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O endurecimento das leis de combate ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro possui apoio esmagador da população, segundo revelam dados de uma pesquisa divulgada pela Quaest nesta segunda-feira (3). O levantamento aponta que 85% dos entrevistados manifestam apoio ao aumento da pena de prisão para indivíduos condenados por homicídio a mando de grupos criminosos. O estudo foi realizado logo após a megaoperação policial que resultou na morte de mais de uma centena de pessoas nos Complexos da Penha e do Alemão.

A aceitação da proposta de classificar organizações do crime organizado como organizações terroristas também é expressiva, alcançando 72% de concordância entre os moradores. A pesquisa entrevistou 1.500 residentes fluminenses com 16 anos ou mais, nos dias 30 e 31 de outubro, e apresenta margem de erro estimada em três pontos percentuais.

Reação da população após megaoperação

A coleta de dados da Quaest aconteceu dias depois da “Operação Contenção”, deflagrada em 28 de outubro pelas Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro contra a liderança do Comando Vermelho (CV) em comunidades da Zona Norte, com um saldo de 121 mortes, incluindo quatro policiais.

Guerra no rio de Janeiro 2025
Guerra no rio de Janeiro 2025 – Foto; X

O envolvimento da população com a segurança pública é evidente: 98% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento da megaoperação. A ação policial recebeu aprovação majoritária entre os fluminenses: 64% dos entrevistados disseram aprovar a iniciativa, contra 27% que a desaprovam.

Outra pergunta abordou a percepção de sucesso da ofensiva. Neste ponto, 58% dos moradores consideraram a operação um sucesso.

Medidas e percepção de segurança

A discussão sobre o combate ao crime organizado levou os entrevistados a considerar diversas propostas. A pesquisa detalhou o apoio a medidas de endurecimento da lei:

  • Aumentar a pena para condenados por homicídio a mando de organizações criminosas: 85% a favor;
  • Enquadrar organizações do crime organizado como organizações terroristas: 72% a favor;
  • Concordar com a criação de um escritório de emergência para combate ao crime organizado: 94% concordam.

Por outro lado, o levantamento mostra uma rejeição à flexibilização da posse de armas. Facilitar a compra e o acesso a armas de fogo é desaprovado por 72% dos moradores.

Propostas controversas e GLO

Apesar do apoio a medidas duras, a pesquisa também revelou dados que mostram a complexidade do tema e as divisões na sociedade. A Proposta de Garantia de Lei e Ordem (GLO), que traria o Exército para atuar no Rio de Janeiro, semelhante ao que ocorreu em 2018, recebeu o apoio de 59% dos participantes.

O uso de tecnologias de monitoramento também foi avaliado. A obrigatoriedade do uso de câmeras nos uniformes de policiais é uma medida apoiada por 81% dos entrevistados, indicando uma busca por maior transparência nas ações de segurança.

Capacidade estadual e uso da força

A maioria da população demonstra descrença na capacidade de combate autônomo do estado ao crime. Quando questionados, 62% dos fluminenses acreditam que o governo do Rio de Janeiro não possui a capacidade de combater o crime organizado sozinho. Apenas 36% acreditam na autossuficiência das forças de segurança estaduais.

Em relação à continuidade de operações como a realizada nos Complexos, 73% dos moradores afirmaram que a polícia deveria realizar ações desse tipo em comunidades. No entanto, o resultado da operação nos complexos da Penha e do Alemão não gerou maior sensação de segurança imediata. Para 52% dos entrevistados, o Rio de Janeiro está menos seguro após a megaoperação, enquanto 35% acreditam que está mais seguro.

Penalidades e combate ao crime

O apoio a penalidades mais severas reflete uma demanda por rigor no sistema judiciário, em um contexto onde a violência atinge níveis críticos. A possibilidade de pena de morte para quem comete crimes graves, como assassinato, é apoiada por 58% da população, indicando a intensidade do clamor por justiça.

A pesquisa revela um desejo claro por uma resposta firme e coordenada dos governos para lidar com as facções criminosas, que são vistas como a principal ameaça à ordem pública no estado. A alta taxa de aprovação para medidas de endurecimento penal sugere que o medo e a insatisfação com a segurança superam outras preocupações.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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