Operação no RJ eleva apoio a 72% por enquadrar crime organizado como terrorismoPor Jeronimo Santos
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O endurecimento das leis de combate ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro possui apoio esmagador da população, segundo revelam dados de uma pesquisa divulgada pela Quaest nesta segunda-feira (3). O levantamento aponta que 85% dos entrevistados manifestam apoio ao aumento da pena de prisão para indivíduos condenados por homicídio a mando de grupos criminosos. O estudo foi realizado logo após a megaoperação policial que resultou na morte de mais de uma centena de pessoas nos Complexos da Penha e do Alemão.
A aceitação da proposta de classificar organizações do crime organizado como organizações terroristas também é expressiva, alcançando 72% de concordância entre os moradores. A pesquisa entrevistou 1.500 residentes fluminenses com 16 anos ou mais, nos dias 30 e 31 de outubro, e apresenta margem de erro estimada em três pontos percentuais.
Reação da população após megaoperação
A coleta de dados da Quaest aconteceu dias depois da “Operação Contenção”, deflagrada em 28 de outubro pelas Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro contra a liderança do Comando Vermelho (CV) em comunidades da Zona Norte, com um saldo de 121 mortes, incluindo quatro policiais.

O envolvimento da população com a segurança pública é evidente: 98% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento da megaoperação. A ação policial recebeu aprovação majoritária entre os fluminenses: 64% dos entrevistados disseram aprovar a iniciativa, contra 27% que a desaprovam.
Outra pergunta abordou a percepção de sucesso da ofensiva. Neste ponto, 58% dos moradores consideraram a operação um sucesso.
Medidas e percepção de segurança
A discussão sobre o combate ao crime organizado levou os entrevistados a considerar diversas propostas. A pesquisa detalhou o apoio a medidas de endurecimento da lei:
- Aumentar a pena para condenados por homicídio a mando de organizações criminosas: 85% a favor;
- Enquadrar organizações do crime organizado como organizações terroristas: 72% a favor;
- Concordar com a criação de um escritório de emergência para combate ao crime organizado: 94% concordam.
Por outro lado, o levantamento mostra uma rejeição à flexibilização da posse de armas. Facilitar a compra e o acesso a armas de fogo é desaprovado por 72% dos moradores.
Propostas controversas e GLO
Apesar do apoio a medidas duras, a pesquisa também revelou dados que mostram a complexidade do tema e as divisões na sociedade. A Proposta de Garantia de Lei e Ordem (GLO), que traria o Exército para atuar no Rio de Janeiro, semelhante ao que ocorreu em 2018, recebeu o apoio de 59% dos participantes.
O uso de tecnologias de monitoramento também foi avaliado. A obrigatoriedade do uso de câmeras nos uniformes de policiais é uma medida apoiada por 81% dos entrevistados, indicando uma busca por maior transparência nas ações de segurança.
Capacidade estadual e uso da força
A maioria da população demonstra descrença na capacidade de combate autônomo do estado ao crime. Quando questionados, 62% dos fluminenses acreditam que o governo do Rio de Janeiro não possui a capacidade de combater o crime organizado sozinho. Apenas 36% acreditam na autossuficiência das forças de segurança estaduais.
Em relação à continuidade de operações como a realizada nos Complexos, 73% dos moradores afirmaram que a polícia deveria realizar ações desse tipo em comunidades. No entanto, o resultado da operação nos complexos da Penha e do Alemão não gerou maior sensação de segurança imediata. Para 52% dos entrevistados, o Rio de Janeiro está menos seguro após a megaoperação, enquanto 35% acreditam que está mais seguro.
Penalidades e combate ao crime
O apoio a penalidades mais severas reflete uma demanda por rigor no sistema judiciário, em um contexto onde a violência atinge níveis críticos. A possibilidade de pena de morte para quem comete crimes graves, como assassinato, é apoiada por 58% da população, indicando a intensidade do clamor por justiça.
A pesquisa revela um desejo claro por uma resposta firme e coordenada dos governos para lidar com as facções criminosas, que são vistas como a principal ameaça à ordem pública no estado. A alta taxa de aprovação para medidas de endurecimento penal sugere que o medo e a insatisfação com a segurança superam outras preocupações.







