: NASA divulga panorama inédito do amanhecer na Cratera Gale

Registros da Viking 1 em 1976 e outros episódios em Marte

As expedições enviadas ao planeta vizinho ao longo das décadas reuniram diversos episódios em que o público atribuiu significados irreais a relevos puramente minerais. Ainda que os especialistas esclareçam rapidamente a natureza geológica desses achados, as imagens costumam despertar forte atenção pública.

  • Elevação de Cydonia em 1976: a sonda da missão Viking 1 fotografou um relevo cujas dimensões lembravam uma face humana, mas imagens obtidas depois por câmeras mais avançadas atestaram tratar-se apenas de um morro desgastado pela erosão.
  • Pedra em forma de mamífero em 2012: o mesmo veículo explorador que captou a estrutura comparada a uma água-viva registrou uma rocha com contornos semelhantes aos de um pequeno roedor, episódio que rendeu debates e humor na ocasião.
  • Crateras com aparência de expressões: depressões abertas por impactos no solo que, conforme a posição da luz do Sol, projetam sombras parecidas com desenhos de rostos alegres ou tristes por simples efeito de iluminação.

Análises químicas de carbono e água nos laboratórios móveis

Fora do circuito de especulações que movimenta as redes digitais, as missões oficiais em atividade no espaço seguem protocolos estritamente científicos. Os aparelhos enviados à superfície têm a incumbência de verificar se o planeta já reuniu condições favoráveis à vida em eras passadas, procurando sinais antigos de água líquida e compostos químicos estruturados em carbono. O trabalho concentra-se na avaliação da composição da poeira e da rarefeita atmosfera local, em busca de minerais capazes de comprovar que o clima antigo já foi compatível com processos biológicos. Para separar com segurança uma pedra comum de um vestígio autêntico de bactéria fossilizada, os laboratórios instalados nos veículos precisam realizar exames químicos de alta complexidade.

Saiba mais: Rover Perseverance localiza rochas raras em Marte vindas de camadas profundas da crosta

Coleta de tubos pelo rover Perseverance desde 2021

O levantamento de dados sobre o solo marciano avança com o emprego de maquinário mais moderno na superfície. O rover Perseverance, que pousou no planeta no começo de 2021, executa perfurações no terreno e guarda amostras de terra em tubos selados, material programado para ser enviado à Terra na década seguinte para análise em microscópios de grande porte que não podem ser transportados em foguetes. Essa estratégia científica procura esclarecer se microrganismos primitivos já habitaram a região, além de preparar as bases técnicas e de segurança para futuras missões tripuladas por astronautas. Para além das ilusões visuais de grande apelo popular, cada registro fotográfico enviado pelas sondas contribui para detalhar a formação geológica de Marte.

Manuela é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2015

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